PONTO DE VISTA DO BATISTA

O inominado 

Desde que preso junto às forças da narco-guerrilha da Colômbia, está solta no ar a polêmica em torno de como e onde ficar recluso o chamado número um da bandidagem nacional; título este conquistado graças à audácia e capacidade de liderança criminosa, demonstradas em diversas ocasiões à sociedade aparlemada e amedrontada, por não contar com leis suficientemente duras e forças de segurança à altura do poder destrutivo do crime organizado. Considerado o que se dizia do tal indivíduo (recuso-me a declinar-lhe o nome ou alcunha, pois seria propaganda ou homenagem a ele), seria de se supor que a escalada do crime se arrefecesse com a sua prisão. Era tido e ainda o apontam como homem chave, uma espécie de "capo" ao estilo da máfia italiana dentro do crime organizado, que dá mostras de não ser tão tupiniquim como se pensa. Mas, não deve passar de destaque de luxo, onde as atenções se concentram enquanto o bloco do crime desfila e nos arruína.

O perfil vaidoso do referido bandido, bastante visível nas vezes em que se mostra diante da imprensa, presta-se bem ao papel que imagino desempenhar junto às verdadeiras cabeças da "megaquadrilha", nova organização do crime que deve ter se estruturado no Brasil, a partir do momento em que a mão do estado italiano se apertou em torno do pescoço da máfia siciliana. Ao contrário da tradicional, cujos "capos" eram mais ou menos conhecidos, a nova máfia é estruturada em dois planos: o visível, composto pelos conhecidos bandidos, presos ou em liberdade (dos quais o aqui inominado é o mais destacado) e o invisível, formado por indivíduos à margem de qualquer suspeita, cujos nomes podem aparecer na mídia como cidadãos honestos, quiçá, até benfeitores da humanidade. O "talzinho" disse à imprensa, há poucos dias, por intermédio de uma advogada, que ele está sendo usado como bode expiatório e que não é responsável por tantas ações que lhe são atribuídas. Em parte, ele deve dizer a verdade. Quando "fugiu" do Deoesp em Belo Horizonte, algum nome do lado invisível devia ser do seu conhecimento, daí o cuidado de mantê-lo livre e longe de ouvidos perigosos aos interesses do crime. Sua prisão e recambiamento da Colômbia para o Brasil deve ter servido novamente aos mesmos interesses, desta vez, ele totalmente ignorante quanto aos verdadeiros nomes de integrantes da malha invisível. Por isso, não foi morto até agora. Vivo e preso, o maldito traficante tem servido como despiste aos chefões desconhecidos pela sociedade, incluindo-se ele próprio; além de facilitar a administração do crime a partir dos presídios. A matança sistemática de policiais e agora de magistrados é outra parte do plano de domínio com atemorização do povo, enfraquecimento e conseqüente descrédito das instituições perante a sociedade. Comandadas diretamente dos presídios, essas ações têm mais chances de prosseguimento, uma vez que os mandantes visíveis estão sob custódia do Estado, e, contra eles este nada se pode fazer, senão mantê-los presos, teoricamente, até trinta anos.

Se o Estado não reagir energicamente, para compensar a inércia e omissão que geraram esta situação, o crime organizado dividirá este país. Pela reação das populações dominadas pelo narcotráfico à ação policial, na cidade do Rio, percebe-se o que ainda poderá acontecer. Para começar, que se trancafiem de fato os bandidos, sem qualquer contato físico ou à distância com terceiros, eliminem-se mordomias e privilégios , e sejam seus nomes afastados da mídia, em respeito aos que eles já arruinaram, conspurcaram e mataram. Que as leis penais sejam reformuladas, incluindo-se mais agilidade à Justiça, com o mesmo peso que a mão do crime cai sobre a sociedade!

nbatista@uai.com.br

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