Pontapé no bumbum pelado!
Ser nativo de determinada
cidade pode encher de orgulho o cidadão, mas nenhum mérito
representa para ele, uma vez que não se escolhe local de nascimento.
A terra natal não passa de acidente de percurso, que pode ou não ser
valorizado pelo indivíduo, valendo-lhe então destaque ou anonimato
entre seus conterrâneos. No percurso da vida do indivíduo,
entretanto, razões, as mais diversas, podem influir na escolha
voluntária ou causas terceiras determinar onde ele morar. Ao
ultrapassar a média da participação na vida da comunidade escolhida,
o cidadão entra no círculo restrito daqueles com mais chances de vir
a ser "adotado" como cidadão local. Todavia, o título de Cidadão
Honorário não é conferido a todos os merecedores da honraria, e nem
sempre os que o recebem se encontram entre aqueles, em decorrência
de diferentes interesses se sobreporem à vontade da sociedade.
Benfeitores desinteressados da comunidade, por conta de sua
discrição e, por isso, não alcançados pelos holofotes da
notoriedade, nem de longe são considerados pelo poder político ao
qual cabe a função de distribuir honrarias, à mancheia, entre
néscios e deslumbrados, excetuando-se um ou outro merecedor.
Ouro Preto com suas
História e histórias tem ao seu redor ávidos por um pouco da fama
que envolve a cidade; e acolhe nas entranhas quem encontra nas
louvaminhas, incluídas as honras da cidade, o caminho para a
satisfação de seus interesses. Nessa trama de interesses de lado a
lado, as verdadeiras necessidades do município se perdem nas
discussões em torno de a quem e com que agradar, mesmo não vendo a
sociedade local o merecimento de muitos homenageados. Devido a esse
descompasso entre legisladores e comunidade, caiu como bomba a
informação de que vereador lhe teve negada concessão do título de
Cidadão Honorário, embora a aprovação fosse previamente considerada
como favas contadas; tão factível que a solenidade da entrega da
honraria foi anunciada antes da votação.
Raras vezes, o Legislativo
ouropretano foi tão coerente! Não importa que vereador seja e que a
Casa presida, pois a façanha da vitória nas urnas não prova que
tenha se igualado a tantos na prestação de relevantes serviços ao
município ou à cidade em que, há algum tempo, reside. Ao contrário,
antes de eleito vereador, o mesmo cidadão tinha comportamento não
condizente com merecedores de honrarias, sobretudo a de Cidadão
Honorário ouropretano, quando tumultuava as sessões da mesma Câmara,
que hoje preside, e dava trabalho aos agentes da lei. Em suas
reações diante de interesses políticos contrariados miravam-se
agitadores do mesmo naipe, passando longe qualquer candidato ao
título que agora pretendia. Não poderia ser outra a resposta de seus
pares no julgamento da pretensão, mesmo depois de ser agraciado com
a Medalha da Inconfidência, incoerência das incoerências diante da
zombaria e desrespeito praticados pelo mesmo cidadão em solenidade
do 21 de Abril, e, confirmados com declaração a críticas recebidas:
"desrespeitoso e ridículo é o que o Governo faz todos os anos na
Praça Tiradentes, símbolo da liberdade no País: usam o dinheiro do
povo para fazer uma festa para meia dúzia, enquanto este mesmo povo
é encurralado num cantinho que sobra da praça que lhe pertence".
A negativa é como um
retardatário e merecido pontapé no traseiro desnudo, que ousou
exibir ao povo e autoridades durante a solenidade cívica de 21 de
abril de 1997. O plenário da Câmara Municipal de Ouro Preto foi
coerente com o pensamento do povo. Resta saber se consciente!