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PONTO DE VISTA DO
BATISTA
"Pérolas" graduadas
Para quem está conectado à
internet já são corriqueiras as listas de "pérolas", produzidas em
provas por estudantes de todos os quadrantes tupiniquins. A
princípio eram somente dos vestibulares, depois vieram as do Enem.
Alguns enunciados e respostas são tão absurdos, que se duvida terem
sido produzidos por burrice, acreditando-se serem produtos da
criatividade, que também não falta, mas poderia ser aproveitada em
coisa mais útil. E tão vasto é o universo das sandices explícitas
por meio de provas em diversas áreas do conhecimento, nas ante-salas
da universidade, que já existem "sites" especializados e
"enriquecidos" com asneiras ditas ou escritas em setores diferentes
do estudantil.
Algumas definições, como
"o tabaco é uma planta carnívora que se
alimenta de pulmões", beiram o terrorismo. Esta por
exemplo poderia figurar como advertência nos maços de cigarros. "Os
escravos dos romanos eram fabricados na áfrica, mas não eram de boa
qualidade." Não se sabe em qual país se localizava a
fábrica de escravos e a razão da má qualidade; talvez porque ainda
não tivessem implantado eficiente controle da mesma. A seguir,
vestibulando joga na cacunda dos velhos a culpa pela incompetência
da Previdência Social, pois segundo ele,
"em 2020 a previdência não terá mais dinheiro pra pagar os
aposentados graças à quantidade de velhos que se recusam a morrer."
Como os justos sempre pagam pelos pecadores, é possível que
se decrete a "morte compulsória", para contornar o problema causado
por esses velhos teimosos, que se acham com direito de ficar para
semente. Ponhamos nossas barbas de molho, porque ainda não se sabe
qual será a idade limite.
Levanta-se polêmica sobre
a causa de tantos disparates, muitos dos quais a revelar aprendizado
ainda na fase da alfabetização, a julgar pelos erros ortográficos e
gramaticais de natureza básica. Débito à qualidade do ensino seria a
generalização de falhas localizadas e elevação ao nível da inocência
a malandragem, que também freqüenta escola. A causa pode estar em
outro ponto.
Desde a supervalorização
do diploma em contraposição à necessidade do estudo como forma de
ascensão social, cresce a tendência de driblar o aproveitamento
escolar, fixando como meta única e obsessiva a obtenção do diploma
de alguma maneira, também não importando muito a natureza do curso.
Talvez aí esteja a explicação de tanta sandice nas provas.
Entretanto, pouco destaque se dá às pérolas pós-graduação, como se
exclusivas da fase pré-universitária, até o limite do vestibular.
Por sua própria natureza,
é a área da comunicação que revela o maior número dessas asneiras,
algumas hilariantes como a de certo repórter de televisão, ao
finalizar brilhante reportagem sobre festa de Santo Antônio no
interior mineiro. Ele entendeu de dar toque pessoal à matéria,
arrematando: "Mas toda essa festa
não acontece sem antes ter sido realizada a Trezena de Santo
Antônio; e trezena é uma novena de treze dias".
Em outra reportagem televisiva, tendo personalidade pública
como foco, a repórter subverteu conhecimentos na área médica ao
dizer que a pessoa seria submetida a uma "cardioplastia
na perna". Contudo, absurdo dos absurdos na área da
comunicação com a agravante de comprometê-la produziu-se em
"release" sobre evento a ressaltar a história da imprensa. De acordo
com certa assessoria de comunicação social
"censura e imprensa
estavam de mãos dadas desde o início".
Assim, no entendimento da
profissional de comunicação, censor e censurado se confundiam no ato
do qual o segundo era a principal vítima. E ainda se diz que nos
vestibulares e nas provas do Enem se produzem as maiores e melhores
"pérolas"!
nbatista@uai.com.br
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