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Carta Pública dos Cidadãos da
Região dos Inconfidentes, do Estado de Minas Gerais e Às Autoridades
Municipais e Estaduais
Os abaixo-assinados, moradores no município de Ouro Preto, Região
dos Inconfidentes, Estado de Minas Gerais e demais interessados, no
uso de suas prerrogativas como cidadãos e detentores do direito
difuso sobre o acesso igualitário à educação de qualidade e à
preservação da sua herança cultural, todos vêm apresentar as
seguintes considerações: Que o patrimônio representado pelo antigo
Quartel General da Cavalaria de Minas, cedido à Congregação
Salesiana para instalação de um colégio, é um bem de interesse
social e coletivo da maior relevância na consecução deste direito
fundamental; Que este patrimônio público foi cedido com o fim
exclusivo de ser usado em prol da educação e assim tem sido desde os
anos finais do século XIX; Que além do patrimônio físico
representado pelos terrenos e edificações, a Congregação ainda
recebeu fundos públicos para a reforma do imóvel e sua destinação
educacional e cultural. Que a própria estação D. Bosco, do ramal
ferroviário, foi construída pelo poder público para atender aos
alunos; Que, tendo decidido encerrar as atividades para as quais
obteve a concessão dos imóveis, a Congregação Salesiana
inexplicavelmente decidiu também alienar os imóveis que deveriam
retornar ao patrimônio público; Neste sentido, nós, cidadãos e
moradores da Região, entendemos que, do ponto de vista histórico, o
antigo quartel onde funcionou o extinto Colégio D. Bosco, encerra
inestimável valor para a coletividade, a saber: Sua construção data
de 1779, sob o patrocínio da Coroa Portuguesa e orientação do
Governador-Geral da Capitania de Minas Gerais, dom Antônio de
Noronha, destinado a quartel do Regimento de Cavalaria, com
tecnologia construtiva
militar luso-brasileira, pedra e madeira, sendo um dos mais
importantes patrimônios edificados da Minas Colonial, devendo ser
plenamente restaurado, preservado e ter destinação cultural
compatível com sua história e sua arquitetura; O prédio foi
construído nos arredores de um dos campos mais importantes de
batalha da Guerra dos Emboabas (1708 a 1709) - o Jardim - para a
qual se aguarda iniciativa de levantamento do valor arqueológico dos
possíveis vestígios, tais como trincheiras conhecidas e citadas na
literatura histórica,artefatos dos campos de batalha, incluindo
prováveis remanescentes bélicos e de
combatentes enterrados no entorno, como também o antigo mobiliário;
A edificação é de particular interesse da Polícia Militar de Minas
Gerais, por ter sido o primeiro quartel de Minas Gerais, sede de um
regimento regular para o policiamento do Governo Colonial, de Vila
Rica e das vilas e arraiais. A rigor, foi o berço histórico da PM
mineira; Foi sede do Quartel General da Cavalaria de Minas, tendo
servido ali, como alferes Joaquim José da Silva Xavier, o
Tiradentes, e outros militares que tiveram participação histórica em
diversos episódios da História de Minas; Como quartel, sob o comando
do Tenente Coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, é uma das
edificações mais importantes ligada aos movimentos da
Inconfidência Mineira de 1789. Neste mesmo quartel foi preso o
comandante inconfidente; Possui em seu frontispício uma portada com
as Armas Portuguesas, com confecção atribuída, pela análise
estilística, a Antônio Francisco Lisboa, o
Aleijadinho; Foi sede do notável Haras Régio (a Coudelaria Real) de
onde remontam as origens das raças manga-larga e campolina, tendo
sido o príncipe D. Pedro I, que visitou o Quartel em 1822 e 1831, o
maior incentivador e um dos donos
pessoais de parte destas terras, onde mantinha os reprodutores e
instalações de ferraria e estábulos, que também têm interesse
arqueológico, histórico e turístico; O prédio e sua estância
abrigaram, desde 1896, o famoso Colégio Dom Bosco,
internato que formou milhares de jovens, constituindo uma das mais
raras e importantes heranças da ação pedagógica e educacional de
Minas Gerais e da formação religiosa, atuação que merece pesquisa
histórica e a devida preservação;
Basta lembrar que o quartel remonta a 1779 e tem interesse adicional
como foco de um pólo de visitação, lazer, educação ambiental,
paisagístico e gerador de renda para a população, no estabelecimento
de roteiros integrados ao circuito da Estrada Real, com
revitalização do conjunto paisagístico e criação de trilhas para a
atividade turística e preservação das matas e
mananciais existentes na propriedade (como as cachoeiras que deram
nome ao distrito, que hoje estão inseridas nessas terras); Que a
continuidade e instalação de complexo educativo na propriedade
atende ao público estudantil, não apenas de Ouro Preto, mas às
cidades circunvizinhas da região dos Inconfidentes por sua
localização e proximidade; Com relação à questão da necessidade
premente de preservação, nunca é demais alertar que as áreas
imediatamente fora dos limites vêm sofrendo com a visível expansão
das voçorocas e da ocupação por habitações precárias, sem se
esquecer que Cachoeira do Campo sofre estruturalmente com a pouca
oferta de mananciais de água, gerando uma constante falta de
recursos hídricos para a população já existente. Neste sentido, nós
moradores, vimos solicitar das autoridades que impeçam a destruição
deste patrimônio histórico, paisagístico, ambiental, econômico,
educacional e social representado pela desconsideração da
precedência dos interesses coletivos que incidem sobre os antigos
quartéis, independente de sua ainda discutível natureza privada ou
pública, sendo que, em qualquer dos casos, prevalece o uso social da
propriedade conforme estabelecido no ordenamento jurídico
brasileiro, que obriga ao atendimento preferencial do interesse
coletivo. (Não podem assinar menores de 16 anos, nem pessoas sem
documento e telefone, para eventual verificação por amostragem)
Obs.:Este documento deve circular na
Região dos Inconfidentes para coleta de assinaturas de adesão à
causa.
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