PONTO DE VISTA DO BATISTA

Mal alimentados!

O ser humano, premido por várias necessidades encadeadas a partir das fisiológicas que começam com a alimentação, percorre longo caminho até atingir a auto-realização no sentido material. Mas, é na satisfação dessa primeira necessidade, a alimentação, que grande maioria é contida e não consegue avançar satisfatoriamente na busca da plenitude na vida produtiva. Da falta ou escassez de alimentos não é preciso falar, uma vez que o assunto é mais conhecido, altruisticamente cuidado por uns e demasiadamente explorados por outros, aos quais mais vale a alimentação do drama do que a solução do drama da alimentação, porque ali reside a manutenção do próprio poder.

Como representantes do paradoxismo, tendência verificada em vários aspectos da espécie humana, indivíduos vencem com facilidade a fase da obtenção do alimento, mas ficam praticamente retidos no patamar do consumo. Em conseqüência da falsa finalidade vista no alimento, chegam ao extremo de ter a satisfação da fome ou apetite como um fim em si mesmo. Vemos então dois grupos mal alimentados: um devido à escassez e outro devido à ignorância sobre o para que comer, o que comer, como, quando e em qual quantidade. À hora da refeição, seria de se esperar que esse ser racional voltasse sua atenção para a finalidade do alimento. Muito além do prazer que ele pode proporcionar, aquilo que o paladar analisa e aprecia deve se converter em vitalidade para todo o corpo, razão pela qual o ato de se alimentar merece consideração especial, podendo-se dizer que é momento sagrado, por isso mesmo, não dispensada a oração por parte de quem nutre sentimento religioso. É a vida que depende daquele alimento!

Entretanto, poucos se dão ao ato de assim considerar, fixando a atenção unicamente no desfrute do prazer proporcionado pelo paladar e enchendo o estômago além dos limites. Como na maioria das situações vividas pelo homem, a qualidade é o que mais importa para o corpo e não a quantidade do alimento. A quantidade deve ser de forma que bom espaço vazio ainda fique no estômago, pois ele vai precisar disso para seus movimentos no ato da digestão, mas nem essa preocupação há que se ter quando o ato da mastigação é seguido à risca. Mastigando-se bem o alimento, por mais saboroso que seja, o paladar se satura com quantidade menor de alimento, manifestando-se então a sensação de necessidade satisfeita. E para isso o estômago não tem que estar abarrotado de comida.

O erro dos que castigam o estômago com excesso de alimento está justamente na satisfação do paladar. Atraídos pelo sabor agradável, engolem sem bem mastigar, esquecendo que o prazer proporcionado pelo alimento está na boca, sede do paladar, e não no estômago. Engolir sem a devida mastigação retarda a plena satisfação do paladar, que continua a exigir mais alimento até se saturar Alimento engolido não mais dá prazer! Por isso, conservá-lo por mais tempo sob mastigação é o principal fator da boa alimentação, depois da qualidade, é claro.

Mas não é só isso a se considerar no momento da refeição. Sob tensão emocional, sentimentos de raiva ou profundo desgosto, é melhor que o estômago aguarde outro momento para receber alimento; por isso mesmo assuntos desagradáveis não devem ser lembrados à mesa.

Em linhas gerais, esses são cuidados imprescindíveis em horários regulares, para que o alimento cumpra seu papel na manutenção da saúde do corpo, durante o tempo que a natureza reserva a cada um neste mundo. Individualmente, ainda há que considerar o tipo de alimento que mais convém a cada um em suas peculiaridades, uma vez que cada organismo pode reagir de forma diferente a alimentos iguais, somando-se a isso o grau da atividade física praticada.

Quanto a estas últimas particularidades, profissionais da área da saúde têm a melhor orientação, que não deveria ser trocada por modismos e artificialismos.

nbatista@uai.com.br

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