- Você, na infância, levou
palmadas dos pais?
– Sim, muitas e por muitas
vezes!
– Sente-se, por isso,
traumatizado, recalcado, revoltado contra seus pais?
- Nem um pouco e agradeço
aos meus pais, mais à minha mãe, pelos corretivos que recebi.
Diálogos como este não são
raros e quem responde às perguntas o faz com convicção, demonstrando
equilíbrio, maturidade e reconhecimento pela educação recebida no
lar; bem ao contrário das meras suposições explicitadas pelo
presidente da República ao propor a proibição da palmada
paterno/materna, em Projeto de Lei enviado ao Legislativo.
Acendem-se discussões em
torno do assunto, mesmo antes que políticos façam as suas na Câmara.
O primeiro questionamento é com relação à competência governamental
de se imiscuir em assuntos internos de família, pois cabe a esta
escolher métodos de educação de seus filhos. Não se trata de
proibição de espancamento ou violência, que cause sofrimentos
físicos aos filhos, pois isso já está na lei comum e no Estatuto da
Criança e do Adolescente-ECA. O que se pretende proibir são
corretivos, compensações por desobediência, "infrações e delitos
domésticos", coisas da alçada interna da família, onde ninguém deve
meter o bedelho, muito menos o governo. Isso cheira a autoritarismo!
Melhor seria que não
houvesse necessidade, mas, havendo – e muitas vezes há – palmadas
não devem ser economizadas, pois melhor é a repressão paterna por
indisciplina na infância, do que espancamento policial e cadeia, por
crimes na fase adulta. E quem deve saber se há ou não necessidade da
palmada são os pais e não o governo! São os pais que conhecem a
personalidade de seus filhos, em função da qual reagirão diante de
transgressões cometidas. Há rebentos dóceis aos quais basta o olhar
do pai ou da mãe, para que entendam haver necessidade de correção de
rumo em seus procedimentos, mas há os agitados, rebeldes,
transgressores por natureza e verdadeiros tiranetes.
Não houvesse a sociedade
afrouxado as rédeas na educação, ao adotar o princípio do laissez
faire (deixai fazer), ou seja, a liberalidade no trato com
crianças e jovens, cuidando de deixá-los livres nas ações e tomadas
de decisão, a sociedade não teria chegado ao ponto em que chegou com
transgressões de todos os tipos a embotar o relacionamento humano,
desrespeito a tudo que se coloca como baliza da boa educação,
incluindo-se aí a escola e professores, alvos de agressão de
adolescentes desajustados. Por culpa desse tipo de educação,
crianças recém-saídas dos cueiros exercem verdadeira tirania sobre
seus pais, também assim educados, não aceitando limites e exigindo o
que lhes dá na telha. A palmada é para lembrar, ao fedelho
renitente, que tudo tem limites e que sua vontade não ocupa o mesmo
espaço ocupado pela vontade dos adultos.
Aos que condenam as
palmadas como agressão aos direitos da criança, além de humilhantes
e causadoras de traumas, é bom lembrar que nada existe sem
contrapartida, ou sem compensação. Nada é de graça! Na física,
observa-se que a cada ação corresponde uma reação. A própria
natureza não perdoa, quando provocada. Colocado sobre a chama da
vela, o dedo se queimará, não importa de quem, bebê ou adulto! No
convívio em sociedade, a cada ato do indivíduo em relação ao seu
semelhante corresponde outro da mesma polaridade, positivo ou
negativo. E isso precisa ser assimilado pela criança, na relação com
sua família. Em outra oportunidade já disse que proibir aos pais a
aplicação de corretivos nos filhos, na medida e momentos certos, é
impedir que estes últimos assimilem a compensação, uma das mais
importantes leis universais. Não é à toa que cresce o número de
corruptos, desajustados sociais, tiranetes, assim como a demanda por
mais repressão e vagas nos presídios. E a impunidade campeia entre
privilegiados!