PONTO DE VISTA DO BATISTA

Lama continua a rolar

Temas leves são sempre bem vindos a quem tem como ofício ajuntar letras, formar palavras e ajuntá-las em construção de frases, sentenças e orações, na transmissão compreensível de idéias e pensamentos. Em gesto de boa vontade até que se esforça para isso, mas em desfavor são os fatos largamente propalados por todos os meios disponíveis, de forma que ignorante a eles somente quem se isola do mundo. Ainda nem bem assimiladas peculiaridades de um escândalo nacional, lá vem outro ainda mais escabroso, reunindo, num só balaio, figuras imponentes; ditas importantes na estrutura do estado, quando na verdade o estado é tornado importante para si, tal a sem-cerimônia com que, por meios escusos ou não, o tomam a seu serviço.

Até que ponto tantos escândalos afloram em razão de maior atuação e eficiência da Polícia Federal não se sabe, mas alguns pontos na escala da indignação se marcam só em imaginar quanto do patrimônio público tem sido saqueado ao longo dos anos, sob aplausos da nação iludida com a aparente bonomia de homens públicos. O fato é que, das tocas da corrupção, neste país, nunca se levantou tanto lobo, fato que se credita ao trabalho da Polícia Federal, antes mais burocracia do que polícia.

Acostumado a ver tão somente pés-de-chinelo sob a mira da polícia, o brasileiro comum tem mais um surto de esperança, ao tomar conhecimento das sucessivas operações, cada uma apelidada com nome que, mais ou menos, lembre o crime em foco. Figurões e mais figurões caem nas malhas com nomes sugestivos como "Sanguessugas", "Furacão", "Praga do Egito", "Ctrl+Alt+Del", "Tsunami", "Anaconda" e "Navalha", a mais recente. Ainda em plena caça aos envolvidos, a Operação Navalha sugere haver muita barba de molho. E não passou despercebido o fato de certo político, metido entre barbudos não há muito, ter voltado à cara limpa pouco antes de vir à luz a operação em andamento. Das primeiras informações sobre a máfia das obras, levantadas pela Operação Navalha, deduz-se que os espertalhões não perderam tempo no assalto ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), muleta de início do segundo mandato, assim como Fome Zero o foi do primeiro. Paralelo ao programa menina dos olhos do presidente, alardeado entre ridículas analogias futebolísticas e seu cansativo "a gente" - quebra-galho gramatical de quem não sabe conjugar verbos - a bandidagem de fino trato também tem em andamento seu PAC – Programa de Aceleração da Corrupção.

Convém não alimentar muita esperança, porque entre o resultado do trabalho da Polícia Federal e a punição, que se espera, há grande distância, cheia de saídas estratégicas dentro da lei, porque, convém lembrar, o caminho do tribunal para o cidadão comum não é o mesmo para o medalhão. Quando não escapa para o exterior, ao primeiro sinal de dona Justa, o bandido de colarinho branco fica dodói! A doença que, de forma alguma, se manifesta durante execução da falcatrua, é a primeira porta pela qual tenta escapar. Conseguida a ultrapassagem da primeira, o figurão tem tempo, mil e um defensores e a própria lei a seu favor para continuar livre da punição, que inclui ressarcimento por prejuízos aos cofres públicos.

Só reformulação completa da legislação pode alterar o quadro a favor da sociedade. Mas, quem a fará? Os mesmos?

nbatista@uai.com.br

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