Incoerência e demagogia de
mãos dadas
"Gigante pela própria
natureza", estabelecido em território de mais de oito milhões e
quinhentos mil quilômetros quadrados; detentor de imensas e ricas
reservas minerais; abrigo da maior floresta tropical do mundo, por
onde corre grande bacia hidrográfica; banhado ainda pelo Atlântico
em mais oito mil e quinhentos quilômetros de litoral; dono de
extensas áreas cultiváveis; favorecido por clima que não conhece
extremos e habitado por quase duzentos milhões de almas, a grandeza
do Brasil iria muito além do que representam esses números, se não
fosse por uma simples questão. Ao invés de se valer desses fatores,
somados à potencialidade humana e criatividade inerente ao povo,
prefere a condição de república de coitadinhos, ou grande bando de
pedintes sob o olhar da cobiça política dentro e fora dos governos,
pois é daquela situação de carência - mais de espírito cidadão do
que de matéria - que se alimentam os urubus sociais.
Daí o assistencialismo das
bolsas-miséria travestido de política social, engodo pelo qual paga
toda sociedade, e, dele se valem muito mais espertos do que
necessitados do amparo governamental. Não se é contra o amparo ao
incapaz permanente, ou o estabelecimento de políticas de apoio
eventual, assumindo o apoiado, em contrapartida, o compromisso de
buscar seus próprios meios de vida como cidadão integrado ao seu
meio e não dependente do estado. Este, sim, o tipo de apoio
intrafamiliar e entre amigos, recomendado pelos princípios cristãos
aos de boa vontade!
O que se quer é que cada
um tenha sua oportunidade; quem produz e oferece oportunidade
trabalho, que possa fazê-lo sob condições mais favoráveis, livre de
grilhões burocráticos e espoliação em forma de tributos; e quem vive
do trabalho, que se sinta digno ao receber o salário. Exemplo de
consciência cidadã foi dado, recentemente, por senhora simples
integrante de comunidade de pescadores na Bahia: recusou ajuda do
governo, dizendo que queria viver com o produto do próprio trabalho,
quando envenenamento de peixes paralisou a atividade pesqueira. Que
o estado arrecade o justo e devolva, na mesma proporção, em forma de
serviços à sociedade!
A cada concessão do
assistencialismo oficial rouba-se parte da força criativa da nação,
e se alimenta a corrupção latente na parte menos sã da sociedade.
Questiona-se, portanto, a validade da iniciativa que pretende
conceder, gratuitamente, fornecimento de energia elétrica a cerca de
dois milhões e meio de famílias em Minas Gerais. Outros meios
deveriam ser estudados, para permitir que tal parcela da população
usufrua do mínimo que a eletricidade proporciona, pois gratuidade,
na verdade, não existe. A conta será paga pelos demais consumidores.
Em iniciativa anterior e semelhante, a malandragem imperou, assim
como em todas as concessões sob a capa do social. Os espertalhões
devem estar de olho e políticos já contam os votos!
Questiona-se o projeto,
sobretudo porque os mesmos movimentos, sob as mesmas lideranças
políticas e religiosas, criam obstáculos à construção de
hidrelétricas, muitas vezes com inverdades. Soluções alternativas
para a produção de energia seriam bem-vindas, mas tais movimentos
não os têm ou não os oferecem. Conclui-se que são contra a produção
de mais energia.
Pergunta-se como se faz a
mágica da distribuição de energia não produzida. E, gratuita? É o
casamento – homossexual, diga-se de passagem – da incoerência com a
demagogia!