Omissão, parceira da
impunidade
Muita discussão ainda se
fará quanto às causas da criminalidade e da violência, pois é certo
que causas há várias, algumas mais visíveis a uns que a outros,
dependendo do ângulo em que o observador se coloca, daí a
interminável polêmica. Bem melhor seria se cada qual atacasse a
causa que vê, sem qualquer pré-julgamento da posição dos demais
quanto ao problema, bastando aceitar que a soma de todos os esforços
poderia reduzir a tendência maléfica dentro da sociedade.
Maior concordância de
opiniões se observa, entretanto, quanto ao que alimenta a
criminalidade ou, pelo menos, não lhe tira a força e poder com os
quais seduz e induz os mais fracos de espírito, ou tendentes à
marginalidade. Na qualidade das leis, que primam pela benevolência
com criminosos, e na omissão e ações inadequadas das forças de
segurança diante do crime reside o seu maior incentivo.
A onda de crimes contra os
dois extremos da vida, vitimando crianças pela pedofilia e anciãos
por maus tratos e violência, não é coisa nova e, por isso, em
relação a essas frentes do mal as leis já deviam ser claras e mais
rígidas contra os agentes dessas modalidades criminosas. Não é o que
acontece, pois os criminosos escapam com grande facilidade da
punição que, diga-se de passagem, já é branda.
Não há muitos dias,
noticiário policial mostrou situação vivenciada por senhora idosa,
em cuja companhia mora o genro viúvo e seu dois filhos. Não tendo
emprego fixo, homem e filhos dependem do trabalho da sogra/avó, que
é diarista. Até aí tudo bem, se o homem se comportasse nos limites
da ética e da decência, mas o energúmeno, pilantra e mal agradecido
faz exigências à provedora de sua subsistência e ainda a agride
fisicamente, quando não satisfeita sua vontade. A senhora, de
cabelos brancos, rosto vincado pelas agruras da vida ainda ostentava
equimoses resultantes da violência do genreador. O caso foi
registrado na delegacia de Polícia e, como solução, a vítima foi
orientada a buscar refúgio na casa de parentes ou amigos. Pela
lógica, esperava-se que fosse o retirado o intrujão, explorador e
agressor da idosa, mas foi esta que teve de sair de sua própria
casa. É o cúmulo da inversão de valores e do desrespeito aos
direitos da pessoa humana, sobretudo de uma mulher idosa, sob a
passividade da lei!
Entre matadores maníacos a
apavorar as populações, de tempos em tempos, todo o país se informa
sobre a campanha assassina de inimigo de homossexuais em cidade da
Região Metropolitana de São Paulo. Mas, se a ação desse criminoso
repugna, omissão e passividade da parte policial causam estranheza,
pois já são treze homossexuais assassinados no tempo compreendido
entre fevereiro/2007 e agosto/2008, dentro de parque público sem
iluminação. Doze dos crimes se cometeram sob o mesmo modus
operandi (um tiro na nuca) e apenas uma vítima morreu a
pauladas. Os crimes se sucederam quase à média de um por mês e ainda
assim as investigações foram isoladas e superficiais. Desde o início
da matança, quase dois anos se passaram para que a imprensa fosse
informada, e, até esse dia (08.12.08) nenhum exame balístico dos
projéteis e nem analisado o DNA do material genético encontrado nas
vítimas.
Diante das câmeras de
televisão, o delegado responsável foi enfático: "serão envidados
todos os esforços para que seja identificado e preso o criminoso.
Não quero que a décima quarta vítima tombe na minha área". Foi
preciso que morressem mais doze, passassem vinte e dois meses desde
o primeiro caso, e à sua frente estivessem os holofotes da TV, para
que se jactasse de sua autoridade. Devê-lo-ia ter dito em relação à
segunda, quando tombou a primeira vítima. Em que pesem a seu favor
as alegadas condições adversas da delegacia, melhor teria sido se
mantida a boca fechada!