|
PONTO
DE VISTA DO BATISTA
História
sonegada
De
repente, temos a impressão que o desmazelo em relação à História
desaparece e surge em seu lugar um frenesi pela pesquisa; muita
a gente a indagar por que tal fato aconteceu, onde, como, quem o
desencadeou. Estudantes de todos os níveis saem a campo em
busca de informações que os ajudem na feitura de trabalhos
cobrados por seus professores. São como abelhas, de flor em
flor a colher néctar e pólen com os quais produzirão mel e
cera na colméia. Louvável a nova tendência no ensino da História,
que soma às fontes oficiais informações colhidas o mais próximo
possível dos agentes dos acontecimentos pesquisados. Versões
até então desconsideradas podem ser estudadas, pondo abaixo a
hegemonia da versão oficial. E se a pesquisa
há algum tempo se disseminou da escola para as
comunidades, mais força ela ganhou com o surgimento da
internet, esse formidável instrumento de informação que a
tecnologia nos oferece.
Diante
da primeira dificuldade exposta pelo aluno quanto à obtenção
do que lhe cobram, o professor indica a internet como o meio da
solução. Nem sempre ele próprio conectado, sai o estudante em
busca de quem lhe abra a janela para a rede. Só que nem sempre
se conseguem respostas às perguntas formuladas. Vem então a
frustração e o desespero do estudante, que assim pode não
conseguir os pontos de que necessita para uma avaliação
positiva do seu aproveitamento escolar. A web talvez já seja a
maior fonte de informações, a mais democrática, mas mesmo
assim ainda não é tudo que nela se encontra. Embora as páginas
na rede cheguem a milhões, isso ainda é uma gota do
conhecimento acumulado ao longo de toda a história humana. Se o
assunto não foi colocado à disposição por alguém, ele não
será encontrado, assim como não é encontrado um livro ainda não
escrito e disponibilizado na biblioteca. A internet é
relativamente nova e somente com o tempo muitos assuntos serão
adicionados. Outras
vezes há tantas informações sobre um tema que se torna difícil
obter algum dado específico, a menos que o internauta tenha
disponibilidade de tempo e dinheiro para consultar até milhares
de “sites“. Portanto, nem sempre a internet resolve o
problema do estudante que corre atrás de informações. E
disso, todos devem estar conscientes.
Mas
existe também o outro lado da situação. O assunto está lá
com todos os dados pesquisados, porém indisponível para gravação
e impressão. Tudo bem, quando se trata de criação como obras
literárias ou artísticas, fotografias, etc,
pois há que se preservar os direitos autorais. Afinal,
quem produz tem direito a remuneração. Em se tratando de
informações históricas, o direito pertence ao público e
nenhuma fonte pode sonegá-las
quando solicitadas. Seu bloqueio constitui agressão à
cidadania. E é isso que se constata com relação a páginas
disponibilizadas na rede. Naturalmente que uma página pode ser
resultante de pesquisas exaustivas e o autor quer valorizar seu
trabalho, o que é seu direito também. Quanto a isso não se
discute. Que se disponibilize então a informação sob a forma
impressa, que pode ser vendida no mercado de livros, e mesmo na
internet mediante pagamento prévio, pois para isso há
recursos. O que não deveria ser permitido é o autor exibir a
informação e não permitir que ela seja utilizada, uma vez
que, nesses casos, a autoria se restringe ao trabalho, meios e
recursos empregados na elaboração e divulgação da página,
porque dono da História ninguém é.
Se
não pode ou não quer liberar a informação, melhor trancá-la
na gaveta. É mais útil.
nbatista@uai.com.br
TEXTOS
PRÓXIMO |