PONTO DE VISTA DO BATISTA

País pelo avesso

Diante de fatos que nos assustam, oprimem e escandalizam, somos levados a crer que caímos num mundo paralelo, onde o certo é o errado; ou seja, um mundo avesso daquele que nos foi apresentado à medida que com ele entramos em contato ao longo dos anos. Não o reconhecemos como nosso quando, por exemplo, consideramos a máxima de que o “direito de cada um termina onde começa o do próximo”.

 Este princípio, que torna equilibradas as relações humanas, desaparece sob o império pessoal, voluntarioso, que leva às últimas conseqüências o avanço sobre o direito de terceiros. Sua quebra, verificada desde o berço, quando pais se deixam dominar pela vontade do filho, resulta em desvios de conduta entre os quais a corrupção, crime manso, sutil e incruento, mas nem por isso isento de culpa em tragédias humanas, uma vez que se inclui entre fatores determinantes de carências coletivas. Na outra ponta se encontra a criminalidade aberta, cruenta ou incruenta, contra vida e/ou ao patrimônio e, por isso mesmo, formadora da população carcerária, em sua maioria.

Dos corruptos poucos caem na prisão, e, os bandidos declarados, eventualmente apanhados nas malhas da lei, gozam de mais segurança e liberdade para a prática crimes quando estão na prisão do que quando cá fora, por paradoxal que possa parecer. Recentes ações guerrilheiras coordenadas de dentro de penitenciárias paulistas demonstraram a que grau de organização chegaram os bandidos, tendo como bases de operação os presídios onde estavam os chefes. Em liberdade nunca chegaram a tanto! A reação de alguns setores diante do número de bandidos mortos, superado o elemento surpresa, maior causa de vítimas nas forças de segurança, foi algo que saltou aos olhos como exemplo da inversão de valores em que vive a sociedade brasileira. Em nenhum momento entidades promotoras dos direitos humanos se preocuparam em saber como policiais se feriram ou morreram, ou como ficaram seus familiares. Alguns dias depois, policiais denunciavam o descaso das próprias autoridades! Com relação aos bandidos mortos, inúmeras vozes se levantaram em questionamentos! É oportuno lembrar que há muitos presos inocentes, e, entidades dos direitos humanos, igualmente, os esquecem. Mesmo depois de provada sua inocência, continuam a mofar na prisão.

Quanto ao funcionamento dos presídios, não se entende, por exemplo, como ali entram drogas, armas, celulares e qualquer outra coisa que queiram os detentos, enquanto cá fora o cidadão em paz com a sociedade não consegue ultrapassar a porta do banco para pagar suas contas. Basta a chave no bolso, moedinhas, até mesmo prosaica fivela em peça íntima feminina, para aquela irritante engenhoca apitar, travar-se e impedir a entrada de pessoa pacífica. Aquela coisa está lá a perturbar meio mundo e quem quiser acreditar que ela controla ou impede entrada de bandido, que acredite. Muita gente faz que acredita. O banco também finge acreditar que o estrupício dá segurança! Só assaltante faz questão de demonstrar que não acredita.

Bandidos detentos têm permissão para visitar parentes, e da oportunidade se valem para cometer mais crimes, mas o trabalhador correto nem sempre pode estar em casa no Dia das Mães, no Natal, Ano Novo, e noutras datas importantes.

Já que vivemos em mundo pelo avesso, que assim deverá continuar, a julgar pela impunidade dos envolvidos em sucessivos escândalos políticos, adotemos o VOTO ZERO nas próximas eleições. Partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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