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Maria Mazaroppi
A moça, Maria, que me perdoe, mas era feia como filhote de
cruz-credo. E também metida a bonita, a musa do lugar. Esnobava a
rapaziada. Era a mais rica, a mais poderosa do lugarejo, uma
cidadezinha do interior de Minas Gerais.
O pai, Milton, por quase gêmea semelhança com o famoso comediante,
era conhecido como Milton Mazzaroppi. Era dono da melhor venda
local, daquelas em que se vende de tudo, de bico de arado a gêneros
alimentícios, de anzóis a tecidos, de pratos de louça a bebidas.
A mãe, também Maria, conhecida como dona Maria, era o braço direito
do marido. Ajudava na venda, anexa à casa de morada. Trabalhava em
casa nos afazeres domésticos, ajudava o marido no tempo livre.
Assim estava composta uma das famílias mais poderosas do lugar.
Maria Mazzaroppi, a filha, na faixa de seus vinte e poucos anos,
feia feito o cão chupando manga, mas sentindo-se a verdadeira miss
local, esnobava todos os rapazes da comunidade. Vê lá, se ela dava
bola pra qualquer um, aqueles pés rapados... Nos bailes, quando
algum rapaz convidava-a para dançar, quando ela aceitava, ia com
aquele arzinho de superioridade e enfado. Que saco !...
E por esse jeito importante, a Maria metia medo nos rapazes de sua
faixa etária e assim não arranjava namorado. A mãe já se preocupava
com o fato.
Certo dia, ao cair da noite, a mãe estava sozinha no balcão da venda
quase vazia, quando entra no estabelecimento o Andrezinho. O
Andrezinho era um rapaz simpático, na faixa dos vinte e cinco anos,
moreno, vaqueiro. Cumprimentou aos presentes na venda, dirigiu-se ao
balcão e pedir a Dona Maria que lhe servisse uma pinga, pequena, um
dedinho só, que era pra abrir o apetite para o jantar.
Dona Maria, já com segundas intenções, mediu aquele moço de cima a
baixo e enquanto servia a dose de cachaça ao moço, foi logo puxando
conversa:
-
Sabe Andrezinho, estava aqui pensando. Se você não bebesse,
até que você poderia namorar a Maria...
Andrezinho, ao ouvir a vendeira, antes mesmo de beber a sua pinga,
foi logo emendando:
- Encha o copo, Dona Maria ! Encha o copo !...
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Não compro,
não!
Numa fazenda, nas imediações de Brasília de Minas, uma cidadezinha
próxima de Montes Claros, norte de Minas Gerais, havia um empregado
solteirão, de aproximadamente 50 anos de idade, conhecido como Sô
Totonho, que fazia pequenos serviços na roça, mas, praticamente,
morava mesmo era de favor junto à família do fazendeiro.
Era um sujeito simples, sisudo, sério, porém espirituoso e de boa
índole, de um excelente apetite, guloso até, mas muito bem aceito
por todos.
Certo dia, este senhor teve que sair da fazenda e ir até a cidade de
Montes Claros, uma espécie de capital da região, onde existiam
maiores recursos para “passar por uma consulta médica”.
Depois de horas na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) e o
sacrifício para vencer as burocracias e embromações de praxe, nosso
amigo consegue consultar.
Só após a consulta, horas
depois, vencidas a espera, a ansiedade e a aflição para ser atendido
pelo médico, é que Sô Totonho percebeu que estava com fome, com
muita fome, esganado de fome, com a “barriga nas costas”.
Saindo do hospital, ali perto, entrou no mercado de Montes Claros
(famoso pela oferta de produtos típicos da região) e comprou uma
fruta de nome "cabeça de nego” - uma espécie de conde, pinha.- já
que os recursos no bolso da calça eram escassos, poucos, contadinhos.
Caminhou então até a rua e sentou-se no meio fio, partiu a fruta e
começou a comer.
