O principal
ponto ao qual o movimento - que chamo de "Resistência pró Dom Bosco"
- deve se ater é a forma como os imóveis foram parar nas mãos da
congregação salesiana. Levantou-se a questão do vício de origem; ou
seja, em 1893 (quando feita doação) os imóveis não pertenceriam ao
Estado de Minas Gerais, mas, sim, à União, porque esta é a sucessora
da coroa imperial, à qual os imóveis pertenciam antes da instauração
da República. Em apoio a esta tese, ainda não definitivamente
comprovada mediante documentos, apresento trechos da obra "Os
Salesianos em Minas Gerais" volume I (Editora Salesiana Dom Bosco -
São Paulo - 1986), de Riolando Azzi, pesquisador, historiador
especializado em historiografia religiosa e eclesiástica, ao qual a
própria congregação salesiana confiou o trabalho de registrar a sua
história no Brasil. Diz o autor, em sua obra, que em atendimento a
pedido do padre Afonso Henrique de Figueiredo Lemos, então pároco de
Cachoeira do Campo - que desejava ver os imóveis com melhor
aproveitamento - em 7 de julho de 1881, (pág.56) D. Pedro II
informava ao ministro dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras
Públicas, por intermédio do Barão de Nogueira da Gama, sua
disposição em ceder o "usufruto da Coroa sobre o próprio nacional
denominado Coudelaria de Cachoeira do Campo, na província de Minas
Gerais, para ali ser fundado algum estabelecimento que ao governo
pareça de utilidade pública". A partir daí procedeu-se o
levantamento das propriedades, informalmente denominadas "Palácio" e
"Quartel". Em 26 de janeiro de 1885, (pág.56) o governo da Província
de Minas Gerais "era informado de que o imperador havia desistido
do usufruto da Coudelaria de Cachoeira do Campo, pelo que cumpria
que fossem prestadas com urgência as seguintes informações: quais as
condições topográficas, geológicas e climatológicas da referida
fazenda, sua área, os edifícios de que dispunha, o estado em que se
achavam, a que distância ficava da estrada de ferro mais próxima e
de centros comerciais, a importância destes, e finalmente qual a
melhor aplicação que se lhe pudesse dar." Em 25 fevereiro de
1885, (pág.61) o governo provincial de Minas remeteu ao governo
imperial, manifestando a "conveniência de se estabelecer ali uma
colônia agrícola...". Entretanto, a ideia só começou a tomar
corpo em no início de 1889, (pág. 62) quando foi solenemente
instalada. Em novembro daquele mesmo, foi proclamada a República e,
pouco depois, os trabalhos foram suspensos. Em nenhum momento, Riolando Azzi fala em transferência da propriedade nacional para o
governo da Província de Minas Gerais. Quando proclamada a República
os imóveis estavam sob a administração do governo da Província, mas
continuavam sendo propriedades da coroa. Interessante observar que
Riolando Azzi, meticuloso em sua narrativa como profissional, e
estando a serviço dos salesianos, teria cometido grande falha, se
transferência de propriedade tivesse havido para o governo
provincial e ele não a registrasse na obra. Ele diz que a colônia
agrícola foi solenemente inaugurada com o nome de "Dom Pedro II"
poucos meses antes da proclamação da República. Na República, o
governo de Minas a rebatizou como "Cesário Alvim" e a abandonou.
Os números
abaixo correspondem às páginas, inseridas, da obra de