O preço da omissão
governamental
O povo tem sido levado a
pagar caro demais pelo caos em setores vitais, em conseqüência da
omissão dos governos, ao longo dos últimos anos. Depois de as
gerações anteriores terem vivido o clima da esperança sob divisas,
como "energia e transporte", por exemplo, assumida por
Juscelino Kubitscheck na condição de governador de Minas, com vistas
ao desenvolvimento integrado do estado, sentimos na pele e no bolso o
que a incerteza já nos assoprara nos ouvidos: escorregamos no tempo e
precisamos refazer todo o trajeto anterior, para alcançar novamente o
estágio da autoconfiança, que deu impulso ao salto de cinqüenta anos
nos cinco de mandato daquele grande mineiro na presidência da
República.
Apesar de o apelo ter
encontrado eco na sociedade, há dois anos, sob a forma de poupança de
energia, quando se impôs o racionamento, o consumidor ainda paga pela
inépcia governamental e deve continuar a fazê-lo, durante bom tempo, a
julgar por sinais cifrados de especialistas do setor. Pagou com o
sacrifício, voltando à era da lamparina e do banho em bacia! Agora
mediante tarifas, escandalosamente, mais altas, paga por não ter
consumido e pelo prejuízo das empresas energéticas durante aquele
período. É o resultado da política de ouvidos moucos aos
especialistas do setor, praticada pelo governo até que tudo desse no
que deu. Impostos pagos neste país servem apenas para manter o gordo e
lerdo paquiderme da administração pública, incapaz de ver um palmo
adiante do nariz, pois está demasiadamente ocupado nos cuidados do seu
próprio umbigo. Agentes políticos estão mais interessados em aumentar
seus próprios vencimentos; o que fazem com extrema rapidez, antes que a
sociedade esboce qualquer movimento no sentido contrário.
Embora igualmente
cobradas quanto ao setor viário, tão imprescindível ao transporte
como o são artérias para o fluxo do sangue no corpo, autoridades
responsáveis, há muito, deixaram de fazer manutenção das rodovias.
Quem viaja sente no próprio corpo, e os proprietários de veículos
sentem também no bolso as conseqüências do abandono a que ficaram
relegados nossos caminhos asfaltados, sem falar nas mortes, muitas vezes
debitadas tão somente à imprudência, quando não à fatalidade.
Nestes dias vemos quantas angústias, transtornos e prejuízos podem
causar a incúria e o desmazelo. O simples não desentupimento de bueiro
causou a queda da pista da BR-381, no Km 395, perto da cidade de Bom
Jesus do Amparo. Todo o fluxo de veículos daquela rodovia foi desviado
para a Rodovia dos Inconfidentes, sobrecarregando-a com o tráfego de
grandes comboios de carretas, ônibus e outros veículos, além do
acréscimo de mais de cem quilômetros à viagem. Em país sério, esse
prejuízo já estaria em cobrança na Justiça, porque, o cidadão faz
jus a benefícios coletivos mediante recolhimento de impostos que, no
Brasil, é uma verdadeira sangria na economia do contribuinte.
Quem utiliza com
freqüência a Inconfidentes teve a rotina alterada, forçado a ficar
mais tempo na estrada pelo súbito aumento do volume de tráfego. Só
não sabe que esta rodovia também corre risco de estrangulamento, na
altura do acesso ao antigo Colégio D. Bosco, onde, a exemplo do que
causou a erosão na BR-381, existe um bueiro de águas pluviais
entupido. Em lugar do escoamento da água para a outra margem, onde há
um brejo, a água deste faz o percurso inverso. Falta pouco para que o
brejo, assoreado por material proveniente de erosões no loteamento
contíguo, se nivele com a pista da rodovia: e, então, teremos um lago
bem à entrada do ex-educandário salesiano.
Quando o caos se
estabelecer de fato, entre os responsáveis haverá quem diga ter sido
colhido de surpresa!