PONTO DE VISTA DO
BATISTA
Olhar míope sobre o
turismo
Satisfeitas as
necessidades básicas, variáveis, que o tornam pronto para interagir
com o meio em que vive, o indivíduo consciente de sua relação com a
sociedade e o mundo provoca a abertura de escaninhos de sua mente. Lá
ele descobre outras necessidades e mais outras, e parte para
satisfazê-las até que se sinta parte de uma rede de indivíduos
empenhados nas mesmas buscas, resolvendo-as e estabelecendo novas metas
para sua satisfação pessoal. Nessa busca entrelaçada e contínua,
ensina, apreende e estabelece laços com terceiros. Conhecer é
necessidade primordial do intelecto humano, e, ser conhecido e
reconhecido é a outra face da mesma necessidade que, plenamente
satisfeita, provoca o círculo virtuoso.
Ao abrir os olhos
para a vida, o bebê os move em todas as direções, buscando conhecer e
assimilar impressões que o orientarão; em contrapartida, quer também
ser conhecido, por isso chora quando se sente só. Ele quer atenção
sobre si. Ele quer conhecer e tem necessidade de ser conhecido. E essas
necessidades vão acompanhá-lo por toda a vida. À medida que cresce e
se desenvolve intelectualmente, o indivíduo amplia seus conhecimentos e
procura aplicá-los em realizações por meio das quais poderá ser
conhecido. No fundo, mesmo dentro da classificação altruísta, essas
realizações não deixam de ser um meio de o indivíduo satisfazer
aquela necessidade, muito própria da espécie. Dessa necessidade de
conhecer e ser conhecido, buscar coisas novas e mostrar realizações,
pode-se dizer que nasceu o turismo, esse tremendo intercâmbio informal
que movimenta milhões de pessoas em todo o mundo, umas se deslocando de
seus domicílios para visitar, conhecer, e outras se preparando para
receber e serem conhecidas por intermédio de suas realizações e
cultura. Em princípio, nada fica de lado na troca de informações,
porque da parte que busca há expectativas em torno de tudo que possa
ser oferecido: história, artes, lazer, costumes, gastronomia,
atividades econômicas, religião, fenômenos da natureza, a própria
natureza e tudo mais que se enfeixa como cultura. Se tudo é objeto de
busca e em todos os lugares há oferta de algo ao conhecimento, fica
claro que nenhum lugar do planeta está excluído do roteiro global de
turismo. Pena é que, às vezes, a falta de visão mais ampla sobre a
questão constitui obstáculo à informação, ocasionando restrições
a roteiros turísticos e frustrações a comunidades com potencial a ser
explorado.
Ao contato feito pela
produção da Rede Minas de Televisão, antes de colher e levar ao ar,
recentemente, informações sobre Cachoeira do Campo, a Assessoria de
Comunicação da prefeitura de Ouro Preto, respondeu que nos planos da
administração municipal não consta o interesse de promover o turismo
no distrito; que havia, sim, projeto de transformá-lo em aprazível
local onde morar. Infeliz reação daquela assessoria! Não quanto à
idéia de desenvolver Cachoeira do Campo com objetivo principal de
moradia, que merece o aplauso de todos. Antes de o olhar municipal se
voltar para essa possibilidade reservada a Cachoeira do Campo, boa parte
da população de Ouro Preto e dos que para esta região se transferem
já escolhia o distrito para fixação de residência. Mas, na negativa
ficou implícito o preconceito de que o turismo traz intranqüilidade e
não condiz com a boa qualidade de vida que merece uma comunidade. Nada
mais falso! Pelo contrário, o verdadeiro turismo, bem administrado,
pode ser a mola mestra na melhoria da qualidade de vida, via
valorização do trabalho e cultura locais. No caso de Ouro Preto, o
turismo é predatório e os benefícios são poucos, em comparação aos
prejuízos, porque somente agora se toma consciência, pelo menos no
setor empresarial, de que promover o turismo não é escancarar a
cidade; atrair a massa predadora; realizar eventos barulhentos.
O verdadeiro turismo
é silencioso, tranqüilo, com mais, ou menos, intensidade conforme a
época, mas persistente, quando bem administrado, sobretudo na
capacidade de bem receber! Quanto aos que sonegaram apoio à iniciativa
da Rede Minas de Televisão, que os turistas os perdoem. Eles não sabem
o que falam!