LIÇÕES DA NATUREZA

À primeira vista, as cenas aqui registradas não passam de flagrantes da vida de uma gatinha no cuidado com seus filhotes: amamenta e tira uma soneca com eles depois de bem alimentados. Entretanto, não é uma gata e, sim, um gato. Os filhotes, que têm apenas dois meses, perderam a mãe há poucos dias, atacada por um cão. O gato, que vinha sofrendo pelo desaparecimento de um seu irmão da mesma ninhada, afeiçoou-se aos filhotes e lhes dispensa o mesmo carinho de uma gata-mãe. Todos os filhotes já foram vistos a "mamar no gato-mãe". E o mais interessante é que existem mais duas gatas na mesma casa. Numa dessas madrugadas os gatinhos foram surpreendidos por uma forte chuva em seu ninho junto ao roda-pé da casa. O gato deixou seu abrigo e foi ficar com os filhotes, cuidando de secar e os aquecer.

   

                      

O pássaro construtor

Quem não conhece, pelo menos, já ouviu falar do joão-de-barro, o pássaro cujo ninho se abriga em casa construída por ele próprio. A casinha é feita de barro; daí o nome joão-de-barro. Repare que, nas fotos acima, são duas as casas: um em cada lado do portão. Parece até que a ave tem noção de equilíbrio.  E neste caso específico, não se importa nem um pouco com o movimento de pessoas. Dizem os entendidos que ela é sempre construída com  a abertura contrária às correntes de vento. Não sei se isso é verdade. Entretanto, um cuidado ele tem. Não se chega ao ninho diretamente, pois a entrada tem formato espiral. O ninho fica atrás da parede em curva. Outra lenda envolve a vida amorosa do bichinho. Muita gente conta e outro tanto acredita que o joão-de-barro fêmea é morto pelo parceiro, quando este se descobre vítima de traição. Segundo a lenda, o macho empareda a fêmea, que acaba morrendo de fome. Está claro que é praticamente impossível tal fato acontecer. O joão-de-barro, ao contrário dos demais pássaros que andam aos pulinhos, troca os passos como os pombos. De cabeça erguida, é bem elegante ao passear no chão à procura do material para fazer a casa e o ninho. Outra peculiaridade é quanto ao canto. É a única espécie que conheço, cujo canto é feito em dueto pelo casal.

Repare que as casas foram construídas bem nas extremidades do muro a ladear o portão

PAINEIRA   ATREVIDA

Na luta pela sobrevivência cada um se vira como pode. No reino vegetal também deve vigorar o lema, pelo menos para a paineira. As fotos abaixo mostram como uma paineira  nasceu e se desenvolveu sobre laje de concreto de construção paralisada. Repare que o tronco formou uma curva logo no início. A laje era provida de cobertura de telhas de amianto. A semente germinou sobre a laje e procurou a luz do sol por uma fresta nas telhas. Encontrada a luz, por esta se orientou e rompeu o telhado. E ela se alimenta exclusivamente de matéria decomposta oriunda de folhas de outras árvores caídas sobre a laje.

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