Para esta operação, teve que
improvisar uma colher com os dedos, isto é, era preciso enfiar a mão
na massa, os dedos dobrados em concha, como uma colher, para retirar
e levar a boca a polpa da fruta que, escorregadia, lambuzava-lhe
todo o rosto e parte da roupa.
Nisso, por uma dessas coincidências da vida, veio passando um de
seus conterrâneos que o viu ali sentado, comendo em plena via
pública, na sarjeta, fazendo toda aquela lambança.
Este senhor, bem vestido, de situação social e financeira bem
melhor, “metido a besta”, político, com receio de que aquela cena
pudesse refletir mal para a fama de sua terra natal, de maneira
indiscreta, porém incisiva e direta, bem ao estilo germânico,
abordou Sô Totonho e foi logo lhe chamando a atenção,
repreendendo-o:
- Sô Totonho, que negócio é esse? O senhor não tem vergonha de ficar
aí desse jeito, comendo isto no meio da rua? Isto é fruta pra comer
em casa!...
Surpreso com a presença e ainda
mais com o tom de voz autoritário do conhecido, Sô Totonho,
educadamente, responde-lhe:
- E você acha que eu vou
comprar uma casa aqui em Montes Claros, só para comer essa fruta?
Não compro não, sô!...
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SÓ MESMO POR MILAGRE !
E o camarada, tarde da noite, fazia
as contas domésticas: tanto para o aluguel do barraco, tanto para a
água, outro tanto para a luz e o gás, tanto para a farmácia, tanto
para as conduções, tanto para a alimentação... É, a coisa estava
mesmo muito apertada e feia.
Não tinha dinheiro para ir ao campo
de futebol no domingo, assistir ao jogo do Cruzeiro X Atlético;
Não tinha dinheiro para ir ao
dentista tratar daquele dente que começara a doer e
incomodar;
Não tinha dinheiro para comprar um
presente para o filho caçula, que faria dois anos na quarta-feira
que vem ;
Não tinha dinheiro para fazer aquela
já tão adiada viagem até a sua terra natal para visitar a mãe idosa
e doente ;
Não tinha dinheiro para comprar
lápis e caderno pro menino maior ir à escola ;
Não tinha dinheiro para comprar o
par de chinelos para a mulher que estava tão precisada;
Não tinha dinheiro para dar a esmola
na missa de domingo, dia de São José Operário ;
Não tinha dinheiro para tomar uma
cervejinha, mesmo uma cachacinha, com os amigos, ali no boteco da
esquina, no domingo, antes do almoço.
Mas também, pudera, pensou. Ganhar
pouco mais de R$120,00 reais por mês, mulher e três filhos para
sustentar !... Só mesmo Jesus Cristo e o maravilhoso milagre da
multiplicação dos pães !... E assim, embalado por pensamentos
difusos: contas, milagres, vida, cotidiano, trabalho, problemas,
cansaço... refletindo... divagando... adormeceu sobre as contas
espalhadas em cima da mesa, por sobre os números, por sobre as
dívidas. O sono o vencera. Bem sabia que, amanhã, não acontecendo um
milagre, a vida continuaria no mesmo ordenamento das coisas e teria
que estar de pé às 4:30 horas para começar de novo o batente nosso
de cada dia !...
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“TEJE PRESO!...”
No tempo de exército, o serviço militar obrigatório, todos que já
serviram dizem a mesma coisa, a comida, o famoso “rancho”, era muito
ruim.
Aos domingos, o cardápio era, sempre, macarrão com frango e arroz.
Vocês já viram o que é fazer uma grande quantidade de comida para um
batalhão de pessoas? A comida, por maior capricho, não fica lá muito
boa.
Num determinado domingo então, especialmente, o macarrão estava tão
duro que um soldado raso, não resistiu e, já sentado à mesa com o
prato de macarrão, vendo seus fios ali, tão duros e tesos, tão
empinadinhos, engomadinhos, aprumadinhos e durinhos, querendo lá
fazer a sua graça para o batalhão reunido ali na cantina, em voz
alta e empostada, deu logo a voz de comando:
- “Macarrão, Seeennn tido!”.
