Geração Revolução X Geração Medíocre

                                                                                 Marcelo Peruzzo
                                                                     mperuzzo@onda.com.br

Um amigo muito próximo me perguntou até que ponto o uso demasiado do videogame e do computador poderia atrapalhar o desempenho escolar de crianças e adolescentes. Na mesma ocasião, também quis saber o que fazer para esse público mais jovem se interessar por assuntos relacionados à família e à escola, e não apenas aos jogos de entretenimento, que na sua maioria tratam de violência.
– Meu amigo, tudo é uma questão de interesse, fé e freqüência – respondi.
– Como assim? – indagou meu interlocutor, querendo entender melhor meu comentário.
– Existem, atualmente, exímios campeões de jogos de videogame, com uma habilidade incrível. Porém, para eles, atingir esse desempenho só foi possível graças ao interesse no tema, ou seja, no jogo. Quanto maior o interesse de uma pessoa por algo, maior é a sua motivação para realizar tarefas relacionadas ao assunto. A freqüência é outro fato importante. No jogo, para passar de fase, erra-se diversas vezes até o cumprimento da missão proposta. É assim mesmo: passamos a acertar e a melhorar em alguma coisa a partir do momento em que aprendemos com nossos erros. Além disso, para se tornar bom em algo, é preciso ter fé, acreditar em si mesmo. Quando o jogador crê que é capacitado, consegue conquistar seu objetivo mais cedo ou mais tarde, independentemente das dificuldades. Se conseguirmos aplicar fé, interesse e freqüência no contato de nossos filhos com temas pertinentes à família e à escola, ganharemos sua atenção para tais questões e, conseqüentemente, faremos deles grandes homens e mulheres no futuro.
– Interessante – observou meu amigo. – E o que você acha da nova geração de jovens? – voltou a me questionar em seguida. – Muitos deles colocam sua fé, freqüência e interesse apenas em jogos de violência.
– Essa pergunta me faz lembrar de minha adolescência. Aos 14 anos ganhei meu primeiro computador, um Apple IIc, que lia e gravava dados em fitas cassetes. Eu passava horas na frente daquela máquina, jogando, fuçando e programando. Meus pais não me regulavam, pois sabiam que haviam me dado educação suficiente para colocar minha fé, freqüência e interesse em sintonia com a família, com o bem e com meu livre-arbítrio. Daí, não parei mais, meu amigo! Depois vieram outros computadores, como o ZX, o Spectrum, o MSX, o Amiga, os PCs e uma dezena de videogames. Me interessei tanto pela coisa que me graduei em Análise de Sistemas. Anos mais tarde, após me especializar em Marketing e fazer meu mestrado em Gestão de Negócios, vejo que a habilidade de trabalhar com a inovação, seja ela computacional, social ou cultural, veio a ser algo comum em minha vida em virtude de fé, interesse e freqüência. Acabei me tornando um profissional multidisciplinar, que muitas vezes teve que se fingir de desatualizado por causa da mediocridade do conhecimento de chefes e colegas em relação, por exemplo, ao manuseio de sistemas de computadores essenciais para a gestão de uma empresa. Como em certas circunstâncias é feio um funcionário entender mais que seus superiores, às vezes é melhor fazer papel de bobo diante da ignorância do próximo.
– Nossa! Essa sua resposta foi muito arrogante – retrucou assustada a pessoa que conversava comigo. – Chamar os outros de medíocres e ignorantes não é forte demais?
Então respondi:
– A questão é que a excelência se alcança nos assuntos que despertam interesse e estimulam a fé e a freqüência de contato. Com certeza sou ignorante quando se fala em motores de avião, até porque não tenho interesse nesse segmento e não coloco minha energia nesse tema. Entretanto, muita gente esquece que algumas áreas, como a computação, são inerentes à profissão de qualquer um que deseje sobreviver no mercado de trabalho. Aliás, há uma geração medíocre se formando na sociedade, composta por jovens que colocam seu interesse apenas em jogos, festas e banalidades. Gastam o tempo, um bem valioso, recebendo ou trocando informações que não são consideradas fundamentais pela sociedade para se diferenciar no mercado. Quando entro em contato com essa geração medíocre, não dou chance e passo por cima, sem a mínima dificuldade. Os indivíduos desse grupo não são páreo pra mim profissionalmente. São fraquinhos culturalmente e socialmente excluídos de alguns segmentos importantíssimos. Enquanto eles estão indo, eu já fui e voltei diversas vezes. Enquanto namoram vários garotos e garotas pela Web e passam de fase em jogos de violência que duram horas intermináveis, eu levo resultados para empresas, ganho dinheiro e dou atenção a minha família. Sinceramente, é uma geração fraca.
– E é essa geração que vai comandar nosso Brasil no futuro – avaliou meu amigo.
– Claro que não. Existe uma outra geração, a da revolução, formada por jovens com interesse no entretenimento, mas também nas atualidades, na ciência, no mercado e na família. Com uma fé arrebatadora, invejável, são capazes de conseguir o que bem querem. São idealistas, determinados e se caracterizam por não terem medo de errar. Por isso, aprendem com os erros e se tornam excelentes prematuramente. Uma juventude definitivamente de sucesso! – apostei.
– Puxa! Então nem tudo está perdido.
– Não sei. Aliás, eu e você precisamos nos preparar para não virarmos empregados dessa geração que acabei de descrever. Com ela vamos sofrer para manter nossos empregos e clientes, porque essa geração revolução vai passar por cima inclusive dos que se dizem preparados, como nós. Se não buscarmos o aperfeiçoamento constante entrando em contato diário com a inovação e com a dinâmica deste planeta, poderemos fazer parte muito em breve daquela geração medíocre e ignorante. Não hesito em dizer que o mundo será comandado pelos donos do conhecimento salutar e pertinente ao desenvolvimento socioeconômico, familiar e cultural do planeta. Os outros... Bem, serão meros empregados operacionais dos geradores do conhecimento – pelo menos enquanto um computador com inteligência artificial de nível médio fizer melhor os serviços operacionais restantes. Eis, meu amigo, a geração medíocre e a geração revolução. Basta a nós escolher de qual faremos parte. Eu já escolhi a minha.


