Perigo nas latinhas de bebida
Entramos no período
das festas de fim de ano e, junto com elas ou logo a seguir, as tão
esperadas férias, de preferência na praia, livres de quaisquer
compromissos ditados pelas circunstâncias e controlados pelo relógio.
Extravagâncias antes contidas ganham lugar na satisfação de prazeres
ao sabor de liberdade total no curto espaço de vinte ou trinta dias. É
assim que muitos praticamente se desligam da realidade, fazem gastos
excessivos, esquecidos de que em janeiro as contas vêm em dobro, e se
aventuram nas estradas como se estas fossem pistas de corrida e eles
campeões do automobilismo. Embora perdulários em gastos com
supérfluos, nem se lembram de colocar seus veículos em condições
ideais, uma vez que quanto à qualidade das estradas nada podem fazer.
Por força das greves nas escolas, menos festas de formatura devem
ocorrer neste final de ano, o que deve contribuir para a redução do
número de acidentes, que a esta época matam e mutilam tantos jovens
eufóricos ao fim de metas ou jornadas de estudos. Mas, a imprudência
inerente à indisciplina brasileira continua a ceifar vidas e provocar
traumas.
Como se não
bastassem os perigos nas estradas, no destino da viagem, não
exclusivamente por própria culpa e sim sob a responsabilidade
terceiros, o cidadão cai como vítima de casas nem sempre zelosas
quanto à qualidade do que servem à mesa de veranistas famintos e
ávidos por cardápios diferentes do trivial. A oportunidade de faturar
numa estação o que não conseguem fazer nas outras três levam
restaurantes e congêneres dos centros de veraneio ao relaxamento quanto
às normas de higiene e perfeito preparo de seus quitutes e iguarias.
Poucas não são as vítimas que, de volta para casa, têm de enfrentar
tratamento médico para recolocar o organismo em condições ideais.
Entretanto, perigo bem maior ronda consumidores de bebidas em lata, mais
vulneráveis quando na condição de veranistas devido à maior falta de
cuidados. Desde que lançados no mercado, refrigerantes e cervejas em
lata ganharam a preferência dos consumidores por sua praticidade;
preferência que os catadores de material reciclável aplaudem, enquanto
isso lhes possibilita aumentar os parcos ganhos. Mas, veladas
advertências feitas desde o lançamento da moderno vasilhame, com
referência à possibilidade de contaminação das latinhas durante a
estocagem em depósitos, transformam-se em denúncia de mortes por
leptospirose, contraída ao se levarem tais latinhas diretamente à
boca. Óbitos já ocorreram dois dias depois do contágio,
comprovadamente, por meio de uma latinha de cerveja: leptospirose
fulminante!
A leptospirose é
transmitida pela urina de rato, roedor que faz dos depósitos,
especialmente os mal cuidados, seus locais preferidos para viver e
procriar. A denúncia é grave e deve ser levada a sério por todos
consumidores de bebidas enlatadas, enquanto os próprios fabricantes de
tais bebidas não tomam providências no sentido de proteger as latinhas
contra a contaminação. As latas não devem ser condenadas por isso,
bastando que saiam das fábricas protegidas individualmente contra a
contaminação. Para que tal providência se tome, campanha já se faz
pela adoção de uma tampa protetora, mas cabe a cada consumidor tomar
suas precauções enquanto a proteção não vem. O conteúdo das latas
deve ser tomado por meio de canudinho ou com o uso de copo, ficando
claro que o melhor mesmo é, antes de tudo, lavá-las bem. Boas férias,
com cerveja e tudo mais, mas sem leptospirose!