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Comunicação à liderança do grupo
de resistência
Acabei de copiar um artigo em que se diz que a
reversão de doações irregulares de terras públicas independe do
tempo. Mas toda a legislação precisa ser estudada com atenção e
cuidados redobrados, pois sempre há uma brecha. Foi por essas e por
outras que respondi tão mal ao e-mail do prefeito, que tem à sua
disposição uma procuradoria jurídica enorme e não soube usá-la para
fazer estas investigaçoes e partir para reverter a situação. Não era
para ser papel nosso a defesa deste patrimônio, da maneira que
estamos fazendo, isto é, trabalhando na mesma linha dos salesianos.
Já que procuraram as vias legais, é preciso refutar tudo na mesma
área: ordenamento jurídico. Tenho de estudar a Constituição
brasileira e estadual que eram vigentes à época da doação, assim
como a legislação complementar. Se a doação não foi feita, isto não
precisará ser utilizado (leis estaduais), pois se trata de usurpação
de competência e a União será forçada a assumir toda a questão por
nós e partir para a retomada da propriedade, provocada pelo
Ministério Público Federal. Isto seria um milagre e uma benção para
todos nós.
Contudo, estas doações incondicionais não são a regra nas
disposições legais brasileiras. Sempre há uma cláusula que prevê a
reversão automática, sem direito à indenização. Resta saber se o
governo estadual póderia ter feito a doação sem estas disposições
protetoras, porisso é preciso cercar todas as saídas. Mas enfim, há
uma súmula do Supremo que diz que os agentes públicos têm o dever e
obrigação de proteger o patrimônio público de ser dilapidado sem a
devida destinação social em contrapartida. Não pode servir ao
enriquecimento e acumulação de recursos.
Mas bote fogo na turma do meio para continuar na batalha pelas
assinaturas. Até agora ninguém informa quantas temos e isso está me
preocupando. Não quero descobrir que temos apenas algumas dezenas e
isto iria derrubar de vez as nossas chances, caso a doação seja
considerada legal, sem falar na perda irremediável de qualquer força
de pressão. Se conhecer alguém que possa bater nos cartórios para
obter cópia da escritura dos salesianos (em Ouro Preto e BH) isto
seria uma ajuda inestimável, pois ando sem como me virar em tempo
para dar conta deste problema de documentação.
Kátia
Kátia Maria Nunes Campos
Doutoranda em Demografia
Cedeplar Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional
Face, UFMG (http://www.cedeplar.ufmg.br)
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