PONTO DE VISTA DO BATISTA

Turismo em Ouro Preto

Negar que o turismo tenha a força necessária para se tornar a principal atividade econômica de Ouro Preto é negar a história da cidade e todo o valor artístico de seu acervo. O turismo é o caminho natural a ser trilhado pelas cidades históricas, das quais não se exime Ouro Preto, e essa característica não é exclusividade mineira ou brasileira. Em todo o mundo, as pessoas se movimentam para saciar a sede do conhecimento a respeito de outros lugares, civilizações e culturas; para satisfazer a curiosidade ou por puro ócio e lazer. O fato é que a humanidade atingiu um estágio em que os indivíduos desejam explorar pessoalmente os objetos da informação, que lhes chega por todos os meios que o saber humano conseguiu desenvolver. Não lhes basta ler, ouvir ou ver imagens, que iniciaram seu périplo nas telas dos artistas, pulando daí para a fotografia, alcançaram a tela do cinema, da televisão, e, agora chegam à do computador via internet. Querem o contato direto com a realidade. Portanto, esquecer o turismo ou, pior, repudiá-lo é remar contra a maré e renunciar ao futuro.

Mas, o turismo só se completa como atividade econômica quando à disposição de quem visita corresponde uma predisposição do visitado, gerando satisfação de ambos os lados. Museus e outros pontos turísticos abertos à visitação é muito pouco diante do que o turista espera encontrar. O visitado é o agente passivo do turismo, mas passividade diante do visitante não condiz com as aspirações em torno dos resultados esperados. Cabe a ele organizar-se e organizar a estada do visitante, para que este se sinta atraído (e não traído) a permanecer por mais tempo no local. No caso específico de Ouro Preto, pouco ou nada se oferece ao turista fora do roteiro de visitação a igrejas e museus. Os eventos, em sua maioria, não têm a cara de Ouro Preto; não representam a cultura do povo local e só atraem bandos da "curtição". O resultado é que o verdadeiro turista chega, cumpre o roteiro de visitação e retorna, deixando o mínimo do que poderia deixar em pecúnia, ou o máximo na exploração por serviços isolados.

A cada troca de governo municipal anunciam-se projetos mirabolantes, que ficam no papel, e se descuida do preparo do povo para ser o agente passivo do turismo, porém dinâmico o bastante para se tornar ele próprio beneficiário direto. O inchaço da cidade é outra questão a merecer atenção. A ocupação dos morros e dos poucos espaços vazios na parte antiga da cidade não só altera a paisagem original e compromete a segurança como faz baixar a qualidade de vida que, por sua vez, reclama mais atenção das autoridades. Entretanto, a tendência de transferir residência para o interior do município, notada em grande parte da população, o mesmo acontecendo com os aqui chegam de outros pontos do país, não encontra respaldo em nenhum programa oficial. O desafogo da cidade é necessário e os onze distritos oferecem espaço para a expansão urbana, mas os que ousam empreender esbarram na inépcia dos serviços públicos. Iniciativas que ofereçam opções de expansão dos distritos em troca de uma contenção da cidade merecem incentivos especiais. Enquanto a sede municipal continuar em processo de inchamento, a tendência dos problemas é crescer e nada que se fizer em direção ao turismo será plenamente aceito.

Há que se conscientizar de que o turismo é a meta natural de Ouro Preto. Mas a sua consolidação passa por uma interação entre os interesses da população local e o que ele representa em termos econômicos para toda coletividade, envolvendo-se nessa questão a cultura como um todo e não setores previamente escolhidos.

batista@uai.com.br

Leia também o artigo: Olhar míope sobre o turismo

 

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