PONTO DE VISTA DO BATISTA

Língua Portuguesa II

Embora grande parte do público possa não se interessar pelo assunto, considerando-o insignificante, dou prosseguimento ao tema aqui abordado na edição anterior, ou seja, a unificação ortográfica da Língua Portuguesa. Não resta dúvida de que o Português é língua de destaque, falado por cerca de duzentos e trinta milhões de pessoas em todo o mundo, segundo informações mais recentes, cabendo ao Brasil a responsabilidade de deter a maior parcela entre os falantes. Portugal é o berço da língua, mas esta é quatro vezes mais falada no Brasil que a soma dos falantes em sua origem e nas demais ex-colônias portuguesas. E é o sotaque brasileiro o responsável pela disseminação do idioma de Camões nos quatro cantos do mundo, graças ao espírito aventureiro de nosso povo e também à situação vivida em decorrência da prática de políticas, vazias quanto ao futuro do cidadão e nada favoráveis ao empreendorismo nacional. Basta ver o noticiário da televisão para se constatar que ao se registrar fatos de destaque em qualquer parte do mundo, quase sempre há um brasileiro como testemunha. Infelizmente nem sempre agentes do bem ou isentos, pois há também protagonistas do mal!

As circunstâncias fazem do Brasil o principal multiplicador da fala portuguesa no mundo e, neste momento, o fato é reconhecido politicamente, mediante aprovação da ortografia mais favorável ao Brasil por parte do parlamento português, embora a intelectualidade tenha se manifestado contra. Em contrapartida é de se esperar que o Brasil adote política de valorização do ensino da língua e os meios de comunicação, sobretudo a televisão, se depurem dos vícios e respeitem a gramática. E que se faça guerra contra a substituição de termos do vernáculo por estrangeirismos! Teme-se pela descaracterização do idioma, se persistir a mixórdia estabelecida sob a capa do desleixo ao qual se relegou o burilar (função da escola) da língua aprendida no berço.

Brasileiros há, e não iletrados, a dizer que a língua falada no Brasil nada tem com a de Portugal; que muitas vezes brasileiros não entendem o que falam os portugueses. Mas isso acontece até entre nós mesmos. Ponham-se frente a frente, para bate-papo, gaúcho dos mais autênticos e nordestino curtido nas caatingas. Terão as mesmas dificuldades que português a falar em dialeto regional e brasileiro não muito preocupado com o purismo da língua. Mas, as dificuldades, em ambos os casos, são apenas no início. Ao cabo de pouco tempo todos se entendem, porque a estrutura da língua é a mesma, em qualquer parte onde é falada. Contribui também para as diferenças a extensão do vocabulário brasileiro, enriquecido por palavras originárias das inúmeras línguas nativas (indígenas) e das línguas africanas, introduzidas pelos negros escravizados, sem falar na contribuição dos imigrantes de todas as partes do mundo.

Considera-se natural a resistência da intelectualidade portuguesa, pois, afinal, foi lá que a língua nasceu e é lá em Lisboa e Coimbra que está a fala padrão do Português. Ter que trocar sua forma de escrever palavras e se igualar à forma adotada em sua ex-colônia, ainda que a mais importante, é golpe profundo no orgulho de qualquer nação. Do lado de cá, não se compreende, a não ser como má vontade, as ácidas críticas de reduzido número de brasileiros, taxando a assinatura do acordo de subserviência brasileira e manobra geopolítica de Portugal. Se alguém tem o direito de criticar nesses termos são justamente os portugueses, uma vez que para o Brasil as mudanças são mínimas.

É inacreditável que profissionais graduados da área assumam tal posição, sabendo-se que o acordo confirma o prestígio do Brasil na comunidade lusófona!

nbatista@uai.com.br

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