PONTO DE VISTA DO BATISTA

Nem oito e nem oitenta!

In medio virtus (a virtude está no meio) expressa bem a verdade quanto ao posicionamento a ser assumido no julgamento de grande parte das questões, que nos são colocadas, e na aceitação de outro tanto de conceitos apresentados como indiscutíveis, definitivos; como diz também o adágio popular, "nem tanto ao mar, nem tanto à terra", para dizer que o equilíbrio é mais saudável e posições extremas não condizem com bom senso. Na maioria das vezes, radicalização tem conseqüências desagradáveis.

A relação entre hábitos alimentares e saúde é uma das questões, que suscitam polêmica, uns a defender o banimento de certos alimentos tidos como prejudiciais e outros a zombar dessa posição com pilhérias e prática abusiva no consumo dos mesmos alimentos. Com base em conceitos científicos ou não, os extremos se manifestam para, mais tarde, diante de uma revirada na "verdade" inicial, os dois grupos se vêem perdedores.

Como célula inicial da vida, portadora dos mais importantes nutrientes necessários ao organismo humano, o ovo sempre foi considerado alimento completo, recomendado praticamente em todas as dietas, até o dia em que foi associado ao aumento dos níveis do colesterol no sangue. Daí em diante, o ovo tornou-se vilão, pressuposto portador da morte prematura para muita gente, que o baniu da mesa com o mesmo ardor com que o mantinha antes no prato. Até as penosas passaram a morrer mais cedo, antes de serem galinhas, poucas escapando sob a função precípua da preservação da espécie entre as que ainda ciscam em terreiros.

Como nem tudo, que hoje é, no futuro será, o que foi no passado pode voltar a ser! Em assim sendo, reviravolta se deu nos conceitos científicos sobre o ovo, a partir de novos estudos e pesquisas em laboratórios. Para a satisfação dos que sabem apreciar ovos como alimento sob variadas formas, e para a alegria da galinha, novamente reconhecida como benfeitora da nutrição, anuncia-se, agora, a reabilitação do ovo. Volta ele a assumir posição de destaque na nutrição, sem os riscos para a saúde, por algum tempo admitidos. Não que tenha deixado de carregar na gema alta dose de colesterol, cuja existência se assenta em razões talvez ainda não bem conhecidas. O que não se sabia é que ao lado do colesterol, na gema do ovo, uma substância funciona como antídoto a impedir que ele seja absorvido pelo intestino e, conseqüentemente, pelo sangue.

Mais uma vez se constata a sabedoria da natureza, reflexo da sabedoria divina, que tudo prevê e equilibra. Quando em harmonia com essa mesma natureza e consideradas as necessidades do organismo acima do prazer proporcionado pelo alimento, o indivíduo nem precisa se privar daquilo que lhe apetece. Não tiveram prejuízo, portanto, na saúde e no paladar, os que pautam pelo equilíbrio, ao contrário dos que, dando excessivo crédito às conclusões precipitadas da ciência, foram para o sacrifício. Assim como o ovo, outros alimentos, hoje rejeitados como prejudiciais com base em pesquisas, amanhã poderão ser reabilitados, e, então, mais uma vez, muitos terão a lamentar o que se perdeu. Da mesma forma, o aprovado como benéfico hoje, amanhã poderá estar na lista dos alimentos tidos como veneno.

Fico a pensar se, entre esses, não estará o óleo de soja que substituiu a gordura animal, não faltando nem mesmo a mal explicada "peste suína" no golpe final para a troca. Fiquemos, pois, no meio: nada de abstinência total e nem avançar na lua como se esta fosse queijo!

nbatista@uai.com.br

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