Perspectivas e
agradecimentos
Mais uma vez, estamos de
volta à rotina depois da rápida parada para as festas natalinas e de
transição no calendário. Passada a fase dos gastos fartos e
supérfluos sob orçamento apertado, quem riu na despedida do ano
velho, chora ao início do novo com as primeiras contas forçadas, das
quais não há como escapar. E quem, sob a ilusão do muito ganhar,
vendeu sem cuidados, pode se preparar porque também pode vir a
chorar. É hora do ranger de dentes!
E a julgar pelos
prognósticos de especialistas, este será ano atípico na relação
receita/despesas de cada um, enquanto não se aclara a situação
financeira e os "donos" do mundo não tomam juízo, arrumando a casa
de modo a reduzir margens de riscos predatórios nas finanças
internacionais. Embora a crise atinja a todos os países, em maior ou
menor grau, no âmbito individual creio que a paulada será mais forte
nos grandes executivos, acostumados com salários astronômicos e
mordomias inimagináveis pelo comum dos mortais. Ao contrário de
outros momentos de dificuldades econômico-financeiras, quando no
topo da pirâmide das empresas pouco se sentia os abalos, desta vez é
quase certo que deverá ser encurtada a distância entre os grandes
salários e a base, onde se realiza o trabalho produtivo. Este ano,
penúltimo da primeira década do século vinte e um e do terceiro
milênio, pode ser o delineador do curso a seguir pela humanidade
nesta centúria. Talvez seja a grande oportunidade de as nações se
entenderem melhor, considerando que estamos todos no mesmo barco,
quero dizer, no mesmo planeta. E isso vale também no plano
individual. Aguardemos.
Depois de considerações em
torno da transição no calendário e do comportamento humano em
relação a ela, passando por breve e pretensioso exercício
futurístico a partir do desarranjo financeiro, voltemos a atenção
para o mundinho de nossas realizações.
Foi exatamente na primeira
edição do ano, há vinte anos que se criou esta coluna. O jornal O
LIBERAL era ainda quinzenal, estava na nona edição, e buscava sua
consolidação na região então desprovida de veículo regular impresso,
quando o Noronha, seu fundador, me procurou e ofereceu a
oportunidade de colaborador. Confesso, confirmando o que já fiz
anteriormente, que não teria aceitado o convite, se antevisto o
futuro do jornal. Julgava temerário compromisso de tanta
responsabilidade a se prolongar no tempo. Acostumado com o
surgimento e desaparecimento de jornais, em Ouro Preto, antes que
circulasse a décima edição, não via futuro diferente para o O
LIBERAL: e, isso me libertou do medo. Produziria dois ou três
textos, depois disso o jornal desapareceria e eu estaria livre do
compromisso. Quebrei a cara. Felizmente!
Ao contrário dos
anteriores, o jornal se firmou e abriu caminho para outros veículos
e outras experiências. Ao contrário do suposto, os assuntos não se
esgotaram e a coluna continuou. Mais quatro anos e o Noronha fez-me
integrante de sua equipe por meio de outro convite. Aquela era a
nona edição, e esta vai além da octingentésima, vinte anos passados!
O contato semanal com o público tem sido como viagem, que começou
com o primeiro passo, seguido do segundo, terceiro e subseqüentes,
até o momento, estimulada por quantos me lêem ao longo do caminho.
São amigos, conhecidos, desconhecidos e anônimos; estes últimos
multiplicados por outra oportunidade, que tive ao entrar com "site"
de minha própria criação na rede mundial de computadores, a
internet.
Não imaginava que teria
tanta gente estimulante comigo na caminhada. Por tudo isso, nesses
vintes anos, agradeço a Deus e a vocês leitores! E continuemos nossa
viagem!