PONTO DE VISTA DO BATISTA
Internet, céu e inferno no
mesmo espaço
Com doze anos de efetiva
existência, pois sua disponibilidade pública só se deu em 1995, a
internet, criada com fins militares e depois usada por setores
acadêmicos e científicos, é ferramenta indispensável em qualquer
ramo de atividade humana, embora o acesso ainda seja um luxo para a
grande maioria das pessoas. Para população mundial de seis bilhões e
meio de habitantes, há em torno de quatrocentos e cinqüenta milhões
de internautas (conectados à rede), número bastante irrisório, mas
cento e vinte milhões de "sites" disponíveis na rede é algo
surpreendente. Considerando-se a média de duzentos e cinqüenta
páginas por "site", calcula-se que haja atualmente, no ciberespaço,
cerca de trinta bilhões páginas recheadas de informações.
Descartando-se o inútil,
pois, assim como no garimpo, há muito rejeito, o que sobra contribui
para a democratização da informação, disseminação do conhecimento e
estreitamento das relações humanas. É biblioteca, prestadora de
serviços, centro de pesquisa/de informação/e de lazer, meio de
comunicação e mais o que se quiser, à medida que se expandem
possibilidades abertas pela tecnologia.
Encurtam-se tempo e
espaço, abrem-se novas perspectivas para melhoria da qualidade de
vida, ampliam-se horizontes na área do intercâmbio cultural. Ainda
assim, o internauta com discernimento sobre o que vê e recebe da
rede, depois de separado o joio, há que estar atento para não deixar
se levar pelas aparências e ilusão, que muitas páginas representam,
quando não verdadeiras armadilhas, das quais não se livra sem perdas
irreparáveis. Não se fala aqui de hackers, vírus e/ou espiões
virtuais, pois estes são declaradamente a parte marginal da
internet, contra os quais há prevenção e meios de combater, ainda
que nem sempre eficientes. Atrás de aparente inocência e de boas
intenções escondem-se riscos, por vezes maiores que aqueles. Muitas
páginas enganam, levam a erros e, sobretudo, envolvem o internauta
na trama da divulgação de mentiras, intrigas e idéias nefastas,
formando assim, como em toda realização humana, o lado perverso da
rede mundial de computadores.
O correio eletrônico,
maravilha das maravilhas na comunicação e troca de informações entre
indivíduos, em qualquer parte do mundo, pode ser a Caixa de Pandora,
se receptivo a tudo o internauta for. Além de mentiras e sugestões
traiçoeiras, muito comuns, mensagens de aparência religiosa e fundo
piegas constituem ameaça a mais para pessoas com algum grau de
desequilíbrio psicológico, altamente susceptíveis a influências
externas e/ou presas a superstições. Tais pessoas, vulneráveis a
ameaças próprias das antigas correntes, podem se prender à obsessão
de repassar as mensagens sob o temor de sofrer castigos que,
supostamente , outras já sofreram por não terem atendido ao
recomendado.
Se isso não bastasse, há
ainda a qualidade dos textos, uma sucessão de graves erros
gramaticais só desculpáveis ao cidadão estrangeiro com pouco
conhecimento da língua.
Coisas da internet, o
amplo e democrático espaço da comunicação!