PONTO DE VISTA DO BATISTA

Política deturpada

Arte ou ciência de governar ou de bem conduzir os negócios de um grupo, de uma comunidade, de um país ou grupo de países é, mais ou menos, a definição dada pelos dicionários ao verbete Política, que vai grafada com inicial maiúscula, para que não se o confunda com a política praticada aqui, ali e acolá, excrescência produzida pela ambição, vaidade e corrupção no jogo pela conquista ou manutenção do poder. Excetuando-se alguns poucos idealistas sinceros, que entendem a alma do povo e com ele marcha, sem afoiteza e sobressaltos, na busca do equilíbrio entre necessidades e disponibilidades, a grande maioria dos que se engajam na militância política o faz sem conhecimento de causa. E entre os que chegam à liderança, elegendo-se e ocupando posições nos governos, predomina o egoísmo, mesmo sob o farfalhar da bandeira do social. Defender o social, ser socialista, no momento, está moda! É chique; desde que não nos retirem nada, especialmente os privilégios.

Fossem verdadeiramente sérios, dedicados às causas sociais e defensores da moralidade nos negócios públicos, como gostam de apregoar, parlamentares não votariam aumentos imorais para seus próprios subsídios (que teimam em chamar de salários). E, quando convocados a economizar não o fariam em cima dos que lhes prestam serviços na Casa. Infelizmente, é o preço pago por uma sociedade ainda mal educada para o exercício da cidadania dentro da democracia, cujo maior dote, a liberdade, espertos convertem em liberalidade em seu proveito. Lambuzam-se tão às escancaras no doce meio de vida, que despertam em outros a ambição pelas mesmas facilidades! Não mais o desvelo a serviço da causa pública, pois o que deveria ser um meio de o cidadão contribuir na construção de uma comunidade, de um país e de mundo melhor, tornou-se um fim em si mesmo, uma meta para a consecução de interesses pessoais. Por isso a mediocridade se elege acima de qualquer ideal. Seduzidos por altos salários estipulados pelos próprios interessados, e maravilhados com as possibilidades de se inserirem na lista dos que se beneficiam de outros tantos privilégios, também os néscios pleiteiam um lugar à sombra.

Tudo isso é mais forte do que os cargos exigem em termos de visão sobre a verdadeira Política e capacidade para executá-la em prol do bem comum. Por isso a existência de políticos do tipo gorrixo que, incapazes de criar soluções para as demandas emanadas do povo, assumem como suas as realizações de terceiros. Esclarece-se aos que não sabem, que Gorrixo é o pássaro "sem-ninho" que invade o ninho do tico-tico e o induz a chocar e criar seus filhotes. As siglas partidárias, das quais não se conhecem os estatutos dentro da militância, em geral, não passam de embalagem e rótulo para o mesmo conteúdo com ligeiras variações na cor e sabor. Tanto é verdade que o troca-troca partidário é uma constante, sem constrangimentos, na vida de certos políticos. Não lhes faz nenhuma diferença este ou aquele partido. E o número de partidos cresce como o de igrejas evangélicas! Na falta de espaço para aparecer dentro de uma sigla, funda-se outra e dela se torna o "cacique".

Como se não bastasse, na prática, a falta de objetivos nacionais na maioria dos partidos existentes, interesses corporativistas fazem surgir siglas voltadas para grupos e setores, em total descompasso com o geral e abrangente que deve ser a visão de um partido político sobre a nação. Partidariza-se o que deveria ser enfocado primeiramente no geral para merecer atenção específica a posteriori. Lamenta-se que os partidos tradicionais, por força de vícios inerentes à estrutura em que se assentam e à própria cultura política, não consigam equacionar e dar soluções a problemas mais graves, mas, não será por meio da pulverização partidária, por setores, que se abrirão os ouvidos dos governantes aos clamores do povo.

Se persistir a tendência, ainda veremos surgir o PVM-Partido dos Vendedores de Melancia!

nbatista@uai.com.br

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