PONTO DE VISTA DO BATISTA

"O LIBERAL" atinge a maturidade

Em agosto de 1988, de forma tímida e pela iniciativa do jornalista D. J. Rendeiro de Noronha, auxiliado pela esposa Paula Karacy, circulou pela primeira vez O LIBERAL, jornal que, firmando-se aos poucos, consolidou-se como referencial de veículo de comunicação impressa na Região dos Inconfidentes. Na primeira quinzena de deste mês, portanto, completam-se dezenove anos de sua fundação. Da edição mensal, distribuída aos domingos à porta da igreja, depois da missa, em carrinho de feira, passou a quinzenal por algum tempo, firmando-se, posteriormente como semanário regional.

Como qualquer empreendimento na área, notoriamente os alimentados mais por idealismo, o jornal O LIBERAL teve sérios obstáculos à sua frente, constituídos pela força de interesses estranhos, contrariados pela posição de sentinela da coletividade assumida pelo novo veículo. Não faltou nem atentado a bala contra o fundador e funcionários em pleno trabalho; crime até hoje não elucidado, como tantos outros sem testemunha, ocorridos nos limites do município de Ouro Preto. Com objetivos além da simples intimidação, a covardia da autoria se converteu, na vítima, em estímulo ao prosseguimento da luta em defesa da ética e transparência, nas atividades públicas, assim como em negócios de interesses privados com ressonância no coletivo.

Em janeiro de 1989, poucos meses após sua fundação, integrei-me, por convite, ao corpo de articulistas não remunerados e vi de perto o trabalho exaustivo de fazer o jornal, artesanalmente, tendo como único meio mecânico velha máquina de escrever. Registre-se ter eu aceitado o convite, porque não via o jornal prosseguir muito além no tempo, no máximo o bastante para que fosse publicada meia dúzia de textos meus. Felizmente, quebrei a cara! No início, a redação funcionava num quarto da residência dos seus fundadores e proprietários, e em meio à balbúrdia dos filhos ainda na fase de pirralhos gritantes; portanto carentes de toda atenção dos pais.

Em março de1993, também por convite do Noronha, tornei-me funcionário do jornal, já semanário e estabelecido em instalações independentes, porém alugadas. A essa altura, o jornal já entrava na era da informática, mas ainda demorou a sair da fase massacrante, que exigia da equipe longas jornadas noturnas, varando madrugada, ao fechamento de cada edição. Mas, sua consolidação podia ser sentida na própria expansão da imprensa escrita na região, que viu surgir vários outros veículos, estimulados pela audaciosa iniciativa de D. J. Rendeiro de Noronha.

Não foi fácil o início do O LIBERAL, mas o gosto da vitória seu fundador ainda pôde sentir, despedindo-se deste mundo em outubro de 2003, consciente de que deixava o jornal como a obra de sua vida.

Participante da vida deste veículo desde o início e seu funcionário há quase quinze anos, sou observador e testemunha privilegiada das transformações positivas pelas quais passa. Antes que se completassem quatro anos da morte do Noronha, o jornal O LIBERAL tem suas instalações em prédio próprio, e, nas duas últimas semanas ultrapassou nova fase, ao ser administrado e editado exclusivamente pelos irmãos Noronha, por ter estado em viagem a mãe e editora Paula Karacy.

Sob a editoria do Paulo Felipe, coordenação financeira da Labybe Maria e paginação da Sylvana Isaura, o jornal O LIBERAL circulou pela primeira vez sem a participação direta de, pelo menos, um de seus fundadores.

Noronha, onde estiver, deve estar feliz e orgulhoso pela continuidade do O LIBERAL nas mãos de seus filhos!

nbatista@uai.com.br

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