PONTO DE VISTA DO BATISTA

"Música" e violência

Pesquisas científicas realizadas nos Estados Unidos concluem que música "pode auxiliar no tratamento de pessoas, que sofrem de estresse e ansiedade associados à doença coronária". É o que dizem jornais e revistas especializadas. Segundo essas fontes, pacientes portadores de problemas cardíacos, submetidos a sessões de audição musical, teriam reagido com certo alívio em sintomas específicos.

Afora o fato de a constatação se verificar em problemas do coração, a notícia não chega a ser novidade, pois qualquer cidadão de medianos conhecimentos "está careca de saber" que música contribui, de alguma forma, para a melhora da saúde, assim como nossos avós já diziam que picadas de abelha são excelente remédio contra reumatismo. E está sendo comprovado agora que o veneno da abelha, realmente, combate o reumatismo.

Penso que o mais importante seria saber qual gênero de música é mais propício a provocar tais efeitos, porque não creio em efeitos iguais provocados por músicas de qualquer gênero, arriscando-me ainda a afirmar que alguns devem provocar efeitos totalmente adversos aos registrados pelas pesquisas. Pelo menos quanto a esses ruídos, tidos, consumidos e impostos como música aos nossos ouvidos, tenho certeza que não entram na conta das benéficas e, se considerado o alto volume em que são reproduzidos, agravam-se as conseqüências desse tipo de zoeira (recuso-me a chamá-la música) à saúde humana. Seria interessante que os mesmos pesquisadores focalizassem os efeitos desses tipos de "música", combinados com os meios e modos de reprodução, mais o alto volume. Temo pela confirmação da suspeita de que sejam fortes indutores de violência, especialmente no meio de grandes aglomerações.

A própria lei da dualidade, segundo a qual toda manifestação tem duas faces ou "duas metades inversas e complementares, contrárias e no entanto recíprocas, antagônicas mas necessárias", leva à conclusão de que algum tipo de música provoca violência. Sabendo-se que existe a música calmante, que predispõe ao relaxamento, usada pela mãe amorosa, que acalma o filho e o leva a dormir mediante a canção de ninar, é fácil concluir que existe a música extremamente excitante com efeitos contrários à canção do sono. Violência seria evitada se determinados tipos de "música" – sem levar em consideração a pornografia em muitas delas - fossem menos explorados, desligada a parafernália eletrônica ou reduzido o volume do som em determinados locais e momentos.

Mesmo a música dita "normal", de sabor popular, tem perdido qualidade. O carnaval oficial do Rio é o retrato do que acontece no campo da música. Comparem-se composições atuais para desfiles de escolas de samba, na Marquês de Sapucaí, com as de anos remotos. Nos últimos anos o que tem prevalecido são composições "colchas de retalhos", feitas com frases musicais de composições anteriores, cujas características nada mais têm de samba. Ouvido um "samba", conhecem-se os das demais escolas com ligeiras variações e, no ano seguinte, tudo se repete, disfarçadamente.

E, ao falar de música de carnaval, lembro-me que também compositores da santa madre Igreja partem para a apelação e o puro plágio. Quem se aproxima dos setenta anos vividos deve se lembrar da "marchinha" carnavalesca "Pescador" (mais conhecida como "domingo é dia de pescaria) lançada no início dos anos 50 (talvez 1952). Pois bem. Na recente procissão da Ressurreição, em Cachoeira do Campo, o coro paroquial entoou cântico (em ritmo de marcha) no qual foi enxertada toda a frase musical correspondente ao verso "porque na areia dá mais peixe que no mar" da citada "marchinha". O belo hinário, em letra e música, cantado outrora pelos católicos, foi deixado de lado para, em seu lugar, introduzirem-se essas mediocridades, que não melhoram nem com o plágio. É o fim da picada!

nbatista@uai.com.br

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