PONTO DE VISTA DO BATISTA

Os fatos se repetem

De vez em quando, assuntos aqui abordados ficam repetitivos e seria preferível que assim não acontecesse, mas, os fatos forçam a barra de quem tenta sobreviver entre os que vivem de escrever. Ele não resiste à tentação e o público leitor acaba por pagar o pato, tendo que engolir o requentado. Fazer o quê? Os fatos acontecem e se repetem. Vejam por exemplo a área política, ou melhor, a "área" da corrupção.

Depois de tanto fuzuê em torno de um presidente da República, que diziam ter feito isso e aquilo, tendo por cúmplices motoristas, secretária e outros espécimes de menor porte daqueles que rodeiam um "todo poderoso", cria-se que nunca mais alguém se atreveria a botar a mão na "bufunfa" pública, assim sem mais nem menos. O país estaria sendo passado a limpo e os políticos todos conscientes de seu papel. Num 24 de agosto (sempre o mês de agosto), todo o Congresso Nacional virou o polegar contra o presidente que, mesmo tendo renunciado antes, acabou sendo cassado. Vozes tonitruantes, depois de bem manipuladas as massas, ecoaram no recinto majestoso do Parlamento Federal como portadores da moralidade pública, dos anseios da sociedade e melhores condições de vida para a população. Não havia passado muito tempo e eis que o assunto corrupção, das grossas (das pequenas já não se fala), voltou a sacudir o país. A nação assistiu estarrecida ao desenrolar dos fatos. Parlamentares que mais vociferaram contra a corrupção, que diziam grassar no Palácio do Planalto e na Casa da Dinda, tinham os dedos sujos quando os viraram para baixo; sujos com dinheiro público desviado para suas contas. Outra vez acendeu-se na sociedade brasileira a esperança de mais ética e hombridade por parte dos homens públicos, mas tudo se desvaneceu quando a maioria dos culpados saiu pela tangente da renúncia, sem pagar pelo crime e muito menos devolver o dinheiro surrupiado. Agora acontece o escândalo dos sessenta mil na Assembléia Legislativa mineira. E este, apesar de não parecer, é mais grave que o dos "anões do orçamento". Os "anões" cometeram ato claramente configurado como delito, e, só não pagaram por ele, porque nas leis há brechas por onde escapam os medalhões. Na Assembléia mineira, ao contrário, era tudo legal, embora imoral. Como é facultado aos parlamentares legislar sobre o quanto e o como receber pelo exercício do mandato, os deputados criaram uma espiral por onde sua remuneração subia ao infinito, tudo dentro da lei que eles mesmos criaram. O caso dos "anões", depois da renúncia, podia ter sido entregue à polícia. Não foi porque isto é Brasil! Na Assembléia Legislativa nem sobra alguém para julgar e cassar, se fosse o caso. Todos são culpados! Mas, o ato de receber tão altos valores não está configurado como crime. Conseguiram fazer o mesmo que seus colegas do orçamento, de forma legal.

Mesmo que, em Minas, não houvesse desemprego; houvesse garantia de assistência à saúde do cidadão; não houvesse criança fora da escola; ninguém morasse na rua; não houvesse bolsões de miséria no estado; mesmo que a economia estivesse às mil maravilhas; mesmo que o salário mínimo garantisse o sustento de quatro pessoas; mesmo que os deputados não faltassem às sessões legislativas; mesmo que cumprissem todas suas obrigações; mesmo que não mentissem e cumprissem promessas de campanha; mesmo que não fizessem da política uma coisa sórdida, da qual o cidadão de bem procura se afastar; mesmo que tudo isso fosse verdade, e, Minas Gerais o céu, governado por Jesus Cristo, ainda assim seria imoral um deputado receber 60 mil reais mensais (no mínimo) para exercer seu mandato. E tenho dito!

nbatista@uai.com.br

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