O orgulho de ser ouropretano
Pela primeira vez na história
do município de Ouro Preto, um projeto de grande alcance em termos
populacionais é executado, visando toda uma região fora dos domínios
da sede municipal. Deixando de lado implicações de ordem política,
deve-se reconhecer que a solução do abastecimento de água em toda a
região de Cachoeira do Campo vem de encontro às aspirações do povo,
cujas necessidades nesse aspecto eram sempre atendidas com paliativos
isolados, que não satisfaziam a comunidade como um todo. O novo
sistema, em implantação, tem o mérito de ultrapassar fronteiras
distritais, de acordo com informações da administração municipal,
para beneficiar o maior número possível de cidadãos dos núcleos
urbanos de cada distrito da região e povoados adjacentes. É um grande
passo não só para a qualidade de vida como também para a integração
do município, sabendo-se ainda que o desenvolvimento dos distritos de
forma equilibrada é garantia de menor pressão na expansão urbana da
sede municipal. Respeitadas as características e peculiaridades de cada
um, os distritos merecem solução de problemas comuns com tratamento
igual, o que contribui para a elevação do orgulho de ser ouropretano,
antes do sentimento votado ao distrito ou povoado onde o cidadão
reside. E motivação para o orgulho é o que mais necessita o cidadão
residente fora da sede municipal, porque a fama provoca demasiada
atenção contemplativa sobre a cidade, com conseqüentes divergências
sobre a maneira de preservá-la, enquanto os distritos ficam à sombra
do esquecimento. Projetos como este tendem a reverter a situação, pois
elevam a auto-estima coletiva dos distritos, se a média dos cidadãos
se sente satisfeita com o novo serviço. Seria interessante que em
outras áreas, a mesma política fosse adotada, com os olhos voltados ao
mesmo tempo para todas as comunidades de uma mesma região.
A água, um bem do qual toda a
humanidade depende por imposições biológicas, é motivo de grande
preocupação em todo o mundo, chegando os mais pessimistas a prever
conflitos armados pelo seu uso. Não é o caso do Brasil, se falarmos em
volume de água, uma vez que detém um dos maiores potenciais hídricos
do planeta. Pena é que essa vantagem se perde diante da má
distribuição do benefício às populações e do desperdício
generalizado!
Mesmo antes da explosão
populacional, a região a ser beneficiada com o novo sistema sempre teve
um abastecimento precário, tanto no tempo dos chafarizes públicos onde
a maior parte da população se abastecia, quanto depois da
democratização da água encanada. Felizmente, a precariedade não
está na ocorrência de água, mas no próprio sistema de captação e
distribuição, fracionado em número igual ao de comunidades
abastecidas. Com a captação da água no córrego do Funil e
implantação de grandes reservatórios nos pontos mais altos,
interligados por uma rede adutora dentro dos padrões técnicos, toda a
população dos distritos de Amarantina, Cachoeira do Campo, Glaura e
Santo Antônio do Leite, incluindo-se subdistritos e povoados, será
abastecida de água potável. Será o fim definitivo da lata d’água
na cabeça, do abastecimento em poços precários, em bicas duvidosas e
das torneiras secas. E as várias comunidades estarão ligadas por um
elo comum, que representa vida. Oxalá, possa surgir desse vínculo
físico o sentimento de orgulho por sermos todos ouropretanos. Ouro
Preto precisa muito disso!