Festival tem trajetória premiada
O
Centro Cultural Pró-Música – entidade
com 33 anos de atividades ininterruptas
– chegou ao final de 2004, ano da 15ª
edição do Festival Internacional de
Música Colonial Brasileira e Música
Antiga, com muitos motivos para
comemorar. Um deles merece destaque
especial: a conquista do Troféu Guarany
no 9º Prêmio Carlos Gomes.
O 9º
Prêmio Carlos Gomes, uma iniciativa de
Secretaria de Cultura do Estado de São
Paulo e Alice Carta Promoções, foi
concedido ao Festival em reconhecimento
ao conjunto da obra artística.
O evento que, em 2004, teve, ainda,
indicação do Ministério da Educação para
receber o Prêmio Jorge Amado, vem
merecendo reconhecimento nacional ao
longo de sua trajetória. Foi incluído
nas comemorações do bicentenário de
Tiradentes (1992) e no calendário
oficial dos 500 anos do Brasil por duas
edições consecutivas (1999 e 2000).
O
Festival foi contemplado, ainda, com o
Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade,
outorgado pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan),
do Ministério da Cultura em 2000, e
também recebeu a Comenda Cultural em
2002, através da Casa Civil da
Presidência da República.
Músico brasileiro destaca-se
mundialmente no trabalho
de resgate
e divulgação da música antiga
O
músico Luís Otávio Santos é hoje um nome
respeitado mundialmente no que se refere
ao trabalho de resgate e divulgação da
música antiga. Executar os sons de
séculos passados com instrumentos de
época exige do músico, especialista em
violino barroco, dedicação e pesquisa, o
que vem sendo realizado há 13 anos na
Europa. Participar anualmente do
Festival Internacional de Música
Colonial Brasileira e Música Antiga,
promovido pelo Centro Cultural
Pró-Música, de Juiz de Fora, é uma das
maneiras de o músico trazer este
trabalho feito na Europa para público,
crítica e pesquisadores brasileiros. O
Festival é também uma oportunidade de
trocar experiências com nomes
conceituados desta arte.
A
contribuição do violinista vai além dos
15 dias do evento, porque, à frente da
Orquestra Barroca do Festival, vem
registrando, há quatro anos, obras
antigas de compositores estrangeiros e
brasileiros de forma inédita, executadas
da maneira original. No repertório da
Orquestra, peças de J.S.Bach, G. H.
Handel, G. P. Telemann, André da Silva
Gomes e Lobo de Mesquita estão
registradas em CDs, gravados com a mais
alta qualidade técnica. Os instrumentos
datam do século XVIII, como o violino
barroco do regente, de 1750. No ano
passado, a Orquestra Barroca gravou,
pela primeira vez no Brasil, o
Magnificat de Bach com a presença de
três trompetistas barrocos europeus. O
trabalho de Luís Otávio mereceu o elogio
da crítica, logo depois de uma belíssima
apresentação na Sala Cecília Meireles,
no Rio de Janeiro.
O
violinista, de 30 anos de idade,
destacou-se na Europa desde a
adolescência. Em 1990, ingressou no
Conservatório Real de Haia, Holanda,
estudando violino barroco com Sigiswald
Kuijken e cravo com Jacques Ogg. Em 96,
recebeu a graduação máxima da
Instituição, o “Solist Diploma”, depois
de atuar como spalla da Orquestra
Barroca do Conservatório por três anos.
Desde 92, é um dos principais membros e
solistas da La Petite Bande, uma das
mais conceituadas orquestras barrocas no
panorama mundial, e integra outros
grupos, como Ricercar Consort, Le
Concert Français e De Nederlandse
Bachverening. Atuou sob direção de
importantes artistas, como Sigiswald
Kuijken, Phillipe Pierlot, Gustav
Leonhardt e Pierre Hantai, o que
resultou na gravação de dezenas de CDs,
programas para rádio e TV e turnês pelo
Brasil, Argentina, Estados Unidos,
China, Japão e países da Europa.
A
história de Luís Otávio com a música
começou aos 6 anos de idade, no piano,
em Juiz de Fora, onde nasceu. Aos 8, ele
iniciava os primeiros estudos de
violino, sob orientação de Paulo Bosísio
e Bernardo Bessler. Desenvolveu intensa
atividade como integrante da Orquestra
de Câmara Pró-Música, sob direção de
Nelson Nilo Hack. Foi o responsável pela
criação da Orquestra Jovem Pró-Música,
atuando como professor de violino para
crianças, através do Método Suzuki.
Integrando o Conjunto Pro Musica
Antiqua, dedicou-se aos instrumentos de
época, em especial ao violino barroco.
Fundou o Solistas de Câmara, com o qual
realizou vários concertos e gravações
para a televisão..
Em
1993, realizou uma turnê brasileira com
o grupo Colegium Musicum Nederlandensis,
interpretando As Quatro Estações,
de Vivaldi, com aclamada gravação para a
TVE. Em 2000, gravou a integral das
sonatas de J.S. Bach para o selo
holandês “Brillant”. Foi professor da
“Scuola di Musica di Fiesole”, Itália,
de 1997 a 2001. É convidado a lecionar
violino barroco em diversos festivais,
como o “Stage de Musique Barroque de
Barbastre”, na França, o Festival de
Música de Brasília e a Oficina de Música
de Curitiba. Desde 1998, é professor de
violino barroco no Conservatório Real de
Bruxelas, na Bélgica.
Mais informações no site do Pró-Música
www.promusica.org.br