PONTO DE VISTA DO BATISTA

Mixórdia na escrita

Quem se mete a escrever tem a obrigação de ler ou ter lido textos em quantidade pelo menos igual ao que produz e em qualidade bastante superior, se não quiser misturar alhos com bugalhos e confundir o público leitor, ao qual se deve respeito e boa informação. Por enquanto o Procon só enquadra textos no que se refere à propaganda enganosa, mas quem escreve deveria ter o mesmo cuidado exigido do industrial ou comerciante ao ser disponibilizado produto no mercado. Além de levar informação, o texto pode ser espelho para quem na mesma trilha se inicia, tornando-se este também, mais tarde, agente multiplicador na produção de material escrito.

No processo de democratização da comunicação e informação, fenômeno válido e muito bem vindo, escancararam-se os meios e, por estes, um sem número de pessoas se mostram e mostram o que pensam a cada dia, realizando verdadeira revolução na troca de informações e expandindo, ao infinito, a capacidade de se comunicar.

Sabendo-se, entretanto, que qualidade não se manifesta na mesma proporção da quantidade, "empaturra-se" o público leitor com textos medíocres, quando não verdadeiros atentados à língua tal a quantidade de erros grosseiros. E os autores não são marginalizados ou que não foram à escola! Mesmo entre egressos de cursos de comunicação, detectam-se "profissionais" que fingiram ter estudado e aprendido, ou tiveram professores que fingiram ensinar. À falta de autocrítica de alguns se juntem ainda a antiética e desonestidade. No meio de amontoado de palavras sem sentido enxertam trechos estranhos, copiados de celebridades como Albert Einstein, conforme já constatei. Não percebem a diferença entre a muxiba (seu texto) e o filé mignon (o trecho enxertado) e nem se dão conta do perigo de serem desmascarados, esquecidos de que o surrupiado pode ser facilmente encontrado na internet por qualquer pessoa.

Palavras de uso corriqueiro, semelhantes na grafia e na pronúncia, porém com significados diferentes, são empregadas aleatoriamente, nem se dando os autores ao trabalho de consultar dicionário; erroneamente apelidado de "pai dos burros", pois ninguém está obrigado a tudo conhecer. Do alto de sua auto-suficiência, entendem que consulta a dicionário é para os que não sabem, e, quando empregam termos com significado distorcido da idéia que se quer expressar, tais pessoas manifestam convicção de que estão certas em sua sagrada ignorância.

É assim que o hilário povoa textos, ditos sérios, como pedido de cumprimentos (saudar) à dívida ao invés de sua quitação (saldar), muito comum em relatos de pendengas comerciais; ou a legenda em que "Fulana pousou sobre o muro para o fotógrafo", levando a crer que o objeto da foto fosse borboleta, ou qualquer ser alado, que deixou de voejar por alguns instantes para atender ao fotógrafo. Em atendimento a reclamações contra buracos nas ruas e rodovias, a administração pública recorre à solução simplista da chamada "operação tapa buracos". Aí alguns jornais anunciam: "a prefeitura (ou o governo) vai ‘tampar’ buracos..." Imaginem a trabalheira e o custo de tal operação, pois "tampar" significa colocar "tampa", previamente preparada e amoldada à cavidade que se quer tampada; ao passo que "tapar" significa fechar cavidade por meios e recursos diversos, valendo-se até o "de qualquer maneira".

No campo da gramática a coisa está mais séria, a ponto de o certo assumir ares de errado aos olhos dos menos afinados com ela.

nbatista@uai.com.br

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