Metrô, do nada ao lugar
nenhum!
Verifica-se em Belo
Horizonte grande preocupação com a situação do trânsito, bem próxima
do caos, em decorrência do aumento acelerado do número de veículos
em circulação nas vias da capital. De acordo com previsões
recentemente publicadas, aproxima-se do milhão o número deles,
causando crescentes congestionamentos, grande fator entre as causas
de estresse nas metrópoles. O alarme é dado, mas, como sempre,
nenhuma solução se apresenta, excetuando-se paliativos cuja base,
quase sempre, está no sacrifício da população.
É fácil verificar a
tendência das autoridades em lançar a culpa na sociedade. Como causa
dos grandes e constantes congestionamentos, aponta-se o hábito de
sair com o carro, na maioria das vezes, ocupado tão somente pelo
condutor. E como agravante, maiores facilidades na aquisição do
veículo. A ineficiência do transporte coletivo é mencionada, mas
apenas de passagem, deixando a impressão de ser apenas detalhe em
todo o problema. De certa forma até que pode ser, pois a causa
primária está na omissão dos responsáveis desde os primórdios da
cidade.
Belo Horizonte teve seu
traçado urbano transferido da prancheta; planejada quando o
automóvel ainda não conhecia Minas, mas faltou-lhe quem, com visão
no futuro, percebesse a necessidade de melhor ordenar o fluxo do
trânsito sobre rodas, tão logo surgiu. É que em poucos anos a cidade
extrapolou todas as expectativas de crescimento, figurando entre as
maiores capitais de estado, ao mesmo tempo em que se acostumava com
o automóvel, como em todo o mundo. Veio a indústria automobilística,
a popularização do automóvel e a segunda oportunidade de melhor
estruturar a cidade para suportar o que se verificava em outras
cidades do mesmo porte e potencial. Entretanto, a omissão reinou por
completo, entremeada de poucas iniciativas resvaladas para o
improviso, por isso mesmo fracassadas. E ainda lhe somam idéias
estapafúrdias como o retorno do bonde; desta vez fora dos trilhos,
assim como fora da realidade, para lazer do turista e zanga da
população! Felizmente, parece ter havido quem brecasse a estultice.
E como monumento à falta
de visão, planejamento e apego à improvisação está aí um metrô
chinfrim que, pelas dimensões da cidade, liga o nada ao lugar
nenhum. Metrô, abreviatura de "metropolitano", natureza do trem
destinado a ligar pontos estratégicos da metrópole - sob o ponto de
vista da circulação de indivíduos - deve servir à cidade como um
todo. O de Belo Horizonte não cumpre essa função, uma vez que seu
trajeto é periférico, não servindo à parte mais central da cidade e
bairros adjacentes. Apesar de a cidade ter o melhor traçado para a
implantação do metrô tradicional, subterrâneo, sem necessidade de
passar sob grandes edificações, optou-se pelo aproveitamento de
linha férrea existente para se ter o metrô de superfície, fugindo
assim a um dos objetivos do sistema, que é o de não interferir no
trânsito de superfície.
As largas avenidas da
capital e suas ligações com os extremos da cidade favorecem
implantação do metrô subterrâneo, que poderia contar com linha
circular sob a Avenida do Contorno; praticamente impossível de se
construir em outra cidade, sem os riscos de escavações debaixo de
grandes edificações. Independente do metrô, o traçado urbano de Belo
Horizonte favorece o "mergulho" de ruas e avenidas na área central,
o que viria descongestionar ainda mais o trânsito de veículos em
favor da circulação de pedestres.
Belo Horizonte poderia ser
dotada do trânsito mais rápido e transporte coletivo mais eficiente,
se não também não estivessem congestionadas de bobagens as cabeças
dos administradores públicos.