Pró-Música lança DVD da Orquestra Barroca

Gravação foi feita durante Festival Internacional

de Música Colonial Brasileira e Música Antiga

 

O Centro Cultural Pró-Música lança, neste início de ano, o primeiro DVD da Orquestra Barroca do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Na caixa, virão dois discos: um DVD e um CD da orquestra, que traz no repertório obras de J.S. Bach, J.M. Leclair, A. Vivaldi, F. Durante, P. Antonio Avondano e F.J. Ferreira Coutinho. O programa escolhido pelo regente da Orquestra, Luís Otávio Santos, mantém a tradição dos quatro CDs anteriores, nos quais constam obras de compositores barrocos europeus e brasileiros do período colonial. A gravação inédita tem por objetivo dar ainda mais visibilidade à música antiga e colonial brasileira.

Vinte e oito músicos e solistas da Orquestra Barroca, vindos de várias partes do mundo, realizaram, em julho, a gravação do DVD e do CD, dando seqüência a um trabalho de estudo e divulgação da música iniciado há 15 anos pelo Festival e há cinco anos pela própria orquestra. Profissionais de São Paulo, Brasília e Juiz de Fora envolveram-se nas duas realizações. A gravação foi feita no Museu Mariano Procópio, primeiro de Minas e um dos principais do país em acervos artísticos, históricos e de ciências naturais.

Para a produção do DVD foram selecionados profissionais de várias partes do país. A direção geral é assinada por Lea van Steen (SP). Já a direção executiva é do vice-presidente do Pró-Música, Júlio César Santos. Kahue Rozzi, da Pimenta Produções (SP), fez o making of e a edição do material. A captação de som de CD e DVD ficou por conta de Rafael Santoro, de Brasília. O registro das imagens foi executado pela equipe de Papaulo Martins, de Juiz de Fora.

DVD e CD foram gravados com alta qualidade técnica e serão distribuídos para canais de televisão, universidades, escolas de música do Brasil e do exterior e patrocinadores do Festival. Desta forma, a música antiga interpretada de acordo com critérios técnicos e estilísticos de sua época ganha cada vez mais projeção e pode ser apreciada por um maior número de pessoas. O produto também poderá ser encomendado no Centro Cultural Pró-Música, por meio do telefone: (32) 3215-3951. A gravação contou com o patrocínio de Prefeitura de Juiz de Fora, Tim, Petrobras, Belgo, Correios e Votorantim Metais.   

 

 

Festival tem trajetória premiada

 

O Centro Cultural Pró-Música – entidade com 33 anos de atividades ininterruptas – chegou ao final de 2004, ano da 15ª edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, com muitos motivos para comemorar. Um deles merece destaque especial: a conquista do Troféu Guarany no 9º Prêmio Carlos Gomes.

 

O 9º Prêmio Carlos Gomes, uma iniciativa de Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e Alice Carta Promoções, foi concedido ao Festival em reconhecimento ao conjunto da obra artística. O evento que, em 2004, teve, ainda, indicação do Ministério da Educação para receber o Prêmio Jorge Amado, vem merecendo reconhecimento nacional ao longo de sua trajetória. Foi incluído nas comemorações do bicentenário de Tiradentes (1992) e no calendário oficial dos 500 anos do Brasil por duas edições consecutivas (1999 e 2000).

 

O Festival foi contemplado, ainda, com o Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade, outorgado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura em 2000, e também recebeu a Comenda Cultural em 2002, através da Casa Civil da Presidência da República.

 

 

Músico brasileiro destaca-se mundialmente no trabalho

de resgate e divulgação da música antiga

 

O músico Luís Otávio Santos é hoje um nome respeitado mundialmente no que se refere ao trabalho de resgate e divulgação da música antiga. Executar os sons de séculos passados com instrumentos de época exige do músico, especialista em violino barroco, dedicação e pesquisa, o que vem sendo realizado há 13 anos na Europa. Participar anualmente do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, promovido pelo Centro Cultural Pró-Música, de Juiz de Fora, é uma das maneiras de o músico trazer este trabalho feito na Europa para público, crítica e pesquisadores brasileiros. O Festival é também uma oportunidade de trocar experiências com nomes conceituados desta arte.

 

A contribuição do violinista vai além dos 15 dias do evento, porque, à frente da Orquestra Barroca do Festival, vem registrando, há quatro anos, obras antigas de compositores estrangeiros e brasileiros de forma inédita, executadas da maneira original. No repertório da Orquestra, peças de J.S.Bach, G. H. Handel, G. P. Telemann, André da Silva Gomes e Lobo de Mesquita estão registradas em CDs, gravados com a mais alta qualidade técnica. Os instrumentos datam do século XVIII, como o violino barroco do regente, de 1750. No ano passado, a Orquestra Barroca gravou, pela primeira vez no Brasil, o Magnificat de Bach com a presença de três trompetistas barrocos europeus. O trabalho de Luís Otávio mereceu o elogio da crítica, logo depois de uma belíssima apresentação na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

 

O violinista, de 30 anos de idade, destacou-se na Europa desde a adolescência. Em 1990, ingressou no Conservatório Real de Haia, Holanda, estudando violino barroco com Sigiswald Kuijken e cravo com Jacques Ogg. Em 96, recebeu a graduação máxima da Instituição, o “Solist Diploma”, depois de atuar como spalla da Orquestra Barroca do Conservatório por três anos. Desde 92, é um dos principais membros e solistas da La Petite Bande, uma das mais conceituadas orquestras barrocas no panorama mundial, e integra outros grupos, como Ricercar Consort, Le Concert Français e De Nederlandse Bachverening. Atuou sob direção de importantes artistas, como Sigiswald Kuijken, Phillipe Pierlot, Gustav Leonhardt e Pierre Hantai, o que resultou na gravação de dezenas de CDs, programas para rádio e TV e turnês pelo Brasil, Argentina, Estados Unidos, China, Japão e países da Europa.

 

A história de Luís Otávio com a música começou aos 6 anos de idade, no piano, em Juiz de Fora, onde nasceu. Aos 8, ele iniciava os primeiros estudos de violino, sob orientação de Paulo Bosísio e Bernardo Bessler. Desenvolveu intensa atividade como integrante da Orquestra de Câmara Pró-Música, sob direção de Nelson Nilo Hack. Foi o responsável pela criação da Orquestra Jovem Pró-Música, atuando como professor de violino para crianças, através do Método Suzuki. Integrando o Conjunto Pro Musica Antiqua, dedicou-se aos instrumentos de época, em especial ao violino barroco. Fundou o Solistas de Câmara, com o qual realizou vários concertos e gravações para a televisão..

 

Em 1993, realizou uma turnê brasileira com o grupo Colegium Musicum Nederlandensis, interpretando As Quatro Estações, de Vivaldi, com aclamada gravação para a TVE. Em 2000, gravou a integral das sonatas de J.S. Bach para o selo holandês “Brillant”. Foi professor da “Scuola di Musica di Fiesole”, Itália, de 1997 a 2001. É convidado a lecionar violino barroco em diversos festivais, como o “Stage de Musique Barroque de Barbastre”, na França, o Festival de Música de Brasília e a Oficina de Música de Curitiba. Desde 1998, é professor de violino barroco no Conservatório Real de Bruxelas, na Bélgica.

 

Mais informações no site do Pró-Música www.promusica.org.br

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