Risada geral à mesa e em todo refeitório então relativamente
silencioso.
O soldado espirituoso, porém, não havia percebido a presença do um
sargento, muito mal humorado, sentado bem ali pertinho, que ao ouvir
tamanho “desacato”, foi logo dando a ordem para o “insubordinado”:
- “Soldado, Seeennn tido!... Teje preso!”.
E a brincadeira do nosso divertido soldado custou-lhe a punição de
uma semana de cadeia!...
(“Causo” originalmente contado por Geraldo Gomes Pereira, amigo).
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CONSELHOS MɮDICOS
(para prevenir-se contra enfartos)
by Maurycio Gomper
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Ganhar sozinho na loteria;
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Evitar contactos com a sogra;
·
Não acompanhar a mulher às compras;
·
Não tomar cerveja quente;
·
Terminar o casamento duradouro;
·
Não ler o The Abobrinha´s News Page;
·
Não ser dono de carro velho;
·
Não conviver com a mulher da gente;
·
Evitar conversa de bêbado;
·
Não ouvir falar mais do Rô Mário ou
do Ed Ymundo;
·
Evitar sol, areia e mulher da
gente, quentes;
·
Fugir dos tais de pernilongos;
·
Não tomar conta do cachorro do
vizinho, quando ele viaja:
·
Esconder-se do calor;
·
Não carregar mala sem alça;
·
Conviver com os chefias fora do
trabalho;
·
Participar de papo enjoado;
·
Obrar em banheiro sujo, com
descarga quebrada e, principalmente,
ao fim da bela ópera, dar pela falta do papel
higiênico...
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A
ÚLTIMA GRANDE DÚVIDA EXISTENCIAL
Imagine-se idoso,
velho, bem velho mesmo. Velho e doente. Velho, doente, cansado,
trôpego e sozinho. E desamparado. Você está relembrando cada passo
da sua existência.
Sente que suas horas estão praticamente
contadas, sabe que sua vida está presa a apenas um tênue fio.
Seus filhos cresceram e debandaram-se.
Sua mulher abandonou-o definitivamente
após a dilapidação de todo aquele patrimônio construído com tanto
trabalho, suor e sacrifício.
Agora, seus vencimentos de aposentado
mal cobrem as despesas com o tratamento da sua saúde decadente e
fragilizada.
Seus amigos nunca mais o procuraram,
muitos já morreram.
Você está aí, internado na enfermaria
deste hospital público, pelo ieneesseesse, praticamente abandonado,
quase que totalmente esquecido.
Sente, às vezes, dor, frio, fome e
sede.
Ninguém, nem mesmo estranhos, fazem-lhe
a desejada e necessária companhia.
Desculpe-me a imaginação, mas o seu
estado é realmente deplorável! Está quase que no fundo do poço! Você
está febril. A febre está muito alta. Você delira. Delira? Será
mesmo um delírio ou será a dura realidade materializando-se?
Alguém aproxima-se do seu leito. Você
esforça-se, mas não consegue ver direito, apesar de sentir uma
presença bem próxima. Será alguém conhecido, um parente, um amigo ou
mesmo um estranho caridoso? Você não distingue nada, mas sente que
alguém está muito perto. Uma sombra, lentamente, debruça-se sobre
você e, vagarosamente, bem próximo à sua cabeça, quase dentro do seu
ouvido esquerdo, baixo, bem baixinho mesmo, entre dentes,
sussurra-lhe as terríveis palavras e a tenebrosa pergunta : “Grunft
ou planft ?”
Você escolhe o final. Você decide!...
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APELO
Ensina-me a não pensar!...
Eu não
quero pensar mais, eu quero parar de pensar, eu quero parar!...
Eu não
quero pensar na maldade dos homens, eu não quero pensar por que os
homens são tão maus!...
Eu não
quero pensar porque os homens roubam!...
Eu não
quero pensar por que é que os homens matam!...
Por que
é que os homens violentam as criancinhas?
Por que
é que os homens já não respeitam os mais velhos?
