PONTO DE VISTA DO BATISTA

Partido político já era

É inegável que, mesmo falhando quando aos objetivos sociais, principal bandeira do governo petista, o país alcançou estágio que renova esperanças no seio da sociedade. Contudo, isso só foi possível porque o PT, depois de instalado no poder, adotou linha mais flexível, deixando de lado a política da virada de mesa pregada nos vinte anos de oposição, desde que surgiu. Mais uma vez ficou evidente que políticos e respectivos partidos têm duas caras: uma cá fora e outra lá dentro do balcão. Por continuarem com a mesma cara, contrariando a regra, e votarem contra a orientação partidária na questão das reformas, quatro petistas foram expulsos do PT. A expulsão mostrou as duas faces da questão: de um lado as regras internas, escritas para sedimentar a estrutura do partido e, do outro, a posição individual de cada detentor de cargo eletivo. As regras não foram impostas de fora, mas discutidas e votadas pelos fundadores do PT. E ao que parece, pelo menos um dos expulsos era membro desde a fundação. Depois de três tentativas frustradas, o PT venceu, tomou posse, mas optou pelo caminho ora trilhado, sem que se alterasse uma letra no referente ao dever de fidelidade ao partido na hora de votar qualquer matéria. Entre a vontade partidária e a coerência com os princípios antes defendidos, os insatisfeitos preferiram a segunda. Até aí tudo bem. Só não podiam contar com a capitulação partidária diante da rebeldia, pois regra escrita tem de sr cumprida, embora nem sempre isso aconteça neste país. O PT não podia fazer vistas grossas diante do acontecido, sem o risco de se desmoralizar. Se beberam do próprio veneno, os quatro o fizeram de forma consciente, razão pela qual não têm que reclamar. Foram seduzidos pela cultura de que regra ou lei é feita somente para os outros, ou deve ser alterada segundo as nossas conveniências.

Infelizmente, o sistema político-partidário, por muito que digam ser democrático, está longe de representar a vontade do povo. Representa, sim, grupos que fazem jogo de cena para o povo, pois os partidos, embora se mostrem com portas abertas aos cidadãos, estes sob a condição de militantes não conhecem nada da agremiação, cujas diretrizes são determinadas por uma minoria, os "donos do partido". Fora do núcleo interno do partido, a militância é apenas figurante - como em filmes - para encher a cena, a tela e os olhos do espectador! O quadro se completa com o oba-oba do eleitorado! E para que o cidadão participe ativamente da política como pretendente a cargo eletivo, em qualquer nível, a lei exige que se filie a um dos partidos disponíveis, o que corresponde a sujeitar-se aos interesses do grupo mandante. Por fim, cabe ao eleitor escolher entre os pré-escolhidos nem sempre qualificados para o exercício do cargo, mas detentores de grande poder de interação com o eleitorado e algo maleáveis em relação aos interesses de seus caciques. Eleitos, não servem ao povo, se não naquilo que convém aos que "abençoaram" suas candidaturas. Perspectivas de melhora do quadro vigente não há, porque tudo esbarra no corporativismo partidário e no poder de manipulação de alguns dentro de cada sigla.

Democracia plena só existiria numa sociedade destituída de partidos políticos, mas suficientemente organizada, que tomasse a si o encargo de gerir a coisa pública com base nas verdadeiras necessidades apuradas pela população, por intermédio de suas associações classistas, profissionais, comunitárias ou de bairros, ongs, enfim todos os setores da sociedade representados em assembléias locais. Dessas assembléias, às quais caberia apontar as primeiras necessidades da comunidade e do município, sairiam também os candidatos aos cargos de vereador e de prefeito. Os candidatos em nível estadual sairiam dos governos municipais (prefeitos e vereadores) e os do nível nacional sairiam dos governos estaduais (governadores e deputados), todos sufragados pelo voto popular. Fácil não seria alterar o estabelecido, mas não é preciso muito esforço para reconhecer que partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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