                                      Do Outro Lado
                                                            Marcelo Peruzzo

Você tem certeza absoluta de que existe alguma coisa depois que morremos? Será que há vida após a morte? Será que é bom? Essas são questões que acompanham as pessoas durante sua existência. Várias vezes queremos apenas um sinal do outro lado, que possa indicar: “Olha, tem algo aqui, sim. Ah! É muito bom.” Para muitos, os sinais estão em todos os cantos do planeta, pela simples genialidade que se revela na criação do homem e da natureza. Outros precisam de indícios mais concretos, explícitos.
Vou confessar: hoje entendo melhor tudo isso. Particularmente, acredito que de fato existe algo muito maior depois. Quando minha filha, Giulia, estava na barriga de minha esposa, Marcia, sempre acariciei a neném e conversei com ela. Então, a partir dos oito meses de gravidez comecei a imitar o som do bem-te-vi. Na primeira vez que executei tal canto, percebi, surpreso, Giulia se mexendo – quando saliências se formaram na barriga de minha esposa. Imediatamente, com muito cuidado e carinho, passei minha mão na barriga de Marcia, demonstrando afeto e reconhecimento do sinal que minha filha estava me enviando.
Agora presumo o que minha filha sentiu naquele momento. Ela, protegida no corpo da mãe, tinha alimento saudável em abundância e vivia em um espaço apenas seu, sem ter conhecimento do que existia fora daquele ambiente. Ali era o lugar ideal, seguro e confortável. Imagino a Giulia, a cerca de um mês de seu nascimento, em seu mundo pequenino, começando a escutar sons diferentes dos habituais, distintos daqueles emitidos pela mãe, que a bebê se acostumara a ouvir.
No episódio envolvendo o canto do bem-te-vi, sei que Giulia escutou ruídos que, na época, é óbvio, para ela ainda não remetiam ao pássaro, mas que eram um sinal, claro e evidente, de que havia realmente alguma coisa além daquele espaço em que ela vivia. Ao receber esse sinal, a criança se mexeu, demonstrando interesse e respondendo a ele. Ao notar sua movimentação e tratar de acarinhá-la, eu quis que ela concluísse: “Puxa! Tem alguma coisa lá fora. Existe algo a mais que este meu mundo. Meu Deus é bom, me trata com carinho. Eu quero sair daqui. Eu quero nascer.” E assim, meu amigo, veio à luz uma criança feliz, cercada de amor – mais um ser humano no caminho certo, que terá como foco o bem acima de tudo, porque sua vida começou da maneira correta.
Pergunto: será que uma criança prestes a nascer, ao escutar seu pai gritando com sua mãe, agredindo-a ou forçando-a ao sexo até as últimas conseqüências – pelo instinto selvagem, nojento e individualista do prazer masculino – realmente anseia vir ao mundo? Ela tem a certeza de que é bom do outro lado? Não. Mas independentemente de sua escolha, a natureza determina que ela tem que nascer. Nunca é tarde para mudar o quadro descrito, mas pode estar certo de que boa parte do amor requerido para a inclusão de um ser humano diferenciado neste mundo é deixada para trás quando as circunstâncias ilustradas se instalam.
Você pode e deve dar os sinais necessários para que seus filhos sejam especiais. Como pai/mãe, você passou mensagens que favorecessem essa situação? Existe, sim, uma mão invisível que nos transmite evidências de que o outro lado é bom. Logo, devemos retribuir essas manifestações exercitando a bondade e o amor. Nosso tempo aqui é bem superior a nove meses, mas garanto que, no que depender de nosso Pai, tudo será maravilhoso quando nascermos no outro lado – basta acreditarmos nisso e praticarmos o amor a Ele e ao próximo.


Professor Marcelo Peruzzo. Mestre em Gestão de Negócios. Professor convidado de cursos de pós-graduação em mais de 13 universidades e faculdades no Brasil. Gestor do IP2 Marketing de Resultado. Autor dos livros "Jesus de Gravata" e "Os Dez Mandamentos de Deus e os Pecados Organizacionais".


Contato:
Professor Marcelo Peruzzo
(41) 9103-1423

profperuzzo@profperuzzo.com
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