Mentiras, pilantragens e
corporativismos políticos
Não faz muito tempo, aqui foi
dito que por muito que se afirme vivermos uma democracia, mui distante
estamos, porque, na verdade, conhecemos dela só aparência externa,
como a da laranja, dourada e atraente ao sol. Ao se nos mostrar o
interior, revela-se bichada e inaproveitável. E a deterioração
avança tão rápido que, mesmo sob impacto do belo visual, se sente o
odor nauseabundo da podridão. Para a platéia há uma encenação rica
em cores e detalhes chamativos, mas o que se arma nos bastidores da
política nada tem a ver com as expectativas do povo. E isso não é
coisa deste ou daquele partido. É a marca de todos! Todos funcionam
como a ratoeira: mostram um cheiroso bocado de queijo, que seduz o rato
(como vítima inocente e não ladrão), levando-o à morte.
O PT, eventualmente no poder,
durante vinte anos fez oposição dura e explosiva, prometendo o
paraíso no momento em que tivesse as rédeas do país. O momento
chegou, e a massa delirante acreditou! Como símbolo da nova era, o
salário mínimo foi a primeira coisa lembrada para ser corrigida como
apregoavam os petistas, mas no primeiro ano, para que não se fizesse
correção maior, houve a desculpa de que o reajuste já teria sido
previsto no orçamento deixado pelo governo anterior. Passado o período
de transição, eis que o novo governo, repetindo comportamento
verificado em relação a outros setores, sutilmente sugere aos
assalariados que esqueçam tudo que ouviram do PT, assim como o
presidente sugeriu explicitamente aos intelectuais de esquerda,
"esqueçam o que escrevi". É até possível que reajuste
maior não possa ser concedido, devido às circunstâncias econômicas,
e, economistas descomprometidos o confirmam. Mas, por que então se fez
crer que o PT mudaria a política econômica então vigente? Pura
irresponsabilidade política, que é o mal de qualquer partido! Todos
prometem, quando não podem cumprir, enrolam e transferem a culpa para
terceiros. No ano passado, o presidente prometeu também que, neste ano,
começaria a corrigir a defasagem crescente entre o piso e os
"benefícios" mais altos, pagos pela Previdência Social. Mais
uma vez, a mentira se confirmou. O pífio (8,33%) reajuste ao mínimo
foi mais pífio (4,52%), outra vez, para aposentados e pensionistas
acima do piso. Este que nos governa é realmente o presidente da
mentira!
Girando alguns graus sobre o
panorama que se apresenta como democrático, eis-nos agora a considerar
a atração exercida pela mídia sobre quem almeja um lugar ao sol com
boa sombra. Desprezar oportunidade da presença em eventos, de qualquer
natureza, desde que bem divulgado, seria como comerciante a enxotar
consumidor da loja. Sendo político, e em ano eleitoral, então é como
juntar a fome com a vontade comer, devendo os donos da festa tomar
cuidado, caso contrário, lhes roubam a cena. Haja espaço nos jornais
para tanta gente que quer aparecer, nem que seja por sobre o ombro de
terceiros! Mas, nem sempre são louváveis ou simplesmente neutros os
fatos gerados por figuras públicas.
De repente, cai na rede de
informação deslize feio cometido por figurão e, é claro, que isso
também é notícia. Do mesmo modo que a boa ação, o delito da figura
pública merece destaque, justamente pela qualidade do autor, uma vez
que ao cidadão comum e pobre não se perdoa pelos desvios e crimes
cometidos. Das boas ações do pobre, ninguém quer saber! Entretanto,
com uma argumentação frívola, especialmente nos casos políticos,
assanha-se o corporativismo contra a divulgação. Movem-se todos os
postos chaves e pressionam pela preservação de uma imagem que, diga-se
de passagem, é falsa, podre e lesiva aos interesses da coletividade.
Que raio de democracia é esta?