INCOERÊNCIA CULTURAL

Alcan prestigia caricatura e despreza a verdadeira banda de música

A bandalheira, destaque importante no carnaval

Para os que militam na área cultural é muito triste constatar a incoerência transparente em palavras e ações de certos setores da sociedade, especialmente de entidades que se valem da mídia para se mostrar como incentivadoras da cultura. Ouro Preto, todos sabem, é uma cidade onde se respira arte, de todos gêneros, com destaque para as artes plásticas. Mas, a música também sempre teve seu espaço, desde a constituição das irmandades e ordens religiosas, às quais foram vinculadas as várias orquestras surgidas para atender a demanda musical por parte do ritual católico. Com a perda do poder que tinham na estrutura da igreja local, as irmandades deixaram também de ser provedoras das orquestras, que passaram a ser contratadas pela própria Igreja. A essa altura, nova modalidade de grupo musical, que ganhou corpo a partir da Revolução Francesa, já se espalhava pelo Brasil.A primeira unidade chegou ao país trazido pela corte de D. João VI em 1808. Era a banda de música. Sentindo-se enfraquecidos com a perda de status das irmandades, os músicos de então passaram a se congregar em bandas. Assim surgiram as primeiras bandas de música no Brasil, especialmente nesta região, onde a arte musical vicejava sob a influência dos músicos mulatos. Ouro Preto e Mariana juntas tinham mais bandas que qualquer outra região do Brasil. Ouro Preto chegou a ter pelo menos uma banda de música em cada distrito, destacando-se Cachoeira do Campo onde resistem as mais antigas (Banda Euterpe Cachoeirense/fundada em 1856 e Sociedade Musical União Social/fundada em 1864). Em todo o município de Ouro Preto restam apenas cinco das bandas em pleno funcionamento e duas ou três em tentativa de revitalização. Toda essa riqueza cultural resiste por pura teimosia dos militantes da área, porque da parte oficial não existe uma política de estímulo à manutenção das bandas. A Constituição do Estado contempla as bandas de música especificamente no que toca à cultura. A Lei Orgânica do Município de Ouro Preto nem de longe menciona a existência delas. Ninguém se lembra do trabalho social desenvolvido por elas, como coadjuvantes na área da educação, incentivadoras do companheirismo e da solidariedade, do exercício da cidadania, do sentimento comunitário, antes que a música seja levada às ruas por seus integrantes. A Prefeitura Municipal de Ouro Preto não paga sequer pelos serviços prestados pelas bandas. Ao longo dos últimos  vários serviços prestados deixaram de ser pagos. O descaso oficial para com as bandas de música se alastra e, no setor privado, contamina empresas tidas e havidas como incentivadoras da cultura. Às vésperas do recente carnaval, a assessoria de imprensa da Alcan informou que a empresa repassou verba para blocos carnavalescos ouropretanos. Entre esses blocos está a "Bandalheira", uma caricatura até simpática das bandas de música; portanto nada contra o citado bloco, que tem o direito de buscar recursos onde quiser. O que nos causa indignação é a incoerência da Alcan, que não ajuda uma banda de música operante todo o ano com vários serviços prestados à comunidade, como dito anteriormente, e contempla entidades que funcionam exclusivamente no carnaval. No "release" distribuído à imprensa consta que a Bandalheira - grupo essencialmente 'musical' - necessita de constantes reparos nos instrumentos, além de comprar novos (sic). Com a verba da Alcan foi feita a manutenção dos 85 aparelhos da banda, além da aquisição de bocais, couro, nylon, tirantes, parafusos e novos instrumentos. A Alcan ajuda todos os anos. É a única empresa que nos patrocina, comenta Alcindo (presidente da Bandalheira). Quanto à importância da Bandalheira para o carnaval de Ouro Preto, o presidente é categórico: se a gente não sair, parece que faltou alguma coisa, concluiu. Concordamos com o Alcindo, oriundo de família de músicos de banda, quando ele diz que a "Bandalheira" já está incorporada ao carnaval de Ouro Preto, e algo neste falta quando ela não desfila. Entretanto, cabe aos seus patrocinadores o dever de reconhecer, primeiramente, o trabalho constante das verdadeiras bandas. Se elas não existissem, a Bandalheira também não existiria como tal.

A União Social mantém um curso gratuito de música, que garante a continuidade da obra iniciada em 1864.  

 

Para ver o "release" clique AQUI

Veja também a resposta dada pela ALCAN

 

Alcan inclui S.M. União Social em Programa de Doação e Patrocínio

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

                                      

 

 

 

 

 

 

 

                         

 

                   


Banda de música ensina e inspira, mas não é reconhecida

                     

Sociedade Musical Senhor Bom Jesus das Flores (Ouro Preto)

 

                                  

Sociedade Musical Senhor Bom Jesus de Matosinhos (Ouro Preto)

                                          

 

Sociedade Musical União Social (Cachoeira do Campo)

A S.M.União Social em 1914

...e em 1945

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