Em Minas, alguns
municípios realizaram e outros ainda realizarão eleições
extemporâneas, neste ano, porque seus prefeitos perderam em suas
pendências judiciais anteriores ao pleito de 2008, ou porque foram
condenados por crimes contra a Lei Eleitoral naquelas mesmas
eleições. Devido à morosidade dos processos e artimanhas de todos os
tipos empregadas com vistas ao retardamento dos julgamentos, réus
acabaram por candidatar, vencer o pleito, tomar posse e governar.
Considerando que, em
Minas, já tivemos prefeito, condenado por peculato, a governar de
trás das grades, até que esses casos são fichinhas diante de outros
escabrosos, que o grande público não vê por serem varridos para
debaixo do tapete. Prefeitos afastados, novas eleições, ao eleitor
menos atento sugerem nova dinâmica com mais seriedade e menos
corrupção nos modos de se fazer política e administrar a coisa
pública. É onde se engana, pois, na verdade, pouca mudança acontece
em razão de que os vícios persistem. Basta ver que praticamente as
mesmas pessoas disputam o poder; se não as próprias, teoricamente
alijadas pela lei, são parentes e amigos dentro dos mesmos grupos
partidários em cada município, onde o eleitorado é chamado
extraordinariamente às urnas.
Partidos políticos, em sua
verdadeira essência, seriam facções da mesma sociedade que soma
diversidades em qualidade, potencial, carência, e, a eles caberia a
interpretação dos anseios e necessidades para, em blocos, levar à
busca de atendimento e solução no melhor grau de satisfação
coletiva, mediante discussão democrática. Mas a esperteza e ambições
pessoais os tornam apenas meios de atingir o poder em si, ou como
dele se valer para a consecução de objetivos estranhos aos
interesses coletivos, quando não em confronto direto com eles sob a
prática da corrupção. Podem ter milhares de adeptos ou filiados, que
não passam de figurantes, desconhecedores do que sejam as
agremiações às quais se ligam apenas por seus dados pessoais e
assinatura na ficha de adesão. Longe de comportar cidadãos
conscientes do que fazem e representar facções da sociedade em seu
pensamento político, tais agremiações são instrumentos nas mãos de
uns poucos, que os manipulam, assim como ao povo, em benefícios de
seus interesses pessoais.
Ainda há poucos dias,
jornais noticiaram as consequências de "barraco doméstico" (em casa
de rico também há barraco) entre ex-governador e sua mulher, que
teria sido agredida pelo marido, indo o tendepá terminar na
delegacia de Polícia. Em dois anos do processo, evoluído para
denúncias de malversação de dinheiro público e enriquecimento
ilícito, como sói acontecer quando mulher briga com o marido
político, discutiu-se o valor da pensão à qual ela teria direito com
a separação. Dono de fortuna que, segundo a ex-mulher, anda pelos
dois bilhões e meio de reais, o ex-governador teria chegado a acordo
com a mãe de seus filhos (todos taludinhos e a comer com as próprias
mãos), para lhe pagar pensão, a beirar duzentos mil reais mensais,
segundo jornal de grande circulação.
A princípio, a
beneficiária teria exigido algo em torno de cinco vezes mais, mas
acabou por aceitar a proposta e, de quebra, teve de renunciar à
disputa pelo controle do partido em favor do ex-marido, no município
de onde os dois levantaram voo para a carreira política. Sim, no
"negócio" com origem em briga de alcova entrou o destino do partido
que, ao invés de conduzido de acordo com os interesses coletivos por
fração da sociedade, é usado como propriedade privada e objeto de
barganha entre marido e mulher, na divisão de despojos de casamento
mal sucedido. É o fim da picada!
Partidos políticos já
fizeram mal demais à humanidade!