PONTO DE VISTA DO BATISTA

Governo sob máscara

Custou-me aguardar o recesso do jornal na segunda quinzena de julho, para poder extravasar a indignação, não só minha porém de grande parte da população, pelo menos daquela que tem vergonha na cara, com relação ao fato "político" mais comentado nos últimos dias. Diante do encontro e abraço (só faltou beijo na boca, à moda russa) entre o presidente da República e o governador mineiro, depois de quatro anos de troca de insultos, tropelias, birras, pirraças e desperdício do dinheiro público em nome de uma briga pessoal, quem tem brios viu que, definitivamente, este não é o tipo de política que queremos para a gerência da coisa pública.

Minas parou no tempo, porque um eventual ex-presidente da República escolheu o governo deste estado como consolação pela perda de oportunidade de voltar ao Planalto em 98 e, ao mesmo tempo, trampolim para outra investida no mesmo propósito em 2002. Ferido em sua vaidade, mandou escrúpulos às favas para se aliar ao ex-prefeito contador de abóboras, que antes o derrotara para o governo mineiro. Sem partido, porque os usa somente em épocas eleitorais, o governador sustentou uma briga durante quatro anos com o seu sucessor e ex-ministro, valendo para isso até movimentação de tropas e fortificação do Palácio da Liberdade como se estivéssemos em estado de guerra. Como dois moleques (não sob o significado paulista, mas, do interior mineiro), presidente e governador digladiaram aos olhos atônitos dos cidadãos que os elegeu, na esperança de que governassem, cada qual na sua esfera, tendo como propósito o bem comum de toda a população. Chega-se a lamentar o tão alto grau de honestidade do governador, porque sua "turrice" e política personalista ficam no mesmo nível! O que se questiona no comportamento das duas figuras públicas não é o reatamento da relação pessoal, porque o normal é o equilíbrio nas relações humanas, mesmo sob a divergência de opiniões. O momento do reatamento, ou encenação, é que fez a diferença. Por que não há um ano, ou dois? Por que justamente no início oficial da campanha eleitoral? Em sentido inverso, alterou-se também a relação com o vice-governador com o qual até uma espécie de rodízio no governo fora combinado na campanha anterior.

Fatos como esses desacreditam políticos e afastam da política lideranças sérias, receosas de serem confundidas com o padrão dominante na vida pública. Ao mesmo tempo, fazem-nos crer que os governos, na verdade, são invisíveis, não são o que se nos mostram nos atos palacianos, nos formalismos em defesa dos princípios democráticos nos parlamentos e nos discursos para a imprensa. Tudo que se vê é apenas fachada, uma encenação, porque os verdadeiros atos de governo são traçados longe dos holofotes da imprensa e do burburinho popular. Encontros políticos furtivos, debates nas rodas de salão ao embalo de whisky importado, noitadas nas tabernas e correlatas do mundo noturno rendem muito mais ações de governo. É também nesses locais e momentos que se decide quem vai levar o que nas licitações; quem vai ocupar tais ou quais cargos e quem deverá subir no telhado ou ser levado à frigideira, para que aqueles tenham seu espaço preparado, tudo de acordo com o toma lá dá cá, tanto dentro do balcão quanto na relação entre os de dentro e os de fora do balcão.

Vale mais uma troca de brindes nos jantares elegantes e de confidências nas tabernas da moda que o mais sério documento, selado e de fé pública. Aliás, se fecham salões e as tabernas da moda, os governos ficam ociosos.

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                                            PRÓXIMO

 
 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco