PONTO DE VISTA DO BATISTA

Parece mentira!

Bem feito para quem, entusiasmado com o acolhimento pelo STF das denúncias contra os quarenta ladrões do esquema "mensalão", acreditou que políticos sem caráter tomariam vergonha de ora em diante. O inusitado, configurado pelo grande número de políticos e personalidades de grosso calibre convertidos em réus na mais alta Corte, fez pensar aos mais renitentes otimistas que ninguém mais teria coragem de afrontar a ética e a moral, valendo-se de seu cargo eletivo, pois a Justiça está a postos para inibir, cobrar e punir.

Teriam razão para assim pensar, se o nosso sistema político estivesse assentado em bases coerentes com o pensamento da nação, sintonizado com a ética e os princípios morais que regem a consciência da grande maioria brasileira. Não tinham razão para acreditar agora, assim como não tiveram em ocasiões semelhantes anteriores. E poucos dias foram suficientes para se jogar abaixo o edifício da expectativa em relação à moralidade na política.

O caso do presidente do Senado Federal, enroscado até o pescoço com mutretas decorrentes de suas "puladas de cerca" e inocentado por seus pares, foi o grande balde de água fria no fervor dos otimistas. Um simples caso de alcova que, no mundo dos comuns mortais, redundaria em ação por pensão alimentícia e outros dissabores, o senador treteiro transformou em formidável renda de doze mil reais mensais a título de educar a infante nascida de seus amores clandestinos. Negociou suas obrigações paternais com empresa interessada em contratos com o governo! Em país mais sério, o ilustre acusado teria renunciado ao se ver descoberto e teria sido punido!

Na mesma semana, em Ouro Preto, outro fato deixou a população estupefata quanto ao nível moral de representantes seus na Câmara Municipal, que se revelaram à mesma altura de indivíduos, ora sob custódia da Justiça, por crime de arrombamento e invasão. Célebre por suas arruaças durante sessões do legislativo municipal, quando ainda não eleito, e por exibir o traseiro desnudo em cerimônia cívica, o agora representante do povo arromba e invade repartição pública municipal, acompanhado de um dos seus pares. Não importam as razões alegadas, pois os fins não justificam os meios; e estes foram próprios da marginalidade!

Pergunte-se ao ouropretano, de qualquer ponto do município, qualquer condição social, cumpridor de seus deveres como cidadão honesto, se aceita ser representado por arrombadores, no Legislativo municipal. Claro que a resposta é NÃO! A indignação contra o ato praticado pelos dois é geral, e não poderia ser outra a reação, pois ao depositar seu voto na urna, o eleitor consciente presume que esteja a escolher alguém que seja, no mínimo, do seu porte moral. Os dois cuspiram na cara do povo, lançaram a representação popular à lama e conspurcaram a Câmara Municipal de Ouro Preto! Não merecem o cargo que lhes foi conferido pelo eleitorado.

Para reparar a ofensa feita ao povo, em especial ao eleitorado, espera-se que em processo de desagravo por sua honra manchada, a Câmara Municipal casse os mandatos dos dois. Lugar de arrombador, com ou sem pedigree, é na cadeia! CASSAÇÃO JÁ!

nbatista@uai.com.br

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