Novos lobos no aprisco
Passado o período da
"conversa mole para boi dormir" e das "canjicas" mostradas por todos
os meios e lugares possíveis, das "musiquinhas" ridículas e gestos
falsos de popularidade, outro jogo se desenrola na acomodação dos
interesses colocados à mesa das negociações pré e pós-eleitorais. Na
primeira fase é a "democracia" que o eleitor deve prestigiar,
exercendo o "direito" do voto, sob pena de ter direitos suspensos,
recurso bastante válido no campo das espertezas políticas para que,
não correspondendo o candidato às expectativas, ao "voto mal dado"
se debitem todos os deslizes cometidos pelo mandatário. No único
momento em que é chamado a dar palpite, ao eleitor não é permitido
falhas, sob pena de ter sobre si a pecha de "não saber votar", o
que, aparentemente, se confirma a cada pleito realizado.
Nem bem silenciadas as
urnas, os mesmos vícios se mostram entre os que permanecem no poder,
ensejando aos que chegam acomodar-se ao sistema; este nem um pouco
preocupado com a sorte dos milhões de cidadãos, que o sustenta,
primeiro com votos, depois com impostos. Na fase atual, interstício
entre o pleito e a posse, o que interessa é a distribuição de
benesses aos grupos que, mediante artimanhas permitidas ou
consentidas, conseguem do povo o direito de lhe ditar o destino,
mesmo que este não tenha a cara desejada. Não mais promessas
sedutoras por parte dos eleitos, partidos vencedores se voltam para
a cobrança da fatura, ex-candidatos não eleitos buscam compensação à
sombra do poder, e a oposição aposta no pior.
Lobos foram descobertos e
se esperava que destino de lobos tivessem, longe do aprisco povoado
por poucos cordeiros. Mas, a exemplo de outras ocasiões, apontados
como corruptos se beneficiam da lentidão das investigações, coroada
por brechas legais permissivas à candidatura de suspeitos, mesmo com
grandes evidências de culpa. Por tudo isso, melhor não alimentar
ilusões sobre possível assepsia política dentro do sistema em vigor.
Não há como recuperar o que já está podre!
A verdadeira democracia só
existirá no dia em que, para se fazer Política (notem que com "P"
maiúsculo), bastarão vontade e decisão do cidadão, em consonância
com ideais de participação nos destinos de sua comunidade e do país,
sem que, para isso, deva obediência a grupos previamente organizados
em torno de pensamentos, conceitos, doutrinas, idéias, ideologias.
Partido, derivado de parte, é o mesmo que fragmento ou pedaço. Logo,
no campo político, partido significa parte da sociedade que teria o
mesmo pensamento político, o que é grande mentira, especialmente em
terras tupiniquins onde tais agremiação não passam de siglas
manipuladas por pequenos grupos, cujos interesses nem sempre se
harmonizam com os da coletividade. Nos moldes usuais e por maior que
seja, partido político não representa sequer o pensamento ou desejo
dos ditos militantes, "pegos a laço", em sua maioria, sem conhecer o
perfil ideológico da "sua" agremiação.
Graças a esse tipo de
organização política temos então grupos minoritários a desgovernar
este país. Por estarem os parlamentos a funcionar, haver liberdade
de imprensa e de expressão, realizarem-se eleições regularmente não
se pode afirmar que isto seja democracia de fato. Tem cara de
democracia, mas não é! Em verdadeiro regime democrático quem elege
deveria poder também cassar. E este é apenas um dos direitos
faltantes, roubados do povo pelos partidos.
Partidos políticos já
fizeram mal demais à humanidade!