Eu não
quero pensar porque os homens fazem a guerra!...
Eu não
quero pensar porque os homens criaram o dinheiro!...
Eu não
quero pensar porque os homens inventaram a vaidade, o poder e a
glória!...
Por que
é que existe o poder econômico, o poder político, o poder social?
Por que
é que ainda existem castas?
Eu não
quero pensar mais!...
Eu não
quero pensar por que os homens são tão maus!...
Eu não
quero pensar porque os homens roubam o dinheiro público!...
Eu não
quero pensar porque os homens cobram juros tão abusivos!...
Eu não
quero pensar por que uns alguns poucos homens exploram tanto uns
muito tantos homens!...
Eu não
quero pensar porque existe o egoísmo entre os homens!...
Eu não
quero pensar porque é que existe a intolerância religiosa entre os
homens!...
(A
intolerância religiosa e outras intolerâncias de quaisquer
espécies!...).
Por que
é que não se respeitam as diferenças?
Eu não
quero pensar por que é que ainda existe a fome!...
Eu não
quero pensar por que é que existe o medo!...
Eu não
quero pensar por que é que inventaram o desemprego!...
Eu não
quero pensar por que é que ainda se morre sem atendimento médico!...
Eu não
quero pensar que existem homens corruptos, e que também existem
corruptores!...
Eu não
quero pensar porque todos os homens não são iguais entre si.
E por
que é que os homens não são iguais perante a lei?
Eu não
quero pensar no porquê que os homens esqueceram o seu próximo!...
Eu não
quero pensar por que é que ainda existe o homem!...
Eu não
quero pensar!...
Eu não
quero pensar mais!...
Eu
quero parar!...
Por
favor, ensina-me a não pensar!...
amgomper@viareal.com.br
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MALDADE OU INGENUIDADE?
Fico
indignado, revoltado, chateado, humilhado, entristecido, “jururu”,
aborrecido, quando vejo certas reportagens nos jornais, revistas e
televisões do Brasil, na imprensa brasileira em geral.
Como
pode a imprensa brasileira levantar tantos dados, sob o meu ponto de
vista absurdos, quase inacreditáveis, contra pessoas tão importantes
da nossa sociedade: Governadores, Ministros de Estado, Senadores,
Deputados, Juízes, Secretários de Estado, Delegados?
Como
falar do envolvimento de tais homens, pilares da nossa democracia,
em atos de corrupção, locupletação, desvio de dinheiro público,
sonegação de impostos, peculato, remessa ilegal de dinheiro para o
exterior, fraudes fiscais, extorsão, e coisas assim tão perversas,
tão bárbaras?
Como
denominar tais proeminentes figuras públicas de ladrões, corruptos,
bandidos, safados, tiranos, déspotas, desonestos, infames,
vagabundos, devassos, desprezíveis, torpes, indignos?
Como
falar na transformação desses importantes e respeitáveis brasileiros
em cidadãos de quarta ou quinta categoria, aqueles que se metem em
ações vis, tais como desvio de dinheiro da merenda escolar, super
faturamento das contas públicas, licitações fraudulentas, aplicação
inadequada das verbas destinadas à saúde?
Como
pensar que tais brasileiros, representantes do povo brasileiro,
instalados nos mais altos cargos, nos mais altos graus de
importância no cenário público brasileiro, serão capazes de algum
deslize, de algum movimento suspeito, de envolvimento em alguma
transação desonesta, de algum desvio de conduta, de alguma mancha no
caráter?
É
inadmissível o simples levantar de suspeita!...
Os
homens públicos, aqueles que se tornam públicos, seja pelo voto
popular ou por concursos públicos, são pessoas cultas, preparadas e
principalmente dotadas de grande espírito de civilidade, de
patriotismo, de amor à Pátria e ao próximo.
Como
podemos pensar o contrário?
Como
levantar suspeitas sobre tais abnegados brasileiros?
De
duas, uma: ou a imprensa é muito severa ou eu sou mesmo um
incorrigível e romântico ingênuo!...
amgomper@viareal.com.br
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