PONTO DE VISTA DO BATISTA

Quanto mais se mexe mais fede!

Não há como ficar indiferente ao assunto do momento, nem mesmo o cidadão menos informado, porque vai longe a fedentina do lamaçal espalhado, a partir daquela cena em que um diretor dos Correios recebia propina. Estourou o duto de esgotos da República e sobre a sociedade se abate a vergonha não sentida pelos que deveriam tê-la, mas não têm porque o que os move na trilha da política ou do serviço ao Estado não se conta na lista dos sentimentos preconizados como bons, altruístas, desejados pela maioria, se não por toda a coletividade. O cidadão se sente atordoado, mal refeito de outras crises do mesmo gênero, uma das quais desaguada em impeachment do presidente da República.

Cria ele que escândalos a envolver políticos com a mão na cumbuca nunca mais fosse acontecer neste país! O ardor, a ênfase no aspecto moral e anticorrupção com que congressistas defenderam o voto pró-impedimento do presidente, em 1992, levava a crer que o povo era representado por políticos infensos à imoralidade, dita reinante naquela época sob o comando do ex-tesoureiro, PC Farias, da campanha eleitoral anterior. Apenas um ano se transcorreu e, novamente, outro escândalo estourou, dessa vez no próprio Congresso Nacional, revelando um esquema de desvio de verbas do orçamento, daí a denominação "anões do orçamento" para os envolvidos. E o país tomou conhecimento de que vários dos que condenaram o presidente tinham as mãos mais sujas que as dele.

Passados treze anos do impeachment, o país se abala mais uma vez com denúncias referentes a mais corrupção, com a diferença de não ser eventual, porém continuada como num consórcio em longo prazo e às avessas, cujas prestações chegavam a trinta mil reais. De acordo com denúncias, trinta mil reais era o que cada deputado da lista de envolvidos recebia, mensalmente, em troca da aprovação de projetos de interesse do PT, partido governista. O pecado, compra de voto para o governo, é o mesmo do qual, ainda na oposição, os petistas acusaram os tucanos e ameaçaram céus e terra pela implantação de CPI. Tudo se repete depois de trocadas posições entre os partidos. Só não há a virulência oposicionista, característica do PT, porque se houvesse, a esta altura os "caras pintadas" já estariam nas ruas com o "fora Lula", embora seu pecado, até agora, tenha sido chorar em lugar de "trepar nas tamancas" e mandar investigar, tim-tim por tim-tim, a safadeza que lhe contaram. Mas, a omissão também pode ser crime. Depende do objeto em relação ao qual ela ocorre!

Ainda no início, as investigações revelam que a extensão do "tumor" parece superior ao do sofrido pelo país em 1992 e com ele apresenta certas afinidades. E à medida que se avança no esmiuçamento da "coisa", surgem mais pontos obscuros, por sua vez ligados a outros e mais outros, que formam a imensa rede da corrupção, essa monstruosidade nacional. Como e com quais forças contar para combatê-la é o problema, pois não há como confiar nos partidos políticos dentro do sistema que aí está. Nenhum merece credibilidade, pois são apenas blocos, dentro dos quais se reúnem interesses pessoais e/ou setoriais, sempre em conflito com os da coletividade.

Ah! Se CPI tivesse poder de, nos moldes sob hipnose, fazer regressão na história deste país! Muitas páginas seriam reescritas! Saber-se-ia, por exemplo, o verdadeiro porquê do impeachment contra o presidente em 1992 e, por tabela, a causa do "acidente" de certa aeronave no dia 12 de outubro daquele mesmo ano. Alguém a bordo talvez não pudesse saber da tramóia política então em curso!

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                                                                    PRÓXIMO

 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco