O homem, às vezes, criador
A inventividade humana não
tem limites e, dentro desse espaço, expande-se até o nível da
capacidade de cada indivíduo ou grupo voltado à criação. E é
interessante observar que, embora se considere o homem ser cada vez
mais individualista, no campo da criação o individualismo vai
ficando para trás desde a "descoberta" da força do trabalho em
equipe. Assim, a tendência é pela saída de cena de grandes
inventores, bastante evidentes até meados do século passado,
rareando-se a partir de então. Note-se que, em compensação, o
progresso tecnológico alargou e acelerou os passos, alcançando em
cinco o antes obtido em cinquenta anos.
A meu ver, essa disparada
teve início no fim do ano de 1957 com o lançamento, pela antiga
URSS, do Sputnik, primeiro satélite artificial. Iniciou-se então a
corrida espacial, já prevista, considerando-se os estudos que União
Soviética e Estados Unidos faziam e a ambição que os movia em
direção à pretendida hegemonia no espaço sideral.
As conquistas se fizeram
em alguns anos de estudos e trabalho, sem esquecer fracassos e
também a oposição do grande público, que não via (como sempre)
validade no dispêndio de grandes somas em "especulações
científicas", enquanto muitos problemas continuavam sem solução no
mundo. É verdade que problemas continuam, mas grande melhora se
processou na qualidade de vida. Praticamente em todos os setores de
atividade humana, desde o vestuário até os mais intricados
equipamentos usados na medicina, passando pelo processamento e
conservação de alimentos, se veem aplicações de descobertas
efetuadas nos programas espaciais. É o homem comum a se beneficiar
diretamente do grande esforço em equipe, nos laboratórios
tecnológicos.
Na área da comunicação, a
telefonia móvel (celular) e a fotografia digital nivelam adultos e
crianças ante as novidades, que não param de surgir, promovendo
reações de empolgação surpreendentes. O indivíduo se libertou da
intermediação e das limitações geográficas para fazer contato,
passando também a gravar e transmitir som e imagem, no momento em
que quer. E a disseminação do uso da câmera fotográfica/vídeo
digital promoveu revolução à parte, facilitando a comprovação de
fatos, antes dificilmente feita por outros métodos. Para
infelicidade de marginais e bandidos, que nunca ficaram tão expostos
durante suas ações deletérias, as investigações policiais ganharam
grandes aliados com o surgimento desses instrumentos. A todo o
momento se veem criminosos a cair nas mãos da polícia, graças às
imagens gravadas por circuito de microcâmeras ou por amador com
pequena máquina ou mesmo telefone celular. E que tomem jeito os "Don
Juans" - valendo também para a versão feminina - no assalto a
domínios alheios no sentido amoroso. Há olhos abelhudos por todos os
lados!
Fico a imaginar se alguns
desses recursos hoje disponíveis já houvesse no passado. A
humanidade seria mais pobre no reino da fantasia, pois, mistérios,
assombrações e fantasmas teriam sido explicados, antes que virassem
lendas ou fatos "verídicos", conforme o grau de entendimento de cada
um. Melhor ter sido assim, porque o homem, por muito que tenha os
pés no chão, vive grande parte no mundo imaginário. E é graças a
esse poder de se desgarrar do racional que ele traz para a realidade
a ajuda de que necessita, no dia a dia, e na realização de grandes
feitos.
E assim, em nível
individual e coletivo, avança a humanidade na realização de seus
sonhos de conquista. Contudo, ainda considero mais proveitosa, para
a civilização, a invenção do vaso sanitário. Pena é que por ele não
seja descartada também a mediocridade, que faz o nosso inferno
quotidiano!