PONTO DE VISTA DO BATISTA

Fruta bichada

Para quem se amarra em pesquisa e leva em consideração seus resultados, a encomendada pela Associação dos Magistrados Brasileiros apontou dados que merecem profunda reflexão, especialmente no momento em que se preparam convenções partidárias nas quais se escolherão candidatos a prefeito e a vereador nas eleições, outubro próximo, em todo o país. Não revelou nenhuma novidade para grande parte do público, que acompanha a marcha política e observa o comportamento dos seus militantes, apenas confirmando o que já se sabia e é denunciado, sucessivamente, a cada momento dos mais vergonhosos de nossa história política.

O chamado "barômetro de confiança" da AMB aponta os partidos políticos como instituições com menos crédito entre os brasileiros: simplesmente 72% não confiam nos partidos políticos. Depois das agremiações políticas vêm a Câmara dos Deputados e Câmara de Vereadores com índice de desconfiança na marca dos 68%. São números que assustam e dão o que pensar, pois é dessas instituições que depende a política da boa administração pública. Elas não merecem a confiança do povo e ao eleitorado é debitada a culpa pelo estado de coisas, pois é de sua responsabilidade a escolha de seus representantes e governantes. Em parte a culpa é do eleitorado, porque aceita e se sujeita a votar de acordo com o sistema controlado pelas minorias partidárias. O sistema em vigor é um arremedo de democracia, pois tudo é controlado por poucas pessoas à frente dos partidos, nos níveis municipal, estadual e federal. Os partidos políticos são inconfiáveis justamente por isso. Ao eleitorado nada cabe senão escolher o "menos ruim" no "prato feito" apresentado pelos partidos, mas sofre as conseqüências, incluindo-se a culpa por ter votado neste ou naquele candidato, caído em desgraça por corrupção ou incompetência.

E o malfadado sistema tem a colaboração da sociedade organizada, que leva o eleitorado ao voto dirigido por meio de adesões declaradas de grupos, com ou sem personalidade jurídica. O "direito" compulsório de votar é dado exclusivamente ao cidadão, que teria a liberdade de escolha, mesmo diante do "prato feito", se não fosse a pressão exercida por grupos aos quais não cabe nenhum direito de eleger qualquer candidato. Igreja não vota, sindicato não vota, clube de futebol não vota, empresa não vota, escola não vota, banda de música não vota. Enfim, CNPJ não tem nenhum valor diante da urna! O que manda é o TE – Título Eleitoral concedido ao cidadão, para que ele cumpra sua obrigação. Mas o Título Eleitoral tem sido conspurcado e prostituído por políticos e eleitores, de acordo com interesses de parte a parte, sem esquecer o "barato" cobrado pelos partidos.

O sistema político-partidário está podre como fruta bichada e só não cai porque é irmão siamês do poder. O sistema partidário e o poder, políticos, são interdependentes, ou melhor, um não vive sem o outro; e essa relação prevalece acima de tudo e de todos, razão pela qual a vontade do povo não conta, a não ser como objeto de manipulação de acordo com as circunstâncias. Quem acredita que o país pode melhorar politicamente, mantendo o status quo, acredita também em papai-noel! Só poderá mudar e melhorar quando não mais houver partido político e a democracia for exercida em sua pureza, diretamente, pela sociedade organizada, detendo esta o poder de escolher candidatos, eleger, e cassar o que se revelar omisso, inepto, desonesto ou corrupto. E para apressar a chegada desse momento, o eleitor pode desde já refugar o atual sistema, optando pelo VOTO ZERO.

Partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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