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PONTO DE VISTA DO
BATISTA
“Mico” mundial II
Diz-se, entre pessoas convictas, que dentro do direito que as
assiste, ninguém deve se curvar diante de quem quer que seja. Ao
contrário, reconhecer-se em erro e se curvar perante os
circunstantes, por mais humildes que sejam estes, só engrandece a
quem assim procede. Assim é com os indivíduos e assim também pode
ser com as nações.
Em posição de autodeterminação e coerente com sua Constituição,
Honduras está a dar lição de Política ao mundo, rechaçando trama
urdida pelo então presidente Zelaya, que pretendia se reeleger, em
franco confronto com a Constituição que proíbe alteração do
dispositivo que impede a reeleição do presidente da República. Todo
o mundo se voltou contra o pequeno país de sete milhões e quinhentos
mil habitantes (inferior a São Paulo, capital), encravado na América
Central, ao considerar golpe de estado a declaração de vacância no
cargo de presidente da República, emitida pela Suprema Corte daquele
país.
Acontece que tal declaração foi apenas formalidade, confirmação da
situação de fato, criada a partir do momento em que o senhor Zelaya
forçou a barra para a realização de plebiscito (não aprovado pelo
Congresso Nacional) cuja finalidade seria a alteração da
Constituição, para se permitir sua reeleição. De acordo com a
Constituição hondurenha, demonstrado no texto da semana passada, o
presidente que promove, apoia ou tenta alterar o dispositivo que
proíbe a reeleição, perde as prerrogativas de cidadão; e com a
cidadania suspensa, ninguém pode ocupar cargo na administração
pública. Logo, o próprio Zelaya se excluiu, ao atentar contra a
Constituição. A única ação não prevista na
Constituição hondurenha foi a
expatriação do ex-presidente, detalhe mui conveniente aos alinhados
com a posição política daquele.
E o fato de isso ter sido feito pelo Exército, com ou não aval do
Judiciário, deu margem à interpretação do episódio como “golpe
militar”. O circo político internacional, mal acostumado a golpes de
estado no terceiro mundo, destacando-se aí a América Latina, nem se
deu ao trabalho de consultar a Constituição hondurenha, que talvez
seja a única dotada de salvaguardas contra esse tipo de pilantragem
política.
Com base nesse preconceito em relação a países pequenos, pobres, sem
projeção e, muitas vezes, dominados por oligarquias e subordinados a
interesses externos, os “donos do mundo” e seus puxa-sacos
entenderam que seria mais uma “virada de mesa” como muitas outras já
vistas. Possivelmente, durante o desenvolvimento de todo esse
imbróglio, tenha havido quem se apercebesse do tremendo “mico”
internacional, mas não convinha que se desse o “braço a torcer”.
Seria humilhação demais para os “grandes”, incluindo-se instituições
como a ONU e OEA; a primeira, por decisão unânime, exigiu a
devolução do cargo ao Zelaya, e a segunda chegou a dar prazo de
setenta duas horas, para que se fizesse a mesma coisa, sob pena de
expulsão da Organização. Firmaram os pés no erro, aguardando de
Honduras a submissão às suas vontades para, então, celebrar a
pacificação como fruto de suas gestões.
Só não contavam com a solidez das instituições hondurenhas, bem
articuladas e amparadas na Constituição que, obedecida ao pé da
letra, rechaçou intromissões estrangeiras e impediu que o país
caísse nas malhas do continuísmo aventureiro e de tendências
duvidosas, tecidas e manipuladas pelo coronel “vermezuelano”.
Estão de parabéns o povo, as instituições e as verdadeiras
lideranças políticas hondurenhas, que não se curvaram em nenhum
momento diante das imposições externas, cuidando para que a Lei
Maior por eles adotada fosse respeitada. A cada um, no resto mundo,
só resta enfiar o rabo entre as pernas, sair de fininho e procurar
seu canto, enquanto, nos domínios tupiniquins, o cacique-mor se
mostra intransigente, mas, faz uso da “ventriloquia” para evocar
possível reconsideração.
nbatista@uai.com.br
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