PONTO DE VISTA DO
BATISTA
Novidades da China
Da China tudo o que
chega parece novo e produz um impacto surpreendente, o suficiente para
suscitar incredulidade, porque estamos acostumados a ver o mundo sob uma
ótica até há bem pouco tempo considerada a única razoável e
condizente com o que denominamos civilização. Considerada a condição
de nação das mais antigas e seu isolamento do restante do mundo,
abrindo-se para o ocidente em passado recente, não é de se estranhar a
diferença que tudo dela representa para nós. E se nós consideramos
estranhos a mentalidade, o modo de vida, costumes e cultura chineses,
diferente não é a reação chinesa ante as "esquisitices"
que representamos para a grande nação amarela, cuja população de um
bilhão e duzentos milhões seria suficiente para destacá-la no
contingente global, se não fosse a riqueza de sua cultura e
contribuição para a história da humanidade.
Graças à abertura
que se processa para o ocidente e, em contrapartida, um pouco de
humildade e menor preconceito do lado de cá, o que se sabe, se faz e se
pratica na China começa a ser considerado como válido e não
manifestações de uma cultura exótica. A assimilação da medicina
tradicional chinesa é o mais forte exemplo dessa mudança de
mentalidade, especialmente por se tratar de conhecimento avançado e
ligado a uma área, até há pouco tempo, impermeável à idéia de
práticas que complementassem a medicina oficial. Quanto a hábitos e
costumes, o destaque fica por conta da culinária, desenvolvida e tão
abrangente que se pode dizer que o chinês é o povo que aprendeu a
comer "tudo que se move". Com tantas bocas a pedir alimento,
era natural que escrúpulos, em nós tão naturais, lá fossem mandados
às favas em nome da sobrevivência, levando a fome a zero antes que
programa oficial fosse lançado com o mesmo nome e propósito. Foi pena
que, em recente programa televisivo, não se tenha demorado mais na
apresentação de curiosidades de hábitos alimentares chineses, pois
muita coisa que sequer imaginamos faz parte daquele cardápio.
Entretanto, a rápida reportagem deu uma idéia do que é possível
comer na China sem horrorizar o vizinho da mesa ao lado. No lugar da
carne bovina ou suína no espetinho, poucos de nós imaginariam uma
fileira de gafanhotos. Além do exotismo do petisco, imaginem a
habilidade e paciência para atravessar o espeto no sentido
cabeça/cauda dos insetos! Coisa que só mesmo chinês pode fazer!E
inovações surgem na maneira de produzir carne mais macia e saborosa.
A mais recente
contempla os porcos com doze horas de música clássica, de preferência
concertos para piano, antes de serem abatidos. Diz-se que o recurso
elimina o estresse, produzindo carne mais macia. Pelo visto e em breve,
o consumidor poderá escolher sabor e grau de maciez da carne,
verificando o tipo de música ouvida pelo bichinho antes de virar
comida. Paladares mais refinados se dividirão entre concertos para
piano, de Beethoven; músicas para cravo e órgão de J.S. Bach;
concertos para violino de Vivaldi e mais boa música de muitos outros
grandes compositores. No caso dos restaurantes, problema sério surgirá
quando paladar apurado e ouvidos afinados e de bom gosto estiverem
concentrados em consumidor exigente. Qualquer tapeação notada no gosto
do lombinho, poderá redundar em discussão e reclamação no Procon. Se
não quiser problemas, o empresário do ramo deverá se voltar para
paladares menos exigentes. Estes não perceberão que o torresminho, a
pururuca ou a lingüiça podem ser de um leitãozinho torturado até a
morte com POCOTÓ.