PONTO DE VISTA DO BATISTA

Governo brinca de combater criminalidade

Cinco anos depois da tragédia do ônibus 174, na qual tombou a jovem Geisa, vítima de operação mal conduzida pela polícia na tentativa de libertá-la das mãos do bandido, que a mantivera refém durante várias horas, a relação "segurança pública X violência" continua desequilibrada e a favor da criminalidade, porque o governo não conduz as soluções requeridas na velocidade e nível desejáveis. Era doze de junho de 2000, dia dos namorados, quando a morte de Geisa, diante das câmeras de televisão em transmissão direta para todo o país, se tornou símbolo trágico de uma sociedade, há muito vítima de crescente violência. Foi preciso que uma vida saudável se tornasse cadáver na casa de cada brasileiro para que o governo saísse da modorra e decidisse que aquele estado de coisas chegara ao fim.

O sacrifício da jovem professora de artesanato teria sido a gota d´água, pois o governo anunciou, logo naqueles dias, em meio a muito blá-blá-blá, um plano nacional de combate à violência, que todos imaginaram como princípio do fim da escalada do medo vivido pela sociedade. Passado o impacto do choque nacional, com exceção de uma outra iniciativa isolada como a criação da Guarda Nacional, tudo caiu na rotina. A reação do governo foi como súbito urro do motor de carro enguiçado, seguido do "cof-cof-cof" que denuncia volta à paralisia total. E o que era suspeita, com base na ausência de medidas de impacto no efetivo combate ao crime e à violência, confirma-se agora com a revelação de que o orçamento da segurança pública não tem sido executado em sua plenitude.

Dos noventa e cinco por cento executados nos dois últimos anos do governo tucano caiu para setenta e um por cento no governo petista, o que corresponde a trezentos e quatorze milhões de reais, em 2001, para duzentos e sete milhões de reais em 2004. E os quatrocentos milhões de reais, previstos como investimento no ano em curso, caíram para apenas cento e sessenta e nove milhões de reais. Resumidamente, esta é a principal conclusão da auditoria operacional realizada pelo Tribunal de Contas da União-TCU no programa Sistema Único de Segurança Pública. A carência na área da segurança pública é tão grande que em muitas delegacias, servidores chegam a levar equipamentos de informática, de casa para delegacias, pois estas ainda se situam na era da máquina de escrever.

Todos vêem e sentem que a criminalidade avança assustadoramente, mas o governo em marcha ré se encosta na parede, deixando a sociedade à mercê do crime e da violência. Anuncia-se que o índice de criminalidade caiu em São Paulo, mas, sabe-se também que se eleva o índice de ocorrências não registradas, seja por falta de confiança nos órgãos de segurança ou por medo dos criminosos. Além disso, autoridades da área tendem a aceitar teoria, segundo a qual, a divulgação de ocorrências criminosas estimula a prática de mais crimes, sem falar que números, presumidamente manipulados para baixo, viriam "comprovar" a eficácia da campanha do desarmamento.

E ao falar do desarmamento, lembro que até o momento ninguém informou e também ninguém teve a curiosidade de perguntar pelo estado das armas entregues. Pelo que sei, não se teve nem o cuidado de analisar as condições de uso dessas armas, procedimento que detectaria se estão mesmo deixando o campo das probabilidades da violência. Assim sendo, é possível que os parcos recursos destinados à segurança estejam sendo empregados na indenização por armas emperradas, enferrujadas, com canos entupidos por teia de aranha. Enquanto isso, armas modernas nas mãos dos bandidos continuam a cuspir balas na população pacífica.

Hay gobierno?

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