PONTO DE VISTA DO BATISTA
Governar é aumentar impostos
Nem tanto quanto antes do
real, quando os calendários se inauguravam com explosão de preços no
mesmo nível dos rojões do réveillon, o ano de 2002 já está
aí com várias contas salgadas, prontas para serem o começo de mais
uma corrida entre o salário frouxo, esquelético, e custo de vida
(nossos avós o chamavam carestia) robusto, alimentado por uma bateria
de impostos, taxas, tarifas e um sem número de obrigações que os
governos sempre consideram insuficientes. O momento propício para o
ataque com criação de novos impostos é sempre no final do ano, por
ocasião dos primeiros apelos ao consumo dentro chamado e mal definido
"espírito natalino". Cobra-se do setor privado a contenção
dos preços a qualquer custo, mas os governos se consideram desobrigados
de dar o bom exemplo. Só nas tarifas postais, os reajustes feitos em
2001chegaram a duzentos por cento. O maior aumento foi justamente na
circulação de livros, jornais e material impresso em geral. Até
parece que há um boicote oficial contra a circulação de livros e
jornais. Razão para isso há. Povo com menos informação é mais
manipulável.
O político do palanque,
contundente nas críticas à situação estabelecida, receptáculo dos
clamores do povo e com este se dizendo solidário, desaparece por
completo. A justiça defendida durante a campanha dá lugar a mais
imposições, geralmente com mais peso sobre os ombros dos menos
favorecidos. Ao desemprego crescente e baixos salários dos
trabalhadores ele responde com a autoconcessão de altas remunerações,
sem prestar os serviços que dele se espera. E se seus parentes estão
garantidos nas tetas do governo, o resto que se dane. Aos que lhe cobram
coerência com o pensamento antes veiculado em livros bem vendidos,
conferências bem remuneradas, o cinismo recomenda que esqueçam tudo,
pois os conceitos agora já são outros e não há lugar para
choramingas e sentimentalismos. E tomem impostos! Mas, há que garantir
o futuro cuja porta está nas urnas. A plebe não oferece tanto perigo
de fechá-la, pois lhe basta a teatralização e miçangas nas
campanhas, para que se esqueçam as mazelas. Falta o pão, mas, sobra o
circo! E este se arma bem antes com a luta de titãs. Se verdadeiras ou
simuladas, não importa, porque o público se deleita de qualquer forma,
sem saber que o outro lado deleita-se muito mais com a sua função de
palhaço. Para outra parte, tão oportunista como os de dentro do
balcão, há a generosidade da anistia fiscal depois de sugado tudo o
que havia de sugar dos que cumprem religiosamente seus compromissos de
cidadãos. E aí está a explicação para tão pesada carga tributária
neste país. Os verdadeiros cidadãos têm de pagar pelos omissos e
sonegadores que, naturalmente, engrossam o colégio eleitoral dos que
têm a faca e o queijo na mão. É o princípio solidário também no
reino da patifaria: u’a mão lava a outra e as duas lavam os focinhos
dos calhordas! E por falar em mãos, uma delas, do governo, acaricia
motorizados com redução, embora ridícula, no preço do combustível,
e, a outra esmurra as donas de casa com brutal aumento no preço do gás
de cozinha. Deve ser a tal distribuição de renda, ao contrário, é
claro! Tira-se da mesa para aumentar a poluição do ar e congestionar
as ruas ainda mais. Do álcool-motor, galinha dos ovos de ouro em termos
da macroeconomia nacional, não mais se fala, depois de tanto esforço
para o desenvolvimento de tecnologia própria, instalação de usinas e
preparo do mercado para os veículos concebidos para queimar o
combustível verde.
Mas, pudera, a qualificada
"penosa" ficou entregue aos cuidados da gulosa raposa!
nbatista@uai.com.br