PONTO DE VISTA DO BATISTA

Partidos políticos, uma nulidade!

Em quinze deste janeiro completaram-se vinte anos do fim do regime militar, ao que deveria corresponder também vinte anos de democracia, não fosse o regime, que vivemos, apenas um arremedo com o qual se enganam tolos portadores do título eleitoral. Mal formado por uma educação deficiente em todos os aspectos, tendo como contrapartida no seio da população uma cultura que ainda considera mais válido pé na bola de que cabeça na escola, o brasileiro lambe botas, lambuza-se no processo de escolha dos governantes, e representantes nos parlamentos, convicto de que eleição livre - ainda com voto obrigatório - é garantia de democracia.

Muito mais do que carregar resquícios do regime militar e vícios de caserna, ditos em denúncias de alguns como ainda prevalecentes na estrutura do governo, a democracia tupiniquim peca por não configurar a vontade do povo. Nem mesmo a propalada liberdade de imprensa é verdadeira, pois aqui e ali o poder econômico ainda consegue documento legal que faz calar pequenos veículos, talvez em menor escala, comparando-se com a chantagem de cunho político contra os mesmos. Temos então formação decadente e informação canhestra, dois importantes fatores que contribuem para a manutenção do que se pode chamar máscara democrática, sob a qual toda a estrutura política é controlada por uma minoria formada pelas cúpulas dos partidos. Estes, afora denominações e siglas, pouco diferem entre si. São como divisões do mesmo curral, que os políticos saltam, pra lá e pra cá, sem o menor constrangimento, pouco ou nada lhes importando a vontade do eleitor que o escolheu dentro de determinado partido. O princípio da representatividade é desvirtuado com os conchavos interpartidários, por meio dos quais se decide o que impor ao povo, em lugar de ouvir-lhe as reivindicações e resolver questões de extrema importância para a coletividade e para a vida do cidadão. Enfim, para o cidadão, a democracia se resume na obrigação de votar! O resto fica por conta das panelinhas político-partidárias, das quais só participam os caciques ou "donos" de partidos! E no resto do mundo chamado democrático, não é muito diferente, se considerados os índices de rejeição popular aos partidos políticos, até nos países mais desenvolvidos.

Ainda sob os eflúvios da noite de Natal, o mundo ouviu e aprendeu a falar a palavra tsunami, ao tomar conhecimento da maior tragédia natural dos últimos anos, tendo como palco países asiáticos banhados pelo Oceano Índico. A partir do epicentro de grande terremoto ocorrido nas profundezas do oceano, ondas com mais de dez metros de altura avançaram até cinco quilômetros sobre o território de vários países, provocando quase duzentas mil mortes e milhões de desabrigados com o arrasamento completo de muitas cidades. A vida organizada simplesmente desapareceu para populações inteiras, levando-as à dependência da ajuda humanitária e da solidariedade. E a solidariedade surgiu entre cidadãos e da sociedade organizada dos próprios países atingidos, espalhando-se, posteriormente, para todo o mundo à medida que detalhes da tragédia eram divulgados.

Não foram e não são partidos políticos que coordenam o socorro aos povos atingidos, mas a outra parte da sociedade organizada de lá e de qualquer outro ponto do planeta onde as tragédias ocorrem, ficando os governos com o fornecimento dos meios e garantias legais. Essas mesmas forças ainda não descobriram que têm capacidade para conduzir o processo político de seus respectivos países, dispensando-se a intermediação dos partidos, que já se esgotaram em sua própria nulidade!

nbatista@uai.com.br

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