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OCORRÊNCIAS E DECORRÊNCIAS
Guido Bilharinho
Nas últimas
semanas deram-se fatos que, alguns, não se imaginavam poder ocorrer
e, outros, demonstraram plano articulado em plena implementação.
Todos em detrimento da democracia, da liberdade e do aperfeiçoamento
civilizatório do país.
Tais ocorrências
e decorrências estão a exigir, para defesa da sociedade, que cada um
em particular e, principalmente, as entidades e associações
existentes tomem posição e enfrentem as tentativas obscurantistas de
retrocesso e de controle e domínio da sociedade por entes e grupos
organizados para evitar que se torne realidade o mundo descrito nos
livros Admirável Mundo Novo (de 1932), de Aldous Huxley,
1984 (de 1948), de George Orwell, e Fahrenheit 451 (de
1963) de Ray Bradbury, o que em muitos aspectos já está acontecendo.
Ao contrário do que se pensa, esse perigo é real, porém sofisticado
e insidioso, o que dificulta entendê-lo e combatê-lo.
A investida
da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicação) para monitorar por
meio da internet os contatos telefônicos fixos e móveis soma-se a
outras do mesmo gênero, oriundas de organismos estatais e privados
para controlar tudo o que os cidadãos fazem, falam e produzem.
Como já
denunciado, a referida agência sem autorização judicial terá acesso
irrestrito e total aos números telefônicos chamados e recebidos,
datas das ligações, horários de duração e valor das chamadas.
Aduzido a isso, e
correndo em paralelo, vem arcebispo da Igreja Católica dizer, em
inadmissível ingerência, que a presidente Dilma “precisa explicar
melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa
progredir”.
A
presidente não precisa e não pode explicar tais “convicções” sob
pena de subordinação indevida do Estado à religião, seja ela qual
for. Nesse caminho, todas as demais religiões também se sentirão
autorizadas a exigir tais “explicações”, como também, com mais razão
ainda, os ateus. O Estado é laico e a sociedade é composta de
inúmeras crenças e descrenças, que devem se compor e se comportar
democrática e civilizadamente nos seus limites, não além.
Já o
movimento religioso liderado por outro arcebispo para revogação do
disposto no artigo 128 do Código Penal, que não criminaliza o aborto
nos casos de gravidez resultante de estupro e em que põem em perigo
a vida da mãe, é do mesmo naipe, além de contraditório, tanto por
admitir a possibilidade da morte da mãe como por violar o sentimento
maternal, impondo-lhe o fruto de inaudita violência.
O pensamento
unilateral, que é de estrato ditatorial e discricionário, além de
frequentemente atrabiliário, mantendo-se isolado, protegido e
distante dos bates e embates da vida concreta, tem dessas
cavilações. Principalmente, quer infligir e aplicar seu ideário e
pontos de vistas às demais pessoas e a toda a sociedade.
Já não
basta, ao povo brasileiro, suportar a atuação predatória dos
partidos políticos, que só vêm atuando como via de obtenção de
cargos e empregos governamentais para em grande parte deles cometer
fraudes e desvios de recursos, como os acontecidos na Funasa
(Fundação Nacional da Saúde) e no porto de Paranaguá?
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Guido Bilharinho é advogado em
Uberaba, foi candidato ao Senado Federal e editor da revista
internacional de poesia Dimensão, sendo autor de livros de
literatura, cinema e história regional.
(Publicação autorizada pelo autor)
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