PONTO DE VISTA DO BATISTA

Políticos renegados em todo o mundo

A político de vergonha na cara, o que não é muito comum, o resultado de recente pesquisa, conduzida pelo Instituto Gallup, junto a jovens entre 16 e 19 anos deve ter tirado o sono ou, no mínimo, lhe dado o que pensar sobre o status moral da classe aos olhos da sociedade. O assunto é sério, preocupante e merece reflexão, pois se trata da avaliação de círculo abrangente da sociedade, integrado por todos os que detêm poder, aspiram ou disputam cargo eletivo, ou exercem influência, ainda que indireta, nos destinos políticos do município, do estado ou da nação. Na compreensão dos que preservam a ética e levam em consideração a opinião pública a respeito de seus atos, não se trata apenas da projeção do seu futuro como político porque, para a sociedade como um todo, muito maiores são as conseqüências determinadas por seu comportamento. O que consta da opinião dos pesquisados com relação à classe política põe em dúvida todo o arcabouço em que se assentam partidos, processo eleitoral e administração pública. Importante salientar que a pesquisa empreendida não se constituiu em estudo isolado do que ocorre no Brasil, o que por si só já teria demonstrado o profundo fosso entre a imagem mostrada por políticos e o que pensa deles o jovem cidadão. O trabalho de avaliação do grau de confiabilidade dos cidadãos nos políticos se estendeu a todas as partes do chamado mundo democrático.

Conduzida pelo Instituto Gallup sob encomenda do Fórum Econômico Mundial, e realizada no Brasil pela InterScience Ciêntia e Tecnologia, com endereço em São Paulo, a pesquisa ouviu cinqüenta mil pessoas em diversos países. A Europa é onde os políticos são vistos com os melhores olhos, pois de acordo com pesquisa, apenas quarenta e seis por cento consideram os políticos desonestos, o que, convenhamos, não é nada lisonjeiro. Na América do Norte esse número sobe para cinqüenta por cento. Daí para o restante do mundo é o abismo! Na Índia e Paquistão, o índice de desconfiança em relação aos políticos é de oitenta e quatro por cento, na África, a média cai para oitenta e dois. Mas onde o índice se mostra mais alto é na América Latina com oitenta e sete por cento. E o Brasil, com o índice de oitenta e nove por cento, puxa a fila dos que consideram os políticos desonestos. Em cada grupo de dez jovens brasileiros, só um confia em políticos, e, entre adultos, a pesquisa aponta queda para oitenta por cento de desconfiança, o que não é de se estranhar, pois políticos podem estar entre os pesquisados. Os números são pesados e tendentes ao crescimento, considerando-se os fatos degradantes que assumem proporções alarmantes e ganham mais espaço na mídia.

Ligados, porém sem nenhuma fidelidade, a partidos que, no caso do Brasil, são dominados por pequenos grupos e nada representam da vontade da sociedade cidadã, os políticos respondem primeiramente aos interesses partidários ditados pela cúpula, ficando os interesses coletivos sob a dependência de mais tempo e oportunidade. Na verdade o que se chama de democracia, no Brasil, é uma ditadura de partidos, ora uns ora outros, mediante conchavos entre seus "donos". E num sistema desses, é óbvio, ninguém pode confiar. O político só ganharia a confiança do povo num sistema em que, desaparecidos todos os partidos, a sociedade organizada decidisse sobre seu próprio destino e, ele, o líder político, surgisse e crescesse naturalmente no torvelinho das discussões de idéias, da busca de melhores opções para o desenvolvimento e condições de vida. Ao contrário, eleito e verificada sua incompatibilidade com o cargo, o povo teria o direito de destituí-lo, do mesmo modo, por intermédio das urnas.

nbatista@uai.com.br

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