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PONTO DE VISTA DO
BATISTA
Lirismo capenga
Em resposta ao interesse
de visitar e melhor conhecer esta região, da qual Ouro Preto
representa a porta de entrada, desde os tempos em que o turismo era
pura aventura ou mobilização espontânea de pessoas com o único
propósito de alargar horizontes visuais e aprender sobre os locais
visitados, desenvolvem-se estudos em torno do tema, em paralelo com
ações destinadas à consolidação do turismo como a indústria sem
chaminés entre nós. Muito Ouro Preto já perdeu por falta de visão
mais abrangente sobre o turismo, na melhor das hipóteses, encarado
como simples presença de visitantes na cidade, porque há os que os
vêem mais como invasores ou estranhos incômodos.
Não deixam de ter razão os
que rejeitam, se encarado o turismo de massa, induzido por
megaeventos barulhentos, geradores de pesados encargos e de
conflitos de interesses entre setores econômicos locais, sem falar
na antipatia provocada na população. Infelizmente esse tipo de
turismo, alimentado por interesses estranhos aos objetivos
preconizados pela cidade e indesejável por uma série de razões, tem
sido o forte em pólos de turismo, entre os quais Ouro Preto. Pela
grande visibilidade e incômodo produzidos, as avalanches humanas
trazidas por megaeventos provocam o repúdio da população, que assim
deixa de ver e considerar o verdadeiro turismo, educado, estudioso,
silencioso, cooperativo e que traz retorno proporcional aos esforços
do turismo receptivo, que só agora começa a se organizar. O turismo
só se completa como atividade econômica quando à disposição do
visitante corresponde a contrapartida, que é o turismo receptivo,
gerando satisfação de ambos os lados. Museus e outros pontos
turísticos abertos à visitação representam muito pouco diante do que
o turista espera encontrar. Receptivo seria o lado passivo do
turismo, mas passividade diante do visitante não condiz com as
aspirações em torno dos resultados esperados. Cabe a ele
organizar-se e organizar a estada do visitante, para que este se
sinta atraído (e não traído) a permanecer por mais tempo no local.
No caso específico de Ouro Preto, pouco ou nada se oferece ao
turista fora do roteiro de visitação a igrejas e museus. Os eventos,
em sua maioria, não têm a cara de Ouro Preto; não representam a
cultura do povo local e só atraem bandos da "curtição". O resultado
é que o verdadeiro turista chega, cumpre o roteiro de visitação e
retorna, deixando o mínimo do que poderia deixar em pecúnia, ou o
máximo via exploração de serviços isolados.
Reconheça-se, no momento,
o esforço regional para organizar o setor, chegando a divulgação a
um frenesi quase infantil, para compensar o atraso do receptivo na
complementação do quadro turístico.
A revista
INconfidentes
cumpre o papel de entrelaçar os municípios desta região na
estruturação do turismo, mas há que ter cuidado para não bater de
frente com a lógica e a História como se fez no primeiro número. A
expressão "tão bela que antes mesmo de ser fundada os
inconfidentes paravam para admirar", em referência a Itabirito,
perde a validade poética por colocar os "inconfidentes" em cenário
anterior às suas vidas. A Conjuração Mineira (Inconfidência é sob o
ponto de vista português) estourou em 1789, e as localidades mais
antigas da região, entre as quais Itabirito, surgiram no final do
século XVIII e primeiros anos do século XIX; o que torna impossível
a presença dos futuros conjurados, mesmo bebês, na cena imaginada.
Ainda que dita à luz da
doutrina reencarnacionista, a assertiva carece da explicação de sua
natureza e não leva em conta que o lírico enleva o espírito, porém
não deve contradizer a verdade.
nbatista@uai.com